Mostrando postagens com marcador Coldplay. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Coldplay. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

[Música] Crítica: "A Head Full of Dreams Tour" - Coldplay - 2017

De volta ao Brasil pouco mais de um ano da última passagem, o Coldplay retornou ainda maior e melhor ao Allianz Parque. Desta vez com a estrutura utilizada nos palcos do tour da Europa, a banda reconheceu o público de São Paulo. A cidade foi escolhida para a gravação do DVD da “A Head Full of Dreams Tour”. Apesar do setlist ser bem parecido com o show de 2016, a banda trouxe novidades como “Something Just Like This”, “Life is Beautiful” e a inédita “São Paulo Song”, com participação de Jon Hopkins.


Com ainda mais pirotecnia, afinal a gravação de um DVD precisa ser impecável, o Coldplay fez um dos melhores shows do ano. A banda ainda não decidiu como será a estrutura da próxima turnê, mas será difícil superar a atual. As Xylobands, pulseiras que ficam coloridas de acordo com o ritmo das músicas, fazem toda a diferença. O efeito visual que elas causam é de deixar qualquer pessoa de boca aberta.

Elas brilham de acordo com a temática: “Yellow” (claro) amarelo, “Every Teardrop is a Waterfall” com tom roxo e azul, “Clocks” vermelho, entre outros. A estrutura de palco que vai até o final da Pista Premium é incrível, assim como os palcos B e C, que trazem um viés mais intimista, perfeito para a lindíssima “Everglow” e “Us Against the World”. No final das contas, todos conseguem gravar e tirar boas fotos.


A banda está em seu melhor momento na carreira em questão de performance. Jonny Buckland, Guy Berryman e Will Champion são mais do que apenas coadjuvantes de Chris Martin. O baterista inclusive cantou “In My Place” pela primeira vez no dia 7 e repetiu a dose no dia 8. Muitas das músicas do setlist são perfeitas para as arenas. “Charlie Brown”, “A Sky Full of Stars”, “Viva la Vida” e “Something Just Like This” são apenas alguns exemplos.

O show durou cerca de 2 horas e contou mais uma vez com pedidos de casamento. Chris morria de amores pela plateia: “Obrigado por um dos melhores shows das nossas vidas”, “Escolhemos São Paulo por causa da energia incrível que vocês nos passam”, entre outras juras de amor.


Chris diz que o álbum atual será o último desde “Mylo Xyloto”. Porém, a impressão é que a banda ainda tem muito tempo de vida. O Coldplay não precisava de todas essas pirotecnias pela qualidade sonora, mas apostou em um formato e evoluiu cada vez mais até chegar nesta fórmula.

Além de tocar muito bem, a banda mostrou nesta turnê como o visual pode criar uma verdadeira experiência inesquecível. Não é à toa que a turnê já é a 5º mais bem-sucedida de todos os tempos. A impressão que fica é de que o espectador viu muito mais do que apenas um show de música.


A banda ainda realiza mais um show no Brasil no dia 11, em Porto Alegre. Depois, encerra a turnê onde ela começou, no Estádio Ciudad de La Plata em La Plata, na Argentina.

sexta-feira, 14 de julho de 2017

[Música] Crítica: Kaleidoscope - Coldplay - 2017

Com shows anunciados em São Paulo (07/11, no Allianz Parque) e em Porto Alegre (11/11, na Arena do Grêmio), o Coldplay lançou nesta quinta-feira (13) o EP Kaleidoscope. Com cinco músicas, algumas excelentes, outras nem tanto, o lançamento de Chris Martin, Guy Berryman, Jonny Buckland e Will Champion serve para fechar lacunas da história contada no último álbum “A Head Full of Dreams”, de 2015. No momento, a banda se prepara para os últimos shows da turnê do disco, que já passou por aqui em abril do ano passado e será finalizada na Argentina, o mesmo local em que começou.

Kaleidoscope tem altos e baixos, mas em geral é uma ótima novidade para os fãs. Confira abaixo as impressões sobre cada faixa:


All I Can Think About Is You: o começo parece um pouco com Midnight do Ghost Stories com uma marcante linha de baixo de Guy Berryman. A música cresce conforme se aproxima do final e explode com um solo de guitarra, uma característica encontrada nos primeiros álbuns do Coldplay. O resultado é uma das melhores músicas já feitas pela banda. O instrumental é reaproveitado de Atlas, música gravada em 2013 para a trilha sonora do filme Jogos Vorazes: Em Chamas.

Miracles (Someone Special): a letra de superação e a melodia combinaram, mas a participação de Big Sean é um tanto quando desnecessária. Chris cita inclusive Muhammad Ali, Mahatma Gandhi e Nelson Mandela em um trecho. Com um refrão um pouco repetitivo, é a pior do EP, mas não é de todo mal.

A L I E N S: as notas de violão do refrão e os efeitos ao longo da melodia têm um estilo parecido com Radiohead. De longe é uma das músicas mais experimentais da banda, que nunca perde a mão com a parte instrumental. Os violinos no final fecham com chave de ouro. A letra é sobre extraterrestes, mas é uma referência às dificuldades enfrentadas pelos imigrantes pelo mundo: “we just want to get home again”. Pela ousadia, é a melhor música do Kaleidoscope.

Something Just Like This (Tokyo Remix): com uma pegada mais eletrônica e participação da dupla The Chainsmokers, trata-se de uma versão ao vivo daquela música que não para de tocar nas rádios. Com o tempo, gosto um pouco mais da música, mas é uma sacanagem estar no mesmo EP que All I Can Think About Is You e A L I E N S.

Hypnotized: linda melodia que começa com as notas de piano que perpetuam por toda a música. Uma calmaria delicada, mas que também vai crescendo aos poucos. Quando parece que vai aumentar ainda mais, acaba. Excelente para finalizar o EP.

Nota (de zero a cinco): 4,5

sábado, 9 de abril de 2016

[Música] Crítica: "A Head Full of Dreams Tour" - Coldplay - 2016

Seis anos depois, o Coldplay voltou para São Paulo. Era o Morumbi, era 2010, era a Era Viva. Três álbuns depois, a sonoridade da banda mudou, mas não deixa de ter a mesma essência. Os fãs abraçaram as músicas mais agitadas com o mesmo interesse daquelas de “Parachutes” e “A Rush”.

Meses antes do show, as reclamações já começaram. Os ingressos acabaram em questão de um dia. Evitei comprar pela internet por causa da alta taxa de conveniência. Tentei acordar cedo para comprar presencialmente, mas a fila já estava gigante e tudo esgotou muito rápido.

Para o meu caso, restou aguardar com paciência para comprar um ingresso da pista no mesmo dia do show com uma moça que o pai desistiu de ir. Cheguei ao Allianz Parque cerca de 18h40. Na entrada, todos recebem a sua Xyloband e um bottom da Global Citizen, parceira que a banda apoia. Pulseira apertada, bottom  na camisa e começo a tentar me aproximar mais do palco. 


A “A Head Full of Dreams Tour” possui uma estrutura que conta com três palcos. O principal, um entre a pista premium e a comum, e outro no lado esquerdo do palco. Assim, até aquele que ficou na arquibancada consegue ver a banda de pertinho. Na pista, já existiam diversas pessoas sentadas apenas aguardando a entrada das bandas de abertura. A primeira foi Tiê, com uma rápida e tímida apresentação. A música é boa, mas sem inspiração para aquecer o público.

Depois, Lianne La Havas, cantora britânica em ascensão, cantou por mais tempo. Simpática, La Havas mostrou que realmente é considerada uma promessa. Tem um timbre bonito e seus dedilhados na guitarra apresentam uma fina mistura de influências na bossa nova e um R&B caprichado. Entretanto, o show foi longo demais e o público já estava cansado de tanto aguardar. Fim de show, 21h30, chegou a hora do Coldplay.


A entrada de Chris, Jonny, Guy e Will é apoteótica. A abertura com “A Head Full of Dreams” deixa o público em dúvida se olha para a própria Xyloband, se olha para a beleza das luzes na Arena, se canta com a banda ou se fica admirando aqueles quatro integrantes que vieram tão de longe, desta vez tão de pertinho.

Como o álbum é novo e algumas pessoas poderiam não ter a letra na ponta da língua, “Yellow” já coloca todo mundo no mesmo patamar. “Look at the stars” com um céu aberto e cheio de estrelas. “Every Teardrop is a Waterfall” manteve o clima no alto, que só diminuiu com “The Scientist” cantado da forma mais alta possível por praticamente todos os presentes. Depois de “Birds” e “Paradise”, a banda foi para o palco do meio da pista.


Para o palco menor, canções mais intimistas como “Everglow”, “Ink” (que foi tocada pela primeira vez na nova tour) e “Magic”. Todos muito receptivos, com Chris tentando falar português, dançando daquele jeito bizarro e Jonny, Guy e Will mostrando como a banda cresce tocando ao vivo. Na volta para o palco principal, “Clocks + Midnight”, “Charlie Brown” e “Hymn for the Weekend”. Apesar da criação em momentos diferentes da banda, as novatas agradam como se fossem um grande clássico como "Clocks" .

Mesmo assistindo no show em 2010 e visualizando mil vezes no Youtube, a sensação de ver o hino "Fix You" ao vivo é algo de outro mundo. Se você é um daqueles que se arrepia com o solo de guitarra, ao vivo não tem nem comparação. Ainda sobra tempo para homenagear David Bowie com uma versão curta de um cover de “Heroes". “Viva la Vida” continua grandiosa, assim como em 2010. O mesmo coro do meio da música continua uma parte da identidade da banda e é repetido pelo público diversas vezes durante todo o evento.

“Adventure of a Lifetime” me impressionou demais. Ao vivo ela funciona muito bem, na ponta da língua da maioria e colocou a galera pra pular. Sem contar com as bolas infláveis coloridas para enfeitar mais ainda o cenário. 


Após mais uma mudança de palco, desta vez mais próximos da arquibancada, a banda surpreendeu os fãs mais antigos com “Trouble” e “Speed of Sound”, sendo que a segunda foi a música escolhida pelo público paulistano no Instagram.


A última sequência, de volta ao palco principal, contou com "Amazing Day" (com mais um lindo coro no meio da música), “A Sky Full of Stars” (com direito a interrupção para singelos pedidos de casamento no palco com a ajuda do “padre” Chris) e “Up&Up” para encerrar. A última música é imponente, tem um ótimo refrão, é boa para cantar e tem solos de guitarra incríveis. 

Para aumentar mais ainda a pirotecnia, que neste ponto estava no limite com laser rasgando a Arena e as Xylobands piscando loucamente, ainda houve uma tímida queima de fogos e o tradicional agradecimento da banda.


O jogo de luzes é definitivamente o carro-chefe da turnê. As novas músicas foram muito bem executadas ao vivo apesar dos poucos shows da turnê. A banda tem repertório para um show maior, mas foi suficiente para deixar todos satisfeitos. A simpatia que a banda transmite também influencia, já que eles parecem tão felizes quanto o público. As surpresas do dia foram “Ink” e “Trouble”, que ninguém esperava. As faltas sentidas foram “Shiver” e “In My Place”.

A impressão é que a banda não para de crescer. Um bom exemplo são os ingressos que evaporaram nas vendas. Ela também cresceu com mais produção, mais intensidade ao vivo e ainda mais interação com o público. Deixei a Arena com um sorriso no rosto, assim como todas as pessoas que assistiram o espetáculo. As luzes, o papel picado, os palcos, a música e o clima criado, mostram que este não é apenas um show para ver os seus ídolos de perto. É feito para você sentir que você realmente é parte daquilo tudo. Resta um misto de anestesia pós-show e vontade de ter aquele momento de volta. Que este momento volte logo e que não demore mais seis anos, por favor. 

domingo, 6 de dezembro de 2015

[Música] Crítica: A Head Full of Dreams - Coldplay - 2015

No dia 4 de dezembro de 2015, o Coldplay lançou "A Head Full of Dreams", o sétimo álbum de estúdio da banda.


Com o fim da Era Viva, o Coldplay se decidiu se aventurar em novas experiências musicais. Abraçou o pop em algumas músicas do "Mylo Xyloto", mas manteve a essência dos primeiros álbuns em algumas faixas, como "Charlie Brown" e "Us Against the World". Depois de uma ambientação colorida, com direito a participação de Rihanna em "Princess of China" e as chamativas xylobands nos shows, a banda seguiu um novo rumo.

A separação de Chris com Gwyneth ajudou a fazer "Ghost Stories" um álbum mais obscuro. O flerte com o eletrônico fica mais evidente e a procura por mudanças consegue trazer algumas novidades boas, entretanto com alguns exageros. Com a vontade explícita de fazer shows pequenos, a banda entregou um álbum acanhado, retraído. Quase um solo do Chris Martin. 

Com esse cenário, surge um novo álbum: "A Head Full of Dreams", aquele que a banda prometia que seria uma volta aos estádios. Com isso, o retorno da grandiosidade dos "tempos de ouro". Vamos ao disco:

A Head Full of Dreams. Remete de primeira a "Don't Let It Break Your Heart", do "Mylo Xyloto". Logo é possível perceber a grandiosidade de volta. Por incrível que pareça, a guitarra do Jonny chama a atenção por ser bem presente, o que não deveria causar surpresa em uma banda de rock. Boa faixa para começar o disco.

Birds. Com um começo meio "Take on Me", logo fica meio Radiohead. A voz grave de Chris, o ritmo rápido da batida e o refrão já me deixam apaixonado. O solo de guitarra ajuda a música a crescer mais e mais. Quanto mais escuto, mais gosto de "Birds". Imagino que deve ser incrível ao vivo. Quando escrevo sobre Coldplay, uso "A Rush of Blood to the Head" como referência de qualidade. Acho que "Birds" teria qualidade suficiente para entrar no espaço da repetitiva "A Whisper".

Hymn for the Weekend. A parceria é com a Beyoncé, então já esperava que seria a faixa mais pop do disco. Me surpreendi positivamente. A participação da cantora é mais discreta do que eu imaginava. É uma daquelas que as rádios adoram repetir várias vezes por dia. Sabe aquelas músicas do estilo Bruno Mars que tocam na rádio e que você curte sempre que ouve? Essa música se encaixa perfeitamente nesse estilo. É um pop de qualidade. Ainda assim é um pouquinho mais música da Beyoncé do que do Coldplay. Continuo com medo de ouvir "Got me feeling drunk and high, so high, so high" em uma música deles.

Everglow. Sim, o Chris Martin lembrou que toca piano e nos deu essa bela faixa. Minhas músicas preferidas da banda são aquelas que têm o piano como protagonista, tipo "Amsterdam", "Trouble", "Clocks", "The Scientist", por aí vai. A melodia é ótima e a letra é linda. Ótima música.

Adventure of a Lifetime. É uma boa faixa, mas com elementos muito repetitivos, como as várias vezes que alguns versos são pronunciados na melodia e o riff de guitarra que enjoa com o tempo. Apesar disso, o Guy criou uma linha de baixo gostosa de ouvir e a guitarra, no estilo do último disco do Daft Punk, deixa a faixa bem dançante. Ainda acho que ficaria perfeita na voz do Adam Levine.

Fun. Faixa que se encaixaria bem no "Ghost Stories" até o refrão. Depois é do "Mylo Xyloto". Não conhecia a Tove Lo, que tem uma bela voz. A parceria deu certo, boa música também. O refrão gruda fácil na cabeça.

Kaleidoscope. Seria aquelas típicas músicas de transição. Isso se não estivesse no álbum do Coldplay, que cria uma melodia linda para um poema antigo. No final, tem até o Obama cantando "Amazing Grace" só porque sim. Segue o poema só porque é lindo:

"This being human is a guest house

Every morning a new arrival

A joy, a depression, a meanness

Some momentary awareness comes
As an unexpected visitor

Welcome and entertain them all!
Be grateful for whoever comes
Because each has been sent as a guide"

Army of One. Uma das minhas preferidas, tem um refrão incrível. Mais um ponto alto do álbum, que repito, deve ser incrível ao vivo. Depois da segunda vez que ouvi, fiquei o dia inteiro cantando "Say my heart is my gun, army of one".

X Marks the Spot. A música mais diferente do álbum, mais uma que gostei de primeira, desde o preview liberado nas redes sociais. É uma daquelas que dá vontade de ouvir várias e várias vezes para decorar a letra. Mais uma que deixou na minha cabeça: "Wherever you are, I'll find that treasure". Tem cara de ser uma daquelas que eles nunca tocam no show.

Amazing Day. Ouvi pela primeira vez em um áudio vazado de um show. Eram 10 segundos de um som com uma qualidade sofrível. Mesmo assim, ali eu já sabia que tinha grandes chances de ser uma das minhas favoritas do disco. Resultado: não é só uma das melhores do álbum, como é uma das melhores do Coldplay. Os violinos de fundo, o Ohhh no meio pro final me arrepia toda vez que escuto. Combinaria perfeito com "Christmas Lights" em seguida em um show.

Colour Spectrum. Essa sim é a faixa de transição que poderia sair tranquilamente do disco. Ela é tão pequena que o tempo de pegar o celular para trocar de música já é o tempo que ela termina. Ou seja, é só um "A Hopeful Transmission" 2.0.

Up&Up. A última música que também é a melhor. Consigo ver a essência da banda ao mesmo tempo que entendo todos as experimentações. A música cresce e é uma delícia de ouvir. Os violinos, a batida do Will, o refrão apaixonante, o solo de guitarra sensacional do Noel Gallagher. Música pra fechar show no mais alto nível possível. Tem uma bela letra e um fechamento impactante.

Avaliação geral. Considero cinco músicas ótimas, quatro boas, uma regular e uma que não tem nota. É muito difícil escutar um álbum atualmente e encontrar cinco músicas ótimas. A experiência com o pop exagerado no "Mylo Xyloto e a melancolia excessiva do "Ghost Stories" trouxe um álbum perfeitamente equilibrado. No limite para cada lado.

As faixas são muito bem produzidas, porém não encontrei a continuidade entre as músicas que vi nos álbuns anteriores. Apesar das mudanças, ainda dá para perceber aquela banda cuidadosa com detalhes do "Parachutes" e do "A Rush..." em cada música. O Coldplay é uma banda que deseja fugir do básico. Eles não querem ser reconhecidos sempre pelo mesmo tipo de som. É vital para uma banda saber se reciclar e isso eles sabem fazer muito bem. 

Melhores faixas: Birds, Amazing Day e Up&Up.
Piores faixas: Hymn for the Weekend e Colour Spectrum.
Nota (de zero a cinco): 4,5

quinta-feira, 29 de maio de 2014

[Música] Crítica: Ghost Stories - Coldplay - 2014

O Coldplay acaba de lançar seu sexto álbum, Ghost Stories.


Antes de falar sobre ele, é legal falar sobre qual a fase que a banda passa. Depois de viver um desejo inacabável por inovações e com o auxílio de Brian Eno, Viva la Vida or Death and All His Friends chegou com toda a pose de mudanças, mas na medida certa.

A sonoridade ficava distante daquela vista em X&Y. Depois, chegou Mylo Xyloto, o álbum tão contestado pelos fãs. A distância da banda que se lançou com Parachutes é gigante. O uso exagerado de sintetizadores e o som claramente puxado para o pop (para ficar bem claro, a banda fez uma parceria com a Rihanna. Acho que isso explica toda a fase ruim). Apesar de todos os deslizes e exageros, ainda dá pra encontrar aquele velho Coldplay, com Us Against The World, Don't Let It Break Your Heart e Hurts Like Heaven.

Nessa fase MX, tudo mudou, inclusive o vestuário. Roupas coloridas, Xylobands nos shows e mais um suposto (todo final de álbum, o Chris Martin fala isso) tempo para descansar da banda. Na preparação para o novo disco, o colorido sumiu aos poucos, a seriedade voltou ao recinto e esperança de dias melhores. Essa era a expectativa, a de retorno de sonoridade. Esse era o cenário que o Coldplay tinha quando lançou Ghost Stories. Sobre cada música:

Always In My Head

O começo com o coral e a bela melodia já me ganhou antes do Chris começar a cantar. Gosto muito da levada da guitarra na música e tem um refrão legal. Ótima pra começar o álbum.

Magic

O baixo do Guy é o protagonista aqui. A música com um pé no R&B tem um refrão delicioso. Tudo bem leve e aumentando de proporção aos poucos. Foi uma boa escolha pra single.

Ink

O começo foi meio estranho, com uma sensação de "Que diabos de instrumento é esse?". Mais uma música bem leve e que me apaixono pelo refrão de primeira. 

True Love

Já gostei dos violinos de fundo logo no início. A bateria elétrica me irrita, pois é desnecessária. O refrão é um tanto quanto pegajoso. Aqui dá pra lembrar daquela sonoridade pedida dos álbuns antigos. E finalmente escuto alguma coisa diferente e um rápido solo na guitarra do Jonny. 

Midnight

É a que mais destoa do álbum. Na primeira vez que ouvi, duvidei que era realmente Coldplay. Sabe aquele lance de inovar? Nesta música deram uma bicuda em todos os trabalhos antigos e lançaram uma música ainda não vista com a banda. Não é ruim. Mas pra quem está acostumado a ter o piano e a melodia como a grande qualidade, não dá pra usar tanta distorção na voz e batidas eletrônicas. Ainda assim consegue ter suas qualidades. Termino a música imaginando como seria se ela fosse mais limpa, sem distorção e tanta coisa junta. Acho que ficaria bem melhor.

Another's Arms

O belo coral que inicia a música me deixa mais aliviado após tanta distorção na voz da música anterior. A música vai aumentando, aumentando... e quando chega a hora de um puta solo de guitarra... o instrumento soa completamente abafado. É estranho, parece que a banda não quer um momento de destaque no álbum. Tudo por enquanto é sim, muito bom. Mas não tem um clímax. Tudo é completamente uniforme. Mesma pegada light de Ink e Always In My Head.

Oceans

Finalmente um destaque! Sem a batida eletrônica como prioridade, o bom e velho violão característico de Parachutes está de volta. Me lembra muito Sparks ou até mesmo Green Eyes. O final com violinos é sensacional. Não é difícil agradar os fãs, sério. Violão, voz e uma boa melodia, não tem o que complicar. Os segundos finais levam a um som de porto, com ondas, sinos e toda uma criação de... Oceans.

A Sky Full of Stars

Pra acabar com toda a minha explicação sobre simplicidade citada acima, nos 10 segundos já é possível prever a música inteira. Justamente na música com o nome mais interessante, a faixa conta com a também desnecessária colaboração do DJ Avicii. A música é claramente diferente de todo o álbum. Apesar de fugir de tudo o que eu gosto em música, no meio das batidas eletrônicas ainda dá pra encontrar a diferença das outras milhares de música eletrônicas iguais. Não sou dos maiores fãs de música eletrônica justamente por essa coisa fácil de prever. Um começo normal, uma queda e uma explosão no final. Vai fazer um puta sucesso sem dúvidas e provavelmente eu vou curtir pra caramba no show. A música é boa no cenário onde ela mesma se coloca. Mas no meio do disco ela acaba sobrando.

O / Fly On

Fico imaginando antes de dar play em como uma música de sucesso pode ter apenas uma letra, "O". Mas ao começar, fico surpreso com um piano sensacional. Particularmente, a letra é linda e simples. Fico pensando em como um tema simples e as palavras certas podem juntar dois temas tão distantes. Juntar a liberdade dos pássaros com uma situação de partida. Uma hora ele está aqui e logo já voou para longe. Enfim, a melodia é incrível e a letra me fez pensar. Lembro mais uma vez porque continuo gostando de verdade desta banda.

(As próximas três faixas fazem parte apenas da versão Deluxe)

All Your Friends

Uma linha de baixo ótima e uma pegada muito parecida com Cemeteries of London da era Viva. Não entendo porque não entrou na versão original. É meio sombria. Dá realmente pra perceber a banda inteira por aqui e dá para lembrar que o Coldplay é muito melhor quando todos recebem destaque.

Ghost Story

Uma das melhores do álbum. A letra é incrível e sem querer sem repetitivo, mas já sendo, lembra muito a era de A Rush of Blood to the Head. É um pecado estar apenas na versão Deluxe. Tem um solo bem legal, tudo foge daquela coisa light do começo do álbum, o refrão é muito bom... uma das minhas preferidas nos últimos anos de Coldplay.

O (Part 2/Reprise)

Muito bonita pra encerrar o álbum. Encerra exatamente como começou. Aliás, todas as músicas terminam de forma muito próxima do começo da próxima. Assim, o final de uma encaixa no início da próxima. O álbum ganha em continuidade e em tese, fica meio que infinito se ficar no repeat, bem legal.

Avaliação final

É um ótimo álbum. Melhor do que o último, Mylo Xyloto. Sinto falta de um momento memorável, um destaque. As letras são em grande parte marcadas pelo fim do relacionamento de Chris Martin com sua esposa Gwyneth Paltrow. Não é um dos álbuns mais inspirados em relação a letras. O álbum é bom pra escutar inteiro, em sequência.

A continuidade aumenta a qualidade do Ghost Stories. Se colocadas separadamente, na minha opinião, são poucas que funcionariam como single atualmente. Midnight e A Sky Full of Stars fogem da linha sonora do álbum. Senti falta da presença e do destaque dos outros membros da banda. Como estão dizendo por aí, realmente soa como um álbum solo do Chris Martin. O que também, obviamente, não é uma coisa ruim.
8
Para o próximo álbum, gostaria muito de ver algo mais alto. Não digo no sentido de músicas de estádio, mas com mais solos de guitarra ou algo um pouco mais como Ghost Story ou Politik, do A Rush. Avalio como um ótimo álbum, mas ainda com o sentimento que dá para melhorar um pouco mais. Eu sei, gosto é gosto e talvez, nunca fique completamente satisfeito. Mas sinto que esse foi um bom começo para algo ainda maior para o futuro.

Melhores faixas: Always In My Head, Ink, Oceans e O.
Piores faixas: Midnight.

Nota (de zero a cinco): 4

domingo, 13 de janeiro de 2013

[Música] Crítica: Mylo Xyloto - Coldplay - 2011

Quero começar minhas análises de álbuns de bandas com uma das minhas favoritas, o Coldplay.

Tenho os cds do Coldplay, fui no show no Morumbi em 2010 e acompanho a carreira faz tempo.

A banda tem vários hits já no lançamento de Parachutes com Yellow e Shiver. Parachutes era um álbum mais intimista e calmo. Um tímido Coldplay. Bem como uma apresentação ao piano que conquistou os fãs em Trouble e marcou a banda.

A Rush of Blood to the Head veio à seguir e chega com mais imponência, logo de cara com Politik. Tem hits de sucesso e de uma vez por todas, conquistou os fãs com In My Place, The Scientist e Clocks. A Rush inclusive, ganhou um Grammy em 2003 por "Melhor Álbum de Música Alternativa".

Para não deixar o sucesso baixar, Chris, Guy, Jonny e Will lançaram X&Y, com Fix You, que para mim tem uma das melhores letras já escritas em todos os tempos. Também fizeram sucesso, Talk, Speed of Sounds e The Hardest Part.

A partir daí, em Viva la Vida or Death and All His Friends, com a produção de Brian Eno, o Coldplay decidiu mudar de ares e quis fazer um som mais experimental, com letras sobre revolução, batalhas, com vestuário inspirado na Revolução Francesa, mas ainda dava pra encontrar um pouco do Coldplay "das antigas". Tem belas canções como Strawberry Swing, Lost, Lovers in Japan, Cemeteries of London, Violet Hill e óbvio  Viva la Vida, com músicas praticamente feitas para tocar em estádios e palcos gigantes. Logo em seguida, lançou o live, LeftRightLeftRightLeft.

Até que o Coldplay se entregou de vez ao sintetizador, de músicas gigantes, admitiu que gosta de Rihanna e lançou o Mylo Xyloto.
_____________________________________________________________


Pra começar, não gosto dessa escolha de temas para cada álbum. A partir de com a produção do Brian Eno, o Coldplay passou a adotar estes temas, tanto como inspirações musicalmente, nas roupas e decoração do palco. Viva la vida, Revolução Francesa. Mylo Xyloto, grafite e movimentos revolucionistas.
Mylo Xyloto é um nome criado pelos integrantes para criar algo somente deles. "Mylo Xyloto" não tinha resultados no Google e agora por causa da banda tem aproximadamente 5.020.000 resultados. O álbum é conceitual e conta a história de amor da Mylo e do Xyloto, segundo o próprio Chris Martin.

Também comentaram que neste álbum ocorreria a "libertação total" da timidez do guitarrista, Jonny Buckland. Veremos.

O Coldplay chegou em seu 5º álbum em seu limite da procura de novos estilos. Enfim, vamos para as faixas de Mylo Xyloto:

Faixas:

1. "Mylo Xyloto" : Musica instrumental, uma bonita abertura de disco.

2. "Hurts Like Heaven" : Hurts é uma das minhas preferidas, apesar de ficar um pouco receoso pelo título. A música tem uma pegada mais rápida, que me conquistou na hora. Ainda preferia uma versão com a voz do Chris um pouco mais limpa.

3. "Paradise" - Tem um grande apelo comercial, pelo refrão-chiclete, PARA-PARA-PARADISE (o verso é repetido 6 milhões de vezes). A melodia é linda, mas sério... precisava mesmo repetir tanto?

 4. "Charlie Brown" - E chegamos na melhor música do Mylo! Aqui vemos aquela liberdade dada, ao discreto guitarrista Jonny, que consegue fazer um grande trabalho nessa faixa com um sensacional riff de guitarra.

5. "Us Against the World" - Esta faixa contém a participação do baterista Will no piano e nos vocais junto com o Chris. Essa música lembra o tempo de ouro de Parachutes, primeiro cd dos britânicos. É uma faixa calma, que vai crescendo com cada membro da banda entrando em seu tempo. Realmente é umas das minhas preferidas, não só do Mylo, mas de todos os outros álbuns.

6. "M.M.I.X." - Outra instrumental, meio desnecessária, mas ok.

7. "Every Teardrop Is a Waterfall" - Aqui começa o meu medo. A música tem uma boa letra, tem uma guitarra sensacional... MAS O QUE É ESSA BATIDA ELETRÔNICA?? O Coldplay nunca precisou dessa batida eletrônica, nem nunca vai precisar. Dava pra facilitar, mas essa mania de deixar tudo grandioso...

8. "Major Minus" - Excelente música, tinha tudo pra ser single, mas preferiram a Rihanna. Bom, depois falamos dela. Tem uma guitarra imponente e torna a música meio sombria. Mais uma vez, preferia uma voz mais limpa do Chris.

9. "U.F.O." - Que música LINDA! Tudo é perfeita, a voz do Chris, a letra, a melodia, TUDO. Pena que é tão curta. Essa simplicidade dessa música é melhor que toda aquela batida eletrônica de Every Tear e Princess of China.

10. "Princess of China" (com participação de Rihanna) 

Eu me pergunto todo o dia, o porquê colocaram essa música no CD. A Rihanna tem o apelo pop, que eu tenho MUITO medo de ver no Coldplay. Me pergunto, o que essa música tem a ver com o cd, a não ser um apelo comercial?

11. "Up in Flames" - Era uma boa música se o refrão não se repetisse por 60 vezes. 

12. "A Hopeful Transmission" - Outra instrumental... bonita abertura para a explosão de Don't Let It, a próxima faixa.

13. "Don't Let It Break Your Heart" - Mais uma música impecável. Aqui sim a grandiosidade foi bem colocada, na hora necessária. 

14. "Up with the Birds" - Pra fechar o álbum muito bem, o início da música me lembra 42, do Viva. 

O nível caiu um pouco de Viva la Vida, o álbum anterior e caiu muito em relação aos 3 primeiros cds.
O exagero do sintetizador e na batidas muitas vezes influência no resultado final. O que sempre me conquistou no Coldplay é a simplicidade de fazer lindas músicas só com o piano, mas também conseguia muito bem fazer uma música "alta" como Politik, Viva la Vida ou a própria Don't Let It Break Your Heart.

Tem muitos pontos positivos e tem preocupantes pontos negativos. A batida eletrônica é desnecessária e a participação da Rihanna mais ainda.

Ainda assim, é possível ver que a essência da banda ainda está lá, com Us Against the World, Charlie Brown, U.F.O. e Don't Let It Break Your Heart.

O próximo álbum depois do  Mylo Xyloto, será decisivo para a banda. Resta saber se eles vão investir de vez nas batidas eletrônicas e perder um brilhante futuro ou se o Coldplay vai desistir dessas aventuras musicais, voltar ao seu bom (excelente!) e velho som de A Rush of Blood to The Head e tornar-se um grande do jeito certo.

Melhor Faixa: Charlie Brown e Us Against the World.
Pior faixa: Princess of China

Nota (de zero a cinco): 3