Mostrando postagens com marcador Cinema. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Cinema. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 19 de abril de 2017

[Cinema] A publicidade nos trailers e o cinema #ad

Muito tempo após a exibição de um trecho de The Adventures of Kathlyn antes de um filme (104 anos para ser exato), os trailers continuam em constante evolução. Atualmente, o investimento em publicidade é muito superior ao valor direcionado para a produção de um filme. Já sabemos há tempos que a publicidade faz parte do cinema. Mas o que acontece quando a publicidade atrapalha a experiência?

Se por um lado o trailer deve apresentar a sinopse do filme, por outro os criadores devem focar também na publicidade, responsável por instigar o espectador a comprar os ingressos. Claro que o dinheiro move a indústria, mas a estratégia de marketing não deve adiantar detalhes que estão além da sinopse. Sem dúvida, as redes sociais têm a sua parcela de culpa nesta questão.

Os fãs, sedentos por qualquer novidade, começam a receber os primeiros pôsteres na Comic Con. Semanas depois, surge um teaser misterioso de cinco segundos com a data do trailer. Depois da divulgação, os sites de entretenimento começam a dissecar cada cena, prevendo possibilidades que aquele mísero frame pode desencadear. Surge então o trailer europeu, o trailer do Japão. O trailer final uma semana antes do lançamento. As críticas começam a bombar após o embargo e as primeiras impressões aparecem. A ação de marketing nos pontos de ônibus. Os pôsteres que você vê até chegar na sala do cinema.

Veja bem, não é questão de fingir uma nostalgia, mas caramba, que saudade quando as pessoas ficavam sabendo de um filme no cinema.

A divulgação, que antigamente era de apenas um trailer, dava um aperitivo. Agora você já sabe o cardápio completo antes mesmo de sentar à mesa. Um bom exemplo é o filme O Exterminador do Futuro: Gênesis, lançado em julho de 2015. Apenas no trailer, é fácil perceber que John Connor se tornará o vilão. No lançamento de Vingadores: Era de Ultron, era quase impossível ver as redes sociais sem ler algum comentário sobre o vazamento da cena da luta entre Hulk e o Homem de Ferro com a Hulkbuster.

Entretanto, ainda existem bons exemplos. O teaser de Homem-Formiga na escala de uma formiga foi uma excelente ideia.


Outro teaser que chamou a atenção foi o de 
Kingsman: The Golden Circle. A imagem acelerada é uma prévia do mesmo trailer que será lançado nos próximos dias. Diz muito sobre a ação frenética que os fãs viram no primeiro filme e aguardam na continuação.


Voltando a falar sobre o investimento, de acordo com o artigo Trailer: Cinema e Publicidade em um só Produto, de Maíra Justo, o custo médio para produzir um trailer no Brasil é de R$ 30 mil. Já em Hollywood, pode chegar a mais de R$ 800 mil. Obviamente, o lucro rende a continuação que o estúdio sempre sonhou. Quem sabe uma trilogia. Se está dando certo assim, para que mudar?

Isso precisa mudar por causa da surpresa. Precisa mudar por causa da necessidade de ver algo que você não espera. Isso também faz o cinema. Para ficar claro: não sou contra o trailer, sou contra o excesso de divulgação.
Consumindo tudo, você não vai se surpreender com um filme. Afinal, o que você esperava, você já viu há alguns meses em uma tela minúscula durante o almoço.

Independente da recepção do filme, a produtora utiliza essa divulgação como uma cortina de fumaça. Cria o hype e faz as pessoas esquecerem que a matéria-prima também é o produto principal que vai ser consumido. Se for ruim, é porque alguém contou demais. Este excesso de exposição contrapõe a arte.

domingo, 1 de março de 2015

[Cinema] Crítica: Birdman Ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) - 2014

Riggan Thomson (Michael Keaton, em um papel espetacular) é um ator que ficou marcado por apenas por um personagem. Birdman foi um herói de uma trilogia baseada em quadrinhos lançada há muito tempo, que o deixou muito conhecido, mas que dificultou sua carreira na busca de novos papéis.

Muitos anos depois, o ator adapta o livro de Raymond Carver com ajuda do agente Brandon (Zach Galifianakis), escrito há mais de 60 anos, para uma peça de teatro da Broadway. Tudo para tentar um recomeço.

Lembrando que a crítica contém spoilers, então cuidado. Assiste o filme e depois volta aqui! 

Com o andamento do filme, fica fácil entender os motivos do longa de Alejandro G. Iñárritu ter conquistado quatro estatuetas no Oscar: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Roteiro Original e Melhor Fotografia.

A história de "Birdman" é um verdadeiro mar de críticas contra o cinema, o teatro, os atores, os críticos, os roteiros e o público. O filme não se importa em falar nomes de atores e criticar o papel de muitos na indústria hollywoodiana.

O filme começa com a procura de Riggan (Michael Keaton, um dos indicados para melhor ator) por um novo ator para a peça. O escolhido, Mike Shiner (Edward Norton, indicado para o Oscar de melhor ator coadjuvante), ajudaria a atrair a crítica e o público, mas representa aqueles atores que ainda não chegaram ao estrelato e que fazem exigências ridículas para participar de um filme.


Os famosos coadjuvantes que após fazer o mínimo de sucesso em um filme sentem-se os maiores atores da face da Terra.

O mesmo acontece com Lesley (Naomi Watts), que sempre sonhou em um papel da Broadway e que não consegue se contentar com o papel de hoje. Como aquele tipo de ator que quer estrelar um blockbuster sem antes ter feito um papel importante. Algo como pegar o elevador todos os dias sem antes ter experimentado subir uns bons andares de escada.

Uma jornalista pergunta se Roland Barthes, filosofo francês, participou de um dos filmes do Birdman. Em outras palavras, outra crítica: jornalistas despreparados para entrevistas. Ao invés de perguntar sobre a nova peça de teatro, pergunta se é verdade se Riggan injetou sêmen de bebê porco para rejuvenescimento facial, pois viu em um post no Twitter. Outra reclamação: jornalistas que se baseiam em rumores e fontes inadequadas.

"Deveríamos ter aceitado o 'reality' que nos ofereceram", representando toda a comodidade que é aceitar um papel imbecil do que arrumar um jeito de financiar uma peça ou adaptar um roteiro.

Sam (Emma Stone, que logo deve ganhar um Oscar), filha de Riggan, comenta a atual importância de viralizar para tornar algo um sucesso e a falsidade de atores que dizem se sacrificar "em nome da arte", mas que não verdade só querem promover a própria carreira. Não ter um blog, um Twitter ou um Facebook, torna um ator invisível, segundo Sam.

O "viralizar" é justamente entrada para a crítica ao público, que dá mais valor ao bizarro do que ao merecimento. A crítica é representada no filme com a cena de Riggan de cueca nas ruas e no palco.

O trabalho no teatro, o suor dos ensaios e desafios dos bastidores nunca serão mais lidos do que um ator famoso de cueca no meio da rua.

Outra contra o público: todos possuem gostos iguais e são preguiçosos. "Eles amam sangue, eles amam ação. Nada dessa conversa depressiva e filosófica", dizendo que a grande massa só quer ver mais do mesmo, pois pensar cansa.

Mais uma crítica é referente... aos críticos. Tabitha Disckenson, do Times (ou "aquela que parece que lambeu a bunda de um mendigo"),  é citada como a única opinião que importa em NY. Se ela gosta de uma peça, vira um sucesso. Se não gostar, será um fracasso. Ela fala sobre o teatro como se fosse algo de propriedade dela: "Você (Riggan) tomou um teatro que deveria ser usado com algo de valor", comenta em um bar.


"Um homem torna-se crítico quando não pode ser um artista", diz Mike. Dickenson é mal-intencionada. Antes da peça começar ela diz: "Não se preocupe, eu farei uma crítica ruim". A crítica acredita ter tanto poder, que pode julgar o que é arte de verdade. Ela fala mal da rotina dos atores, que entregam prêmios uns aos outros por fracas produções.

Riggan se defende dizendo que a crítica nada mais é do que uma rotulação, de colocar etiquetas com elogios ou maldades sobre algo na mídia. A mídia acaba esquecendo de falar sobre técnica, estrutura e roteiro, criando apenas comparações sem sentido.

A trilha sonora é basicamente uma bateria que se intensifica ou fica lenta. Algumas vezes, a trilha é feita por um elemento que aparece na cena, como um baterista na rua ou no meio dos corredores do teatro (?).

Não se incomode em ver muitas cenas sem sentido no filme, uma hora você se acostuma e entende o significado.

O diretor Alejandro G. Iñárritu, inova na maneira de filmar. A obra foi feita como se fosse apenas uma tomada, em plano-sequência. Em nenhum momento existe algum corte perceptível de câmera, que de vez em quando fica parada, gira ao redor da cena e que muda de cenário com uma facilidade incrível.

Apesar da câmera seguir na mesma sequência, o filme não se passa em apenas um dia ou em só um cenário. E essa é uma das maiores qualidades do longa. O tempo passa, o cenário muda e a câmera continua seguindo os atores. Gravar um filme inteiro desta maneira deve ter dado um trabalho gigantesco. Oscar de melhor diretor merecido pelo Iñárritu, que contou uma excelente história e de maneira arriscada.


"Birdman" critica tudo e todos, mas não esquece de contar uma história com grandes atuações e principalmente inovação. O filme joga na nossa cara como é difícil criar e como é fácil reclamar.

Tudo no filme pode ter diversas interpretações, inclusive o final, que poderia escolher o básico, jogo fácil, simples.


Mas quem disse que "Birdman" era para ser simples?
Ah, não se preocupe. Assim como o início e o meio, o final é incrível.

Nota (de zero a cinco): 5

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

[Cinema] Crítica: A Teoria de Tudo - 2014

"A Teoria de Tudo" conta várias histórias ao mesmo tempo: descreve como um estudante se tornou um dos cientistas mais respeitados no mundo, a construção da história de amor entre dois jovens, como uma pessoa pode lutar contra uma doença terrível e viver sabendo que tem pouco tempo de vida. O roteiro se movimenta entre os temas e consegue se sair bem em todos.


Lembrando que a crítica contém spoilers, então cuidado. Assiste o filme e depois volta aqui! 

Quando soube que seria contada a história de Stephen Hawking no cinema, admito que fiquei muito empolgado. Não é comum ver um cientista como protagonista, principalmente em um drama com uma história de amor.

Inspirado no livro "Travelling to Infinity: My Life with Stephen", de Jane Hawking, a trama do diretor James Marsh começa com Hawking (Eddie Redmayne, excepcional) na Universidade de Cambridge, já se destacando como um promissor cosmólogo. De uma forma natural e convincente, conhece Jane Wilde (Felicity Jones, indicada ao Oscar de melhor atriz), uma estudante de artes e literatura.

O filme se apoia em dois temas para desenvolver o roteiro: o desdobramento do relacionamento de Jane e Hawking e como a doença degenerativa ELA (esclerose lateral amiotrófica) modificou a vida do cientista.

                 

Desde o início da trama, é possível perceber a evolução da doença de Stephen. Um leve movimento involuntário, que derruba um copo de café, mostra apenas o começo. No hospital após uma queda, o médico avisa que o cientista terá apenas mais dois anos de vida e que aos poucos não vai mais conseguir se movimentar, engolir ou falar. A locomoção fica lenta e logo precisa de muletas.

Sentado na mesa de jantar com amigos, Hawking percebe que não consegue mais se alimentar sozinho e observa os outros sentados na mesa. Um simples movimento de levantar uma colher torna-se um grande desafio.

Saindo do jantar, ele tenta subir a escada para o seu quarto e não consegue. Ao mesmo tempo, observa Jane. A partir deste momento, Stephen percebe que nunca mais será o mesmo.

Jane é um verdadeiro pilar para Hawking. Ela cuida desde a alimentação, banho, até uma ajuda para colocar uma roupa limpa. O mais importante era que Jane fazia por amor, não como uma obrigação. Ela sabia qual seria o futuro do casal, mas insistiu com o relacionamento.

Mesmo com a doença, Stephen insiste em continuar trabalhando. Sua teoria de buracos negros e o tempo é aplaudida por seus professores e conquista o mundo. Tudo isso preso a um corpo que não corresponde às suas necessidades.

Antes de "A Teoria de Tudo", tive dúvidas quanto a escolha de Eddie Redmayne para o papel, que tinha visto trabalhar apenas em "Os Miseráveis". Porém, desde o começo do filme, Redmayne representa um Stephen que aceita as suas dificuldades e que pode ser gentil, teimoso e um gênio, tudo ao mesmo tempo.

É comum a Academia dar o Oscar a atores que superam problemas em um papel. Apenas nos últimos anos, Colin Firth venceu como o gago rei George VI, em "O Discurso do Rei", e Matthew McConaughey, como um eletricista diagnosticado com AIDS, em "Clube de Compras Dallas".

A escolha de Redmayne como melhor ator é mais do que justa. A maneira que o jovem ator representa tudo o que o cientista sentia, mesmo sem poder se movimentar direito, é impressionante. A dificuldade na fala, os pés tortos, a forma de sentar na cadeira, o toque impreciso nos controles... todo o trabalho é impecável e justifica o Oscar de melhor ator a um novato.


Outros pequenos detalhes, como a posição dos seus dedos atrofiados, um olhar diferente para representar ironia ou a maneira que sua locomoção muda conforme a evolução da doença, constroem uma atuação incrível.

A cena em que Stephen imagina levantar para pegar uma caneta é linda de ver. Encostado na cadeira, Eddie arruma sua postura, levanta mancando, e aos poucos fica "saudável" de novo.

A cena é incrivelmente bem feita, com uma leveza única. O maior desejo de um físico que estuda a origem do Universo é apenas ficar de pé novamente.

Felicity Jones também mostra muito bem o outro lado, de quem não tem a doença, mas que é obrigada a viver com dificuldade em nome da felicidade do casal. Ela mostra a paciência (e o cansaço) que é necessária cuidar de uma pessoa, ainda mais com a teimosia de Stephen, e como é possível passar por obstáculos em nome de um relacionamento.

Além das excelentes atuações, destaque para a belíssima trilha sonora de Jóhann Jóhannsson e a fotografia simplesmente linda, com cores intensas.


Mesmo com o livro lançado, com sua popularidade no mundo todo e o respeito de diversos cientistas, seu maior orgulho é o relacionamento com Jane e seus três filhos.

"A Teoria de Tudo" mostrou absolutamente tudo o que eu esperava. Atuações espetaculares, uma fotografia linda e a história de superação de um gênio da física.

Ao escolher contar uma história de amor, o diretor acertou em cheio. O filme é feito para fugir do rótulo de apenas mais um romance, desenvolvendo uma história de um casal sem ser piegas. O roteiro conseguiu balancear bem a doença, o relacionamento e a ciência.

Criar um filme com base em uma biografia poderia ser monótono nas mãos erradas. O diretor poderia seguir por outros caminhos e criar um personagem metido e arrogante. Poderia detalhar o caminho para chegar na teoria dos buracos negros e como o mesmo desacreditou a própria criação. Podia entrar no tabu da religião contra ciência. Mas ainda bem que não foi o caso.

O diretor acertou em se contentar em contar a história de amor de um cientista. Espero que o filme aumente a curiosidade das pessoas em relação a ciência.


Se cada pessoa que guardou um tempo para ler "50 Tons de Cinza" tivesse tempo para ler "Uma Breve História do Tempo" do Hawking ou "Pálido Ponto Azul" de Carl Sagan, teríamos um mundo melhor. Se não tivéssemos um mundo melhor, pelo menos teríamos discussões mais inteligentes.

Nota (de zero a cinco): 5

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

[Cinema] Crítica: O Jogo da Imitação - 2014

Baseado em fatos reais, a maior parte de "O Jogo da Imitação" se passa em plena Segunda Guerra Mundial. Trata-se da história de Alan Turing (Benedict Cumberbatch, em um papel brilhante), que viveu em uma época complicada e intolerante. O longa também apresenta cenas da sua infância no colégio, mostrando como ele começou a lidar com a homossexualidade, e das consequências do fim da guerra.

Lembrando que a crítica contém spoilers, então cuidado. Assiste o filme e depois volta aqui!

Considerado um prodígio pela inteligência fora dos padrões, Alan é um gênio matemático, porém prepotente e arrogante. Ele sabe bem do seu potencial e que é o melhor do seu país em decifrar códigos.

Ele sabia que podia ajudar os aliados a tentar quebrar o código da "Enigma", máquina utilizada pelos alemães para criptografar mensagens secretas. Os aliados recebiam as mensagens, porém não conseguiam decifrar.

Além da gigantesca complexidade, o sistema reiniciava rapidamente, criando em pouco tempo um novo código para transmitir a mensagem. Para tentar resolver o que os franceses e americanos ainda não tinham conseguido, o governo de Winston Churchill, primeiro-ministro do Reino Unido durante a Segunda Guerra Mundial, cria uma equipe com os melhores matemáticos ingleses.

O time liderado por Hugh Alexander (Mathew Goode) recebe Alan, mas logo se cansa da pouca ajuda, já que ele se importa apenas em criar um esboço de uma máquina para decifrar o "Enigma".



Após uma reclamação oficial da equipe para o comandante Denniston (Charles Dance, o Tywin Lannister, de Game of Thrones), Alan resolve explicar seu plano enviando uma carta diretamente para Churchill.

Com a resposta positiva para a continuidade do projeto, Alan se torna o líder da equipe, demite dois funcionários sem a menor culpa e decide se jogar de vez na criação da máquina, junto com Hugh, John Cairncross (Allen Leech), Peter Hilton, (Matthew Beard) e Joan Clarke (Keira Knightley), a única mulher do grupo.

São trilhões de possibilidades para decifrar. Segundo as contas do próprio protagonista, seriam necessários 20 milhões de anos para descobrir algo. Se os humanos não são capazes de decifrar a máquina, quem sabe uma máquina possa pensar mais rápido e criar um padrão.

Nas cenas da sua infância, Alan cria uma relação com o amigo Christopher através da criptografia. Por meio dela, o jovem começou a se interessar por códigos. Com a perda inesperada do amigo, justamente no momento que percebe que o sentimento é maior do que uma amizade, Alan passa a ficar cada vez mais sozinho e a se dedicar somente aos estudos. No futuro, essa seria uma base para a criação da sua máquina, a "Christopher".

A atuação de Cumberbatch é impecável. Em certos momentos, ele demonstra total controle de tudo. Em outros, fica gago, inofensivo e demonstra nervosismo diante de violência, fruto do bullying sofrido quando criança. O papel, que lembra a inteligência e arrogância de Sherlock, parece ser feito para o ator.

Keira Knightley também não deixa nada a desejar. Joan é muito importante para o desenvolvimento da história e representa as mulheres que podiam muito bem ser mais do que apenas cozinheiras ou recepcionistas na guerra. Mesmo em um grupo de homens, ela conseguia se destacar por seu pensamento rápido. Joan era uma das poucas pessoas que entendiam Alan.

O final é ao mesmo tempo feliz e triste. Feliz por conta de um gênio, que salvou milhares de vidas por diminuir o tempo de guerra em mais de dois anos. Graças a ele, tivemos o início de um protótipo do computador e diversos derivados de sua tecnologia.

A parte triste é o cenário em que a invenção foi criada e a intolerância com os homossexuais na época. Alan foi obrigado a esconder quem realmente era. Ele foi obrigado pelo governo inglês a fazer uma castração química, terapia com hormônios femininos. Turing se suicidou aos 41 anos.

Para ter noção, apenas em 2013, a rainha Elizabeth II concedeu perdão real a Alan pela sua condenação por homossexualidade. Diversas outras histórias continuam mantidas em sigilo como segredo de guerra.

Imagino quantos "Alans" permanecem desconhecidos e quantas pessoas geniais foram obrigadas a permanecer em silêncio após uma criação. Já imaginou se o maior feito da sua vida não pudesse ser divulgado?

Desejo apenas que a história do Alan Turing não seja apenas vista como "o cara que criou o computador". Gênios precisam ser conhecidos e suas histórias precisam ser contadas para inspirar outros gênios. Felizmente, o cinema é o lugar perfeito para isso.

Nota (de zero a cinco): 5

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

[Cinema] Crítica: O Grande Hotel Budapeste - 2014

A história de "O Grande Hotel Budapeste" acontece entre as duas grandes Guerras Mundiais, mais especificamente em 1932 na fictícia ex-República de Zubrowka, na fronteira europeia mais oriental, na cidade de Nebelsbad. A trama tem como base um hotel que já foi muito conceituado, mas que começou a descambar para uma futura demolição. Lembrando que a crítica contém spoilers, então cuidado. Assiste o filme e depois volta aqui!

Trata-se de um livro de memórias lido por uma menina em 1985, com um homem contando em 1968, as histórias vividas em 1932. Parece complicado, mas no filme é bem fácil de entender. O dono do hotel, Sr. Zero Moustafa, (F. Murray Abraham) vê o local com olhos de um romântico, como uma velha ruína encantada.


O filme começa com a história contada pelo dono do hotel, sobre como Zero (jovem vivido por Tony Revolori) virou mensageiro e melhor amigo do concierge Monseur Gustave H. (excelente atuação de Ralph Fiennes).

O concierge estava acostumado a dar um "tratamento especial" para as hospedes idosas, loiras e ricas. Era assim que ele mantinha a fidelidade e deixava o hotel sempre cheio. Até que uma das hospedes, Madame D, falece e deixa uma grande herança.
No meio dela, o quadro "O menino e a maçã", de Van Hoytl, herdado por Gustave para fúria de Dmitri (Adrian Brody), filho de Madame D e sua gigante família.



Gustave é considerado culpado mesmo sem provas do assassinato de Madame D e do roubo do quadro renascentista mais valioso do mundo, um dos poucos ainda fora dos museus. A história segue com as consequências da prisão, a batalha pela herança e a procura de manter intacto o nome do Grande Hotel Budapeste.

O diretor Wes Anderson consegue juntar suspense, perseguições, prisão, mortes e comédia. São diversos recortes em um só roteiro, que fluem muito bem no produto final. Já uma característica do diretor, as câmeras centralizam o foco da ação.

Os diálogos são rápidos e sempre acompanhados por uma dose de humor, que consegue ser respeitoso e agressivo ao mesmo tempo. As cenas entre Zero e Gustave sempre são acompanhadas de esquisitices e ironias.

Dmitri e Jopling (Willem Dafoe, cruel capataz do herdeiro), dão a impressão de vilões de filmes antigos, inclusive com trilhas de terror quando aparecem. Porém, a maldade é vista por um lado mais light, mesmo com cenas não tão comuns em filmes mais leves.

Ralph Fiennes faz um grande trabalho, retratando M. Gustave um homem educado e refinado, definitivamente alguém fora de sua época, mas ao mesmo tempo metódico ao extremo e adorador de poesias. O filme ainda conta com ótima participação de Jude Law, Edward Norton, Bill Murray, Owen Wilson, entre outros.

O resultado é um filme com um sentimento nostálgico, com um toque de ironia e muito perfeccionismo. No final das contas, as câmeras são tão simétricas quanto os costumes exagerados de Gustave.

O filme foi lançado em fevereiro de 2014, mas não perdeu o fôlego e conseguiu nove indicações para o Oscar e o Globo de Ouro de melhor filme de comédia ou musical.

Se o dono do hotel vê o Grande Budapeste como uma velha ruína encantada, Wes Anderson resgata o humor de suas inspirações e transforma seu filme de 2014 em um grande clássico consagrado.

Nota (de zero a cinco): 4,5

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

[Cinema] Crítica: Interestelar - 2014

Depois de assistir "Gravidade", fiquei ainda mais fascinado por qualquer notícia/filme/livro sobre espaço. A beleza das cenas de Alfonso Cuarón em IMAX me impressionaram. Muito. O tempo passa e me deparo com o trailer de Interestelar, com um elenco sensacional e direção de Christopher Nolan, que explodiu minha cabeça com "A Origem". Nem vou entrar nos méritos da trilogia "Batman". Lembrando que a crítica contém spoilers, então cuidado. Assiste o filme e depois volta aqui!


Matthew McConaughey, pra começar, passa por uma fase espetacular. Depois do Oscar em "Clube de Compras Dallas" e roubar a cena em uma ponta em "O Lobo de Wall Street", McConaughey dá destaque a tudo que participa atualmente.

Em Interestelar, ele vive Cooper, um engenheiro que se viu obrigado a trabalhar como fazendeiro. Ele vive na Terra em um futuro distante, que sofre com uma praga, que causou tempestades de poeira constantes. Obrigados a viver nesse mundo praticamente pós-apocalíptico, porém que ao menos parece plausível, os humanos procuram apenas sobreviver. É uma Terra que não precisa de engenheiros, mas sim de fazendeiros, de alimentos.

Cooper mora com seus dois filhos, Tom e Murph, jovens com um futuro promissor e seu pai Donald (John Lithgow). Através de uma anomalia gravitacional, Cooper descobre junto com Murph, a sede escondida da NASA. Em um mundo que mal tem comida, quem vai pensar em exploração espacial, certo?

Em pouco tempo, o engenheiro/fazendeiro, que também já foi piloto de testes da agência espacial, é convidado pela NASA (que não sabia que Cooper estava vivo) para uma viagem rumo ao desconhecido.

Murph encontra dificuldades para deixar o pai partir em uma missão em que ninguém sabe se vai dar certo e que não tem uma data certa para acabar. Tudo em nome da confiança na teoria do professor Brand (Michael Caine), cabeça da missão toda, e na fé na ciência.

A ideia da missão é encontrar um buraco-de-minhoca recém-descoberto por cientistas, próximo da órbita de Saturno, que leva a uma nova galáxia. Nela, foram descobertos planetas que provavelmente podem ser habitáveis. Para tirar a dúvida, voluntários/cientistas partiram em uma viagem solitária e sem volta para conhecer os planetas  O que é um tiro no escuro, já que "provável" pode significar a morte. Mesmo assim, é melhor do que ficar na Terra comendo poeira e aguardando a extinção.

Apesar do péssimo cenário no planeta Terra, a tecnologia avançou bastante em certos quesitos. Os humanos aprenderam a viajar longas distâncias em menos tempo, aprenderam a programar um estado de hibernação para esperar o tempo passar e criou a mais alta tecnologia em inteligência artificial.

O TARS e o CASE são robôs de suporte aos tripulantes, que trabalham tanto na manutenção e movimentação da nave, quanto em piadinhas programadas. É possível medir 90% de sinceridade, 70% de humor...eles são úteis, simpáticos e possuem um formato um tanto quanto mutante, com formas que podem mudar de acordo com a adaptação de terreno. Definitivamente, um excelente ponto positivo.

Após a "pesquisa", três planetas foram confirmados como habitáveis pelos próprios voluntários. O papel da equipe de Cooper, composta por Brand (Anne Hathaway), Doyle (Wes Bentley) e Romilly (David Gyasi), é visitar os planetas e confirmar a possibilidade de viver em um deles.

Após a apresentação da Terra devastada e o vínculo forte da família de Cooper, Christopher Nolan começa com as esperadas cenas de espaço.

Assim como em "Gravidade", elas são de tirar o fôlego. A trilha sonora consegue mostrar a solidão do espaço com um piano tranquilo e ao mesmo tempo a imponência do silêncio.

Com tanto tempo de missão, afinal Saturno não fica ali na esquina, Nolan opta por temas como amor, fé e humanidade, porém sem a visão piegas. Para debater o efeito causado pelo tempo, os quatro tripulantes da nave conversam sobre a real compreensão do amor e a sua utilidade na sociedade.

Um interessante ponto é tocado por Brand: "Seria o amor algo maior? Um artefato de dimensão superior que não notamos conscientemente?". Nada de errado na colocação. Humanos amam pessoas mortas, amam pessoas que não conhecem, amam pessoas que ainda vão nascer e são capazes de amar mesmo distantes uns dos outros. Não inventamos o amor, nascemos sentindo, algo tão comum quanto respirar ou piscar.

Teria o amor um outro sentido? "Afinal, o amor é a unica coisa capaz de transcender as dimensões de tempo e espaço", completa a Dra. Brand. Misteriosa ou não, essa necessidade de estar com outras pessoas nos faz humanos, nos dá vontade de viver.

Me chamou a atenção essa procura minuciosa pelos detalhes com algo que não sabemos como funciona. A passagem pelo buraco-de-minhoca e a aproximação do buraco negro são cenas simplesmente espectaculares, daquelas para voltar várias vezes para assistir com calma.

Trata-se de um cuidado impecável na tentativa de demonstrar algo que nunca foi visto, porém da forma mais plausível possível. Nunca vimos algo parecido, mas acreditamos que, se acontecesse, seria daquela forma. E isso é muito daquilo da velha magia do cinema, de tentar levar o espectador em locais nunca antes desvendados.

Nolan toma cuidado para explicar e deixar tudo bem claro para ninguém se perder com a história do espaço-tempo. Aquela história, o tempo de alguém que viaja no tempo-espaço na velocidade da luz é diferente de quem fica na Terra. E é exatamente isso que apresenta um desenvolvimento aos personagens que ficaram na Terra, como Murph (adulta vivida por Jessica Chastain) ou o professor Brand.

Preciso destacar também que é uma puta coragem para um diretor consagrado como o Nolan contar uma historia tão arriscada, muito, muito longe da zona de conforto..

Existe até a teoria de que "eles" (leia-se deuses, extraterrestres, algo superior) estão nos olhando em algum lugar da quinta dimensão. "Eles" ajudam a nossa compreensão. Se não somos tão evoluídos a ponto de conversarmos, "eles" nos ajudariam a entender a nossa realidade. "E se, para 'eles', o tempo e só uma questão física, de subir ou descer uma colina?", diz mais uma vez a Dra. Brand. A apresentaçao de tempo como algo físico me fascinou.


Diferente de "A Origem", o final apresenta uma resposta justa a todas as pontas soltas. Não precisa esperar os créditos para saber se o peão parou de rodar. Existem casos e casos, claro, mas aquele papo de "o final fica à mercê do espectador" para mim é história de diretor e redator que não tem culhões para sustentar seu próprio final.

Quanto as atuações, o filme me levou tão longe, que parei de prestar atenção em Matthew McConaughey, Anne Hathawhay ou Chastain. Eram apenas os personagens. Acredito que isso é um ótimo elogio. Sabe quando falam que o árbitro que não aparece no jogo é aquele que está com a partida em suas mãos?

Um filme de imagens espectaculares, diálogos inteligentes sobre assuntos importantes da existência humana e a megalomania do Nolan. Espero que a moda de filmes espetaculares no espaço continue por um bom tempo. Seja esse tempo físico ou não.

Nota (de zero a cinco): 4,5

sábado, 3 de maio de 2014

[Cinema] Mundo mágico de Walt Disney

Fundado em 16 de outubro de 1923, o Walt Disney Animation Studios é reconhecido até hoje como o principal estúdio de animação americano e é visto como pioneiro no desenvolvimento de técnicas que se tornaram essenciais para a produção da animação tradicional. A história começa quando a empresa passa a produzir filmes a partir de 1934.

Tradicional logo do estúdio de animação americano

Considerado o primeiro dos Clássicos Disney, o estúdio lança totalmente a cores "Branca de Neve e os Sete Anões", em 1937. O lançamento é também o primeiro longa-metragem de animação produzido pelo cinema norte-americano e com produção do lendário Walt Disney.

A inovação resiste a um cinema em plenos anos 30, quando os filmes históricos, de gansters e a ficção científica dominavam as telonas.

Com o intuito de transformar seus filmes em inesquecíveis películas, Walt Disney era conhecido pela vontade de entregar o melhor do estúdio em seus filmes. Com a invenção da câmera multiplano, Walt conseguiu adicionar a sensação tridimensional, colocando profundidade em seus desenhos animados por meio de camadas de imagens de fundo pintadas sobre vidros.

Câmera multiplano colocou sensação de profundidade nas animações

A técnica foi apurada e utilizada nos próximos lançamentos do estúdio. Walt Disney sempre foi entusiasta de inovações e a empresa criada por ele ainda é líder em tecnologias que ajudam a criar histórias de novas e diferentes maneiras. Como por exemplo Fantasia, filme que dá atenção à música clássica e que mudou perspectivas de canções em uma obra cinematográfica.

A criação de Mickey Mouse, Pato Donald, Pateta e diversos outros personagens deixou claro como é importante a construção de um personagem para contar uma boa história e manter a fidelidade do público.

Porém, após a morte de Walt Disney em 1966, vítima de um câncer no pulmão, o Walt Disney Animation Studios passou por tempos difíceis nos anos 70 e 80. O cineasta era a imagem da empresa e os próximos filmes lançados perderam a identidade de inovação com história inspiradora.

Bernardo e Bianca, O Cão e a Raposa, O Caldeirão Mágico, As Peripécias do Ratinho Detetive e Oliver e sua Turma não foram aclamados pela crítica ou pelo público, que passou a olhar o estúdio com outros olhos.

O "renascimento" da Disney chegou apenas a partir dos anos 90, quando a empresa voltou a fazer animações baseadas em histórias clássicas como A Pequena Sereia, Bela e a Fera, Aladdin e O Rei Leão, considerado por muitas a obra prima da Disney.

Rei Leão foi lançado em 1994

A partir dos anos 2000, a Disney finalmente encontrou um rival a altura. Os estúdios Pixar, que com a trilogia Toy Story, Monstros S.A., Procurando Nemo, Os Incríveis, Wall-E e Up - Altas Aventuras dominou as premiações da década. O estúdio demorou para se adaptar com a mudança para o 3D digital. O primeiro filme da Disney com o sistema foi O Galinho Chicken Little.

Essa era também teve um fim, quando a Disney comprou a Pixar em 2006 por US$ 7,4 bilhões. Após a fusão, o estúdio voltou a ser dirigido por um animador,  fator visto como essencial para a nova escalada da Disney, que não tinha um animador no cargo desde a morte de Walt Disney.

John Lasseter é um dos responsáveis pela virada de mesa da Disney

O retorno da Disney ao devido posto foi após o lançamento de "A Princesa e o Sapo", com a animação "Enrolados", filme trouxe de volta a comédia musical após cerca de 20 anos e concretizou o sucesso do último filme do estúdio, Frozen - Uma Aventura Congelante, adaptação do conto de fadas "A Rainha da Neve".

Enfoque no musical chamou a atenção em Frozen

O estúdio optou por voltar às origens para recomeçar a era de ouro. A ideia criada por Walt Disney com a ajuda da sua equipe em 1934, é mais do que o simples lançamento de filmes de animações. É um universo de referências, personagens notáveis, inovações e inspirações para as crianças de diversas gerações.

Com ou sem seu criador, com altos e baixos, o lema da Disney sempre foi "Continue seguindo em frente". Porque Walt Disney mostrou a todos que além de prêmios, um trabalho dedicado pode construir um império na cultura pop.

quinta-feira, 27 de março de 2014

[Cinema] Universo Tarantino

Nascido em Knoxville, Tennessee, Quentin Tarantino começou a sua carreira com a venda do roteiro dos filmes Amor à Queima Roupa e Assassinos por Natureza. Essa foi a sua porta de entrada para criar "Cães de Aluguel", filme que ficou famoso pelo ritmo intenso, cortes de câmera inovadores e cenas retratadas fora da ordem cronológica.

Em 1994, Pulp Fiction foi indicado a diversos prêmios e marcou época no cinema. O filme é tratado como um clássico pelos fãs do diretor e de cinema. A obra recebeu sete indicações ao Oscar, vencendo na categoria de melhor roteiro original.

Além da criatividade inesgotável, uma coisa que diferencia o Quentin dos outros diretores é a ligação dos seus filmes. Existe uma teoria que viralizou na internet que afirma que todos os filme do diretor fazem parte de apenas um único universo. A conexão vai de sobrenomes iguais em filmes diferentes, citações a personagens de outras obras e referências que podem ser mais do que mera coincidência.

A cena que deu início a toda a mitologia vem de Pulp Fiction, onde a personagem de Uma Thurman supostamente cita a história do drama de vingança Kill Bill, lançado apenas em 2003.

Tarantino já admitiu ter crescido assistindo filmes de faroeste de Sergio Leone e de artes marciais. Seu amor pelo cinema trash e gore ajudou a formar sua própria identidade na criação de histórias com muito sangue aparente, mutilações e cenas de violência marcante.

O diretor utiliza também da ucronia, um subgênero literário, para escrever roteiros de alguns dos seus filmes. A oportunidade de mudar o rumo da história real através da ficção é algo que fascina o americano.

Aficionado também por história, o diretor sempre que pode, inclui referências factuais em suas obras. Bastardos Inglórios utiliza a Alemanha nazista, o Terceiro Reich liderado por Adolf Hitler e o Partido Nacional Socialista Alemão dos Trabalhadores como cenário para um filme sobre planos de vingança do ponto de vista judeu para acabar com o nazismo.

Seu último filme, Django Livre, parte da escravidão para contar uma história do velho oeste, que junta faroeste, vingança, referências a seus filmes anteriores e, como sempre, muita violência. O diretor aproveita para contar sua narrativa através de fases do monomito, também conhecido como jornada do herói. Django deixa de ser um escravo para crescer e lutar por seus objetivos e o amor da sua vida.


Dono de dois Oscars de melhor roteiro original (venceu com Pulp Fiction e Django Livre), Quentin, além de ser diretor, roteirista e produtor de cinema, também faz pequenas pontas na maioria dos seus filmes.

Quentin tornou-se referência para os fãs de cultura pop e seus filmes são sempre aguardados tanto pelo público fiel quanto pela crítica. Seja com clássicos antigos ou com os mais atuais, Tarantino assina seus filmes com mais do que um bom roteiro ou atuação. O diretor transfere a sua identidade para cada nova criação.

Através de uma forma única de montar sua obra cinematográfica, Quentin Tarantino tornou-se um verdadeiro ícone. Com apenas 51 anos, Tarantino espera premiar ainda mais as suas obras e destacar o seu nome na eterna lista dos melhores diretores da história do cinema.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

[Cinema] O clichê nos gêneros do cinema

Um personagem pode ter milhares de faces, trejeitos e maneiras. Herói ou vilão no final, ele sempre vai ter um final. Milhares de personagens foram criados em toda a história do cinema. Histórias para se apaixonar, se emocionar, para ficar desesperado quando a mocinha corre perigo mesmo sabendo que em 99,9% das vezes, tudo vai ficar bem. O que define o final, o meio e o começo é o gênero. Claro que os gêneros também tem os seus estereótipos. Uma história pode ser contada diversas vezes com gêneros diferentes, mas sempre mantendo os clichês de cada um. Vamos aos exemplos:

História base: uma pessoa acorda, veste um terno para ir trabalhar, pega trânsito, pega o elevador sozinho e trabalha normalmente. Fim de horário de trabalho, vai pra casa, põe o pijama e dorme.

Romance/Comédia Romântica: Uma mulher beirando os 30 anos acorda, se veste para o trabalho, no caminho seu carro quebra e chama um cara para arrumar. O cara briga com a mulher, mas arruma o carro. Ele é contratado pela empresa dela e vira o seu rival. Aos poucos ela descobre que ele é uma boa pessoa, eles revelam suas qualidades e defeitos um pro outro. Ela sorri e fala: "Seu idiota". Ele sorri e fala "Isso mesmo. SEU idiota." Eles se beijam na chuva e o filme acaba.

Comédia Adolescente: Uma adolescente acorda e se troca para o primeiro dia na escola nova com uma música da Avril Lavigne na trilha sonora. Ela chega no colégio e faz amizade com uma menina estranha que só faz piadas de vez em quando pra lembrar que o filme é de comédia. Ela se apaixona pelo capitão do time de futebol americano, que namora a sua rival na escola. A menina vence a rival em uma competição, o jogador termina com ela e eles se beijam em uma festa com copinhos descartáveis vermelhos tipo American Pie.

Faroeste: O forasteiro acorda, pega seu revólver e sobe em seu cavalo. Enquanto aparecem os nomes dos atores, toca uma música épica do Ennio Morricone. Ele chega na cidade e o xerife é assassinado. Ele inicia um romance perigoso com a filha do dono do banco. Ele vira o novo mocinho da cidade, mas precisa tomar cuidado com a turma do (insira um nome) Kid, o maior ladrão de bancos do oeste. Eles marcam um duelo. O mocinho é mais rápido e mata o ladrão. Ele ganha uma estrela e vira o novo xerife.

Terror: Uma mulher acorda e escuta um barulho. Ela segue o barulho contínuo apenas de calcinha e uma camiseta larga. Ela vê um vulto, mas dorme achando que trabalhou demais e está cansada. No dia seguinte, ela vê um espírito no reflexo do espelho, mas mesmo assim não sai da porcaria da casa. Acorda com o barulho de novo, segue o barulho até chegar no porão. O espírito ataca a mulher e ela cai no chão morta. A câmera segue mostrando uma parede, até que o espírito ataca a tela, só pra causar um último susto.

Suspense: O cara acorda e vai pro trabalho. Ele descobre que precisa levar uma encomenda para um homem em Pequim, mas no voo, o cara descobre que tem um terrorista na cadeira ao lado. Óbvio que ele não avisa ninguém, decide agir por conta própria e tenta matar o cara sozinho. Ele descobre que o cara plantou uma bomba em algum lugar do avião. Claro que o cara corta o fio da bomba no último segundo após uma contagem regressiva e o avião pousa com o FBI pronto pra prender o terrorista.

Ação: O cara acorda e no caminho do trabalho percebe que está sendo seguido. Após uma intensa perseguição, o cara chega a uma ponte que não foi inteiramente construída. Ele acelera e consegue chegar ao outro lado, ao contrário dos vilões que batem o carro. Enquanto isso, o personagem alívio cômico sentado no banco do passageiro faz piadinhas. Tudo isso em uma cena de 40 minutos com muitas explosões e tiros.

Ficção Científica: O cara vai pro trabalho e é abduzido. Os extraterrestres falam que vão levar um humano para o seu planeta para provar que existe vida além de Xnaitzor. No novo planeta, o cara descobre que o lugar está prestes a ser destruído por robôs que possuem um buraco negro. O cara salva a galáxia após matar o chefe robô, se casa com uma ET e começa a viver normalmente no planeta novo.

Documentário: O cara acorda. Ele dá um depoimento sobre como foi acordar naquele dia. A mulher do cara fala sobre a visão dela do homem acordado. Ele vai pro trabalho e o chefe dele fala sobre a vida no trabalho em mais um depoimento. O cara vai pra casa e fala sobre como voltou pra casa de carro. No final do documentário, o diretor coloca imagens e conta a história de como o homem está hoje.

Pornô: O cara acorda e se arruma pro trabalho. A mulher dele arruma a gravata dele e abre o zíper da calça dele (cena de sexo no quarto de 15 minutos). No trabalho, a secretária entra com documentos (cena de sexo no escritório por mais 15 minutos). Chegando em casa, o homem pede uma pizza. A entregadora toca a campainha e fala que está sem troco. Ela afirma que vai precisa pagar por ser uma mulher muito má (cena de sexo de 15 minutos). A esposa chega em casa e flagra os dois transando. Ela gosta da ideia e faz um threesome.

Drama: O cara acorda. Olha pro relógio e o tempo não avança. No caminho do trabalho, recebe uma ligação falando que a sua mulher está com câncer. Ele volta pra casa e eles aproveitam os últimos dias de amor. Ela morre e ele deita. O filme acaba da forma mais melancólica e depressiva possível, com o cara em posição fetal chorando no cantinho do quarto.

Espionagem: O cara acorda e descobre que está sendo vigiado por espiões russos. O cara viaja até Moscou para roubar a tecnologia de uma multinacional. O cara descobre que os russos já sabiam de tudo e que no final, você descobre que tudo não passa de truque para fazer um filme parecido com James Bond. Você já assistiu e gastou dinheiro, já era.

Guerra: O cara acorda e descobre que está no Iraque. Junto do seu novo melhor amigo, eles seguem para o campo de guerra, onde ele mata um cara com uma sniper de forma impressionante. Quando ele comenta o feito com o amigo, ele já foi atingido e o seu parceiro morre. Ele carrega o corpo no final da batalha. O cara é recebido com honras pelo presidente americano.

Série: O cara acorda e o resto você verá no próximo capítulo.

Musical: O cara acooooooooorda de bom humooooor e começa a sapateaaaar enquanto escova os denteeees. No trabalhooo, tudooo viraa motivoo pra mais uma bela cançãããããão. O filme de duas horas podia ser resumido em 3 minutos sem as músicas.

Trash: O cara acorda e aparece um outro cara com uma serra elétrica, cortando todos os membros dele. Somente agora começa o filme, separando os fracos dos fortes. Ou seja, é o diretor falando "Você viu, né? Vem merda por aí, sai agora, depois não reclama".

Independente: O cara acorda, vai pro trabalho na mesma casa, porque o diretor não tinha orçamento pra outro cenário. O filme só tem uma cena com efeitos especiais e ela é especialmente tosca. Em alguns anos, os hispters vão chamar esse filme de clássico.

sábado, 4 de janeiro de 2014

[Cinema] Crítica: A Vida Secreta de Walter Mitty - 2013

Aprecie as pequenas coisas. Faça algo diferente. Pare de sonhar, comece a viver. Saí da sala do cinema pensando apenas nisso. Amo filmes que me fazem pensar sobre o que acabei de ver. Não é só um entretenimento, é uma lição. E é assim que me senti com A Vida Secreta de Walter Mitty.

O filme conta a história de um cara comum. Um cara como eu ou você. No começo do filme, achei a vida do personagem muito parecida com a minha. Em outras situações, óbvio. Mas esse cara é o Ben Stiller e o seu personagem tem um pouco de mim. Isso criou uma ligação comigo logo no começo do filme.


A Vida Secreta de Walter Mitty conta a história de um homem que trabalha com os negativos de um grande fotógrafo da revista Life. Enquanto Sean O'Connell (Sean Penn) viaja e conhece as situações mais incríveis do mundo, Walter guarda os negativos para completar o trabalho do fotógrafo, o caminho para a publicação.

Walter é o típico cara que sonha acordado. Os devaneios e viajadas dele são coisas estranhas, mas muito comuns. Quem não pensa em "e se eu fizesse tal coisa?" e se vê parado, olhando pro nada? Walter imagina uma declaração de amor, uma mega perseguição, uma resposta ríspida ao seu chefe... mas fica só no "seria legal fazer isso."

Ao criar um perfil no E-Harmony, um site que o personagem se cadastra para tentar se comunicar com Cheryl (Kristen Wiig), moça do trabalho que ele sente atração - e mais um dos seus sonhos - Walter percebe que não tem como responder duas lacunas: Viagens e Coisas diferentes que você fez na vida.


Ele nunca fez uma grande viagem, nunca fez uma grande declaração de amor, nunca perseguiu bandidos. Apenas seguia a sua rotina, pois nada melhor do que seguir o que é cômodo.

Após não conseguir localizar um negativo que supostamente seria a melhor foto de todos os tempos da Time, Walter, apoiado por Cheryl, sai em busca do negativo diretamente com o fotógrafo.

Walter sai do seu escritório e corre a caminho da Groenlândia, local onde supostamente está o fotógrafo. Assim começa a jornada e a verdadeira vida que Walter queria. Ele corre riscos, conhece pessoas diferentes, admira paisagens inacreditáveis. Enfim, sua vida começa de verdade.

A mensagem é a de fugir da sua rotina e correr atrás da sua vida. Falar o que você tem vontade de falar, viajar para o lugar que você quer conhecer. E perceber que a vida é feita destes momentos diferentes. A vida rotineira, aquele dia que você apenas trabalhou, é facilmente esquecido.


Por exemplo, não me lembro do que fiz no dia 7 de abril de 2013, mas lembro que no dia 31 de março, estava em um show incrível do Pearl Jam no Lollapalooza. Algo diferente.

Mas no meio de todos aqueles dias insuportáveis de trabalho, um dia com alguma coisa diferente cria uma lembrança inesquecível.

Não, você não vai se demitir e fugir pra Groenlândia. Mas, pelo menos, deixar de pensar: "e se eu fizesse isso?". Apenas faça o seu melhor para fazer! Faça alguma coisa diferente no seu dia! Fala pra garota que você está afim que você gosta dela, vai pro cinema sozinho, não se apegue ao passado, deixe a insegurança pra lá, saiba a diferença de registrar um momento único com uma foto e o momento de registrar na memória.


Walter passou a seguir de verdade o lema da Life que tanto repetia: "Para ver as coisas milhares de quilômetros de distância, coisas escondidas atrás de paredes e dentro de quartos, coisas perigosas por vir, para se aproximar, para ver e ser surpreendido."

Quando você ficar velho, você vai ter história pra contar? Você conseguiria preencher um perfil do E-Harmony? Você tem histórias pra contar?

Sem dúvidas, A Vida Secreta de Walter Mitty me deixou pensativo. Não é um filme que esquecerei fácil. Entrou na minha lista de filmes que me fizeram tentar mudar pra melhor. Junto com meus preferidos Show de Truman, 500 Dias com Ela, O Primeiro Mentiroso e Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças.

A rotina parece ser interminável, mas é no meio dela que criamos os dias memoráveis. Porque é arriscando e abrindo novas portas que encontramos um novo caminho, criando momentos únicos. Afinal, o que é a nossa vida além de uma fonte de momentos e de lembranças inesquecíveis?

Nota (de zero a cinco): 5

terça-feira, 15 de outubro de 2013

[Cinema] Crítica: Gravidade - 2013

Gravidade é um filme que se passa no espaço. Isso já é legal pra caramba. Um dos astronautas é o George Clooney, um ator que dispensa comentários. A outra é a Sandra Bullock, que admito que até pouco tempo não era das minhas atrizes favoritas. O diretor, Alfonso Cuarón, um cara mais conhecido por fazer Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban (2004).  Dá pra pensar que essa mistura resultaria em uma das melhores e mais diferentes experiências que já tive em um cinema?

Quando assisti o trailer pela primeira vez, assistindo Homem de Ferro 3, no ato já sabia que seria um filme diferente. Como o diretor vai sustentar um filme inteiro com uma personagem à deriva, como ele vai lidar com a gravidade e o emocional da personagem? Em meio das muitas perguntas, ficava ansioso pela beleza da Terra vista do espaço e com receio de ver algo como 127 Horas, quando o filme é basicamente um monólogo com flashes do passado e loucuras da cabeça do ator principal.

Longe de dizer que 127 Horas é ruim, mas o que menos gostaria de assistir em um filme que se passa no espaço seriam flashbacks dos personagens na Terra. Esse era o meu medo.

No começo, o papel da astronauta Ryan Stone (interpretada por Sandra Bullock) é consertar o telescópio Hubble com ajuda de Matt Kowalsky (George Clooney), um experiente astronauta que está em seus últimos momentos da sua caminhada espacial.

Rolando um country de leve, com o cenário da Terra no fundo, a imagem é tão bela que demorei um pouco para absorver. Não sei se observo a expressão dos atores dentro do traje espacial, observo a gravidade agindo sob os objetos pendurados ou se fico olhando a beleza da Terra. É até difícil entender que chegamos nesse patamar da computação gráfica.


A história inteira se passa no espaço, sem pesar tanto no passado dos personagens e a história se desenrola rápido. Nada de enrolação. Os russos (sempre eles) mandaram um míssil em um satélite espião e os destroços atingiram outros satélites que atingiram outros, gerando uma reação em cadeia. Quando são avisados que os destroços se aproximam do Hubble, não dá tempo de mais nada.

Sabe aquela história de que o filme deixa as pessoas sem respirar. É a mais pura verdade. São minutos de catástrofes intermináveis e com detalhes impressionantes. Tudo é pensado e cada explosão causa uma outra colisão. É inacreditável a beleza da cena.

No decorrer da história, na deriva no espaço, a atuação de Bullock mostra perfeitamente o completo desespero que qualquer pessoa ficaria nesta situação. Pelo menos uma cinco vezes, o diretor nos coloca na visão de Ryan e o desespero aumenta ainda mais.

São tantas coisas acontecendo que a respiração acaba se tornando uma inimiga graças ao oxigênio limitado. Aos poucos a personagem vai se controlando e tudo vai seguindo o seu rumo.  Ali, naquela situação de risco, Ryan precisa lutar contra o próprio medo e aprender a encarar tudo sozinha.

A qualidade do filme também se deve à excelente trilha sonora. A música nos momentos difíceis ajuda a deixar o clima muito mais tenso. O filme troca constantemente de altura extrema a extremo silêncio, mas com leveza na hora da calmaria.

A parte "calma" do filme possui um pôr-do-sol e uma bela interação entre Matt e Ryan, um dos poucos diálogos dos personagens. Os detalhes nas cenas de construção de história ficam tão evidentes quanto nos acidentes. Para exemplificar isso, em uma cena, um simples alicate batendo na perna da protagonista de fundo bate em um saco plástico que cai em seguida. Não precisava colocar aquele alicate na cena, mas a riqueza nos detalhes pode ser vista em momentos como este.

Outro momento é o das lágrimas da Ryan que voam na gravidade zero. Até aí tudo bem, mas especialmente uma voa em direção à tela, bate na câmera e some. São coisas singelas, mas repito, de beleza e detalhes impressionantes. Sem contar o 3D muito bem utilizado pelo diretor.

James Cameron disse em entrevista à Variety: "É a melhor fotografia espacial já feita, o melhor filme espacial já feito, e é o filme que eu estava ansioso para ver a muito, muito tempo."

Concordo completamente. Todos os diretores de futuros filmes de ficção científica deveriam assistir Gravidade até cansar. O que Avatar foi um novo ponto de partida para o cinema, acredito que com Gravidade, chegamos em um novo ponto. Onde história, computação gráfica e fotografia se unem em perfeição de um belo filme.


Nota (de zero a cinco): 5

_______________________________________________________________________

Alerta de Spoilers!

Preciso comentar uma cena, então, se liga com os spoilers e só leia estes próximos parágrafos se você já assistiu ao filme!

O que foi a cena dela tirando o traje aos poucos e "relaxando" após tudo  que aconteceu? Pra mim, a Sandra Bullock ganhou o Oscar nesta cena e na cena que conversa com o chinês que canta uma canção de ninar para o bebê. A primeira sem falas, apenas a atriz ficando quase em posição fetal com os cabos demonstrando um cordão umbilical. Foi o verdadeiro renascimento da doutora.

Que ideia genial do Cuarón. E a segunda cena, o alívio da astronauta em ouvir alguém finalmente falando qualquer coisa, mesmo que não consiga entender... só em ouvir algo que ela conhece, já é o suficiente para acalmar e respirar. A visita de Matt só mostrou que o renascimento é um elemento que Cuarón queria muito transparecer.

domingo, 8 de setembro de 2013

[Cinema] Crítica: Detona Ralph - 2012

Detona Ralph é um dos filmes que aguardo desde que vi o trailer pela primeira vez. E sim, mais uma vez estou falando de um filme que lançou faz tempo, mas fuck the police!

O filme é produzido pela Walt Disney Animation Studios e mostra que a Pixar não é (e nem vai ser) unanimidade quando o assunto é o mundo das animações.


A história é baseada em Ralph, o vilão do jogo de arcade Conserta Felix Jr. que tem o papel de destruir um prédio e o herói Felix deve consertar.

A história se passa dentro dos jogos eletrônicos de um fliperama, ou seja, após o fim do expediente, todos entram em um tipo de confraternização. A Estação Central de Jogos funciona como uma praça onde todos os jogos se encontram.


Para os saudosistas este local é um prato cheio. A cada cena que apareciam personagens na central de jogos era uma lembrança de um jogo antigo e adorado. São dezenas de referências escondidas no filme, contando Nintendo, Capcom, Atari, Konami , Sega e Midway. São easter eggs escondidos em grafites nas paredes, uma passagem rápida em um poste ou no horizonte.

Existem referências de games em tudo. O filme começa com uma sala de terapia com vários vilões clássicos da história dos games como o Robotnik (ou dr. Eggman para os frescos), Zanghief, Bowser, inclusive os fantasmas do Pac-Man. A cena em si já seria incrível no mudo apenas por reunir tantos elementos épicos em uma tacada só.

Também existem referências ao Mario, aparições do Sonic e até alusão Mario Kart com a pista Rainbow Road na cena de corrida.

O jogo Conserta Felix Jr. faz aniversário de 30 anos e ninguém convida Ralph para a festa. Tratado apenas como um vilão, ele não é reconhecido e mora em um lixão fora do prédio onde todos do jogo moram. Todos desprezam Ralph e amam Felix. Ralph não tem culpa, é o seu trabalho e foi programado para isso.

Um dia, (como todo mundo) Ralph se cansa e deseja reconhecimento pelos anos de trabalho. Afinal, não é fácil ser jogado do prédio pelo herói todo fim de jogo. Para ser reconhecido, Ralph sai à procura da uma medalha de herói!

Na busca da medalha chega ao mundo doce Corrida Doce, jogo em que conhece o Rei Doce e a menininha Vanellope, um bug que não consegue conviver com os outros personagens, nem ir à Central onde os personagens se encontram justamente por ser um bug.

A animação é muito bem feita e explora os cenários de forma incrível. Mas o maior feito da Disney foi utilizar todo esse universo dos games e mesmo assim não perder o foco, criando personagens e uma história sensacional. É impossível não se apaixonar pela garotinha 'bug' Vanellope, uma “falha no sistema” vinda de um jogo de corrida de karts, é fácil entender as razões do Ralph e não é uma dura tarefa simpatizar pelo Conserta-Felix Jr.

Um detalhe que preciso ressaltar é a dublagem brasileira. Vanellope é dublada pela Marimoon.

QUÊ? Sim, eu também me assustei. A dublagem ficou muito fofa, assim como a personagem. Foi um EXCELENTE trabalho da Marimoon. Bom trabalho também ao Tiago Abravanel, o irreconhecível Rafael Cortez e quanto ao resto dos personagens, não precisa nem falar, a dublagem brasileira é referência mundial e não há o que contestar.


Principalmente em animações, os encarregados são sempre cuidadosos, embora as produtoras às vezes compliquem de propósito, como em algumas cagadas como chamar a Preta Gil (‘Os Sem Floresta’ onde dublou a gambá Stela) ou o Luciano Huck (‘Enrolados’ onde dublou Flynn Rider). Enfim, quem se surpreende com a Marimoon pode se surpreender com todo mundo.

Voltado ao filme, o enredo é bem amarrado e consegue unir pontas que tinha certeza que ficariam soltas. (Alguma coisa me diz que é consequência do final de Lost que assisti há pouco tempo).

Quanto à animação em si, é impressionante como elas ficam cada vez mais perfeitas. É um trabalho impecável, desde os cenários lá no fundo quanto os bugs de Vanellope ou os gráficos de propósito pixalizados como um vídeo game no hotel do Felix. A forma de movimentação dos personagens do jogo central é muito boa como se eles vivessem quadro por quadro. Boa sacada.


A sequência já foi anunciada e a espera mais uma fez deve ser longa! Ainda mais porque a presença do Mario já está confirmada pelo diretor Rich Moore, o que já me deixa imaginar a loucura que seria se deixassem o Charles Martinet viajar no personagem. Espero que tenha uma participação importante!

Nos 109 min de filme é possível se encantar pelos personagens, construir uma bela história, conquistar os amantes de games e passar uma mensagem superimportante para as crianças, mas que também serve como um lembrete para os adultos. A mensagem de ''seja você mesmo'' pode ser antiquada, mas é necessário ser reforçada em um mundo que as crianças preferem se espelhar na Selena Gomez ou no Neymar do que ter sua própria personalidade.

A mensagem que fica é que não é nada mal ser você. É o seu personagem, o seu jogo, é a sua vida. É só passar de fase aos poucos e deixar a vida no ‘Very Easy’ que todo mundo consegue zerar tranquilo, sem se preocupar com o game over!

Nota (de zero a cinco): 4

domingo, 21 de abril de 2013

[Cinema] Crítica: O Escafandro e a Borboleta - 2007

O Escafandro e a Borboleta é um filme francês, uma adaptação do livro autobiográfico de um jornalista da revista de moda Elle, Jean-Dominique Bauby, que teve uma vida bem sucedida, teve três filhos com sua ex mulher e namora uma linda garota. Um homem livre.

A primeira cena do filme é o despertar de Jean. Após sofrer um AVC (acidente vascular cerebral), ele acorda em hospital sem entender a situação. A visão do público é limitada, assim como a de Jean. Tudo o que podemos ver, é o que o personagem vê. A câmera por grande parte do filme é a perspectiva de Jean.


Seu corpo ficou paralisado devido à síndrome Locked-in, também conhecida como Síndrome do encarceramento. As únicas partes em que podem se movimentar, são seus olhos. Ou melhor, apenas o olho esquerdo, já que o direito foi costurado para não correr risco de infeccionar. Ele está preso em seu próprio corpo e terá que ser forte o suficiente para aprender a viver desta nova forma.

Nossa câmera e visão é seu olho esquerdo. O que restou para Jean é a sua memória e sua imaginação.

Conforme o tempo passa, Jean aprende uma nova forma de se comunicar com sua fonoaudióloga, recorrendo às letras utilizadas com mais frequência no alfabeto. Para escolher a letra e para responder as perguntas de sua família e médicos: uma piscada para sim e duas para não.

Demora para termos a primeira visão de seu rosto. Tanto que quando vemos, vemos junto com Jean. Claro, nossa reação é a mesma.

O personagem que como qualquer outra pessoa, sente por não poder abraçar seus filhos, sente pela situação de ver médicas lindas em sua frente e não demonstrar reações, sente pela dificuldade de se comunicar e ainda assim conseguir ter um mórbido senso de humor. Ele cria para si mesmo uma visão de que está preso em um escafandro debaixo d'água e não consegue se libertar.

Preso e seu próprio corpo e com sua mente funcionando livremente, Jean, com ajuda de uma assistente, decide ditar uma história para enfim escrever seu livro. Sim, um livro. Palavra por palavra, letra por letra. Haja paciência para a assistente.


Para um homem que trabalhava com moda, vivendo com a ditadura do corpo perfeito, restou a sua imaginação. Já dizem que com a imaginação se vai longe. Para Jean, era essencial imaginar para viver dia após dia. O personagem procura fantasiar e perguntar a si mesmo "onde vou jantar hoje?", "Com quem quero sair hoje?".

Isso era fácil, pois sua imaginação e suas lembranças podiam o levar à qualquer lugar mesmo sem poder se movimentar, como uma borboleta.

É possível encontrar em sua personalidade, a vontade de procurar o mínimo de progresso, de manter o mínimo de esperança, mesmo com a ajuda - fictícia em sua percepção - das religiões.

Trata-se de uma lição de vida inexplicável, uma força de vontade assustadora. Mais do que nunca, o diretor transmite que a comunicação é a coisa mais importante que temos na vida. A história ajuda a entender que a timidez pode ser a maior burrice de um ser humano.


Fica a lição de que muitas vezes nos prendemos por vontade própria em escafandros. É o chamado orgulho. Se somos livres como uma borboleta e não precisamos de uma forma primitiva para nos comunicarmos, porque ainda somos tão presos? Criamos um limite para nós mesmos e damos um passo para trás quado chegamos nele.

O filme serve como uma fonte de inspiração para que através da comunicação e da convivência em sociedade, possamos dar esse passo adiante e criar situações que nunca chegaríamos nem a imaginar atrás da nossa linha, presos em nossos escafandros, no nosso orgulho e na preservação excessiva.

Nota (de zero a cinco): 4,5

sexta-feira, 8 de março de 2013

[Cinema] Crítica: Argo - 2012

A profissão de Tony Mendez (Ben Affleck) é resgatar cidadãos americanos presos em outros países. Dessa vez, o resgate seria muito mais arriscado. O ano é 1979 e o país é o Irã. Depois que o ex-governante do país Mohammad Reza Pahlavi procura um tratamento de saúde nos EUA, a população iraniana queria a extradição (leia-se a cabeça do ditador). E assim começou uma série de protestos que chegou ao limite após a população enfurecida invadir embaixada americana no país.

Dentro da embaixada e no meio da fuga, os funcionários queimam os documentos para proteger a imagem americana e preservar a identidade dos funcionários. Seis pessoas conseguem fugir e se abrigar na embaixada canadense no Teerã. Agora, a missão americana era fazer um plano de resgate a essas pessoas, de forma que o povo nas ruas não os vissem.

Tony sugere um plano no qual será feito uma falsa produção de um filme. Após contratar um renomado especialista de maquiagem cinematográfica e de um ator, Tony recebe roteiros no qual a falsa produção iria se inspirar. Para o projeto dar certo, deveria também enganar Hollywood. O escolhido é Argo. Uma produção de ficção científica que supostamente se passaria no Oriente Médio. 


Os funcionários reféns, seriam os câmeras, produtores, atores...assim com a desculpa da gravação do Argo, a equipe liderada por Tony tentaria uma fuga até o aeroporto. O governo americano de início é contra, porém, percebe que apesar de louca, essa era uma das poucas ideias plausíveis para retirar os funcionários das mãos dos rebeldes. 

E assim, Argo consegue conquistar o seu público. As ruas que estão cercadas de manifestações nas ruas, as novas identidades canadenses, todo o conflito envolta da situação, que tem um povo que quer reerguer seu país e achou como "solução temporária", culpar os funcionários americanos. A equipe liderada por Tony, recebe ajuda da CIA, que dos EUA, faz o possível para que a operação tenha sucesso. 

Ben Affleck faz uma incrível atuação e direção. O filme mostra momentos de tensão que são difíceis de se alcançar nos tipos de filme iguais a Argo. Seu ponto máximo é o nervosismo e os momentos de tensão. É difícil se colocar no lugar de todos os funcionários, e ainda mais no lugar de Tony, que mesmo com um filho o aguardando em casa, viajou para um país com grandes chances da operação fracassar.


A ação mostra que o Irã é mais um pais frágil e que o Canadá ganhou com os EUA um aliado para toda a história. Os Oscars recebidos, são realmente merecidos. 
É realmente uma pena que a Academia que considerou o filme perfeito, não considera o maior responsável pelo sucesso do filme, o diretor Ben Affleck, também um vencedor. 


Uma curiosidade é que o produtor do filme é George Clooney que bateu um recorde na história do Oscar. O ator já foi indicado em seis categorias diferentes (ator, ator coadjuvante, diretor, roteiro original, roteiro adaptado e filme), fato que apenas Walt Disney conseguiu com suas animações. Bem versátil esse Clooney.


Argo é um filme baseado em fatos reais e além de um grande filme, mostra a história e uma grande adaptação. Argo venceu o Oscar de Roteiro Adaptado, Melhor Edição e Melhor Filme. 
Prova que Ben Affleck é um grande a ator e agora, um diretor de ponta. Só a Academia que não viu. 
Argo é o melhor filme do ano e Affleck é o grande responsável por isso.

Nota (de zero a cinco): 5

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

[Cinema] Os premiados do Oscar

Pois é, o Oscar foi sensacional! Como sempre, muitas surpresas, torci o nariz quanto a alguns vencedores, porém, no resultado geral, fiquei satisfeito.


Gostei bastante da apresentação de Seth Macfarlane, criador da Família da Pesada e dublador do Ted, entre inúmeras outras funções do americano.
Ri bastante da interação com o sempre capitão da Enterprise, William Shatner, a música "We Saw Your Boobs", a piada sobre Argo contar uma uma história secreta, tão secreta que a Academia ainda não reconheceu o diretor do filme. (falando sobre a não-indicação de Ben Affleck na categoria de Melhor Diretor).

Gosto dessa coisa de "se posso fazer piadas de quem me contratou, quem dirá dos outros!". E também sobre o publico ainda vaiar sobre uma piada sobre a morte do presidente Lincoln. "Já se passaram 150 anos e ainda não posso brincar sobre isso? Esperem só pelas piadas de Napoleão que tenho à seguir!".

Creio que uma das maiores surpresas da noite, foi ver Lincoln, que foi indicado 12 vezes, perder 10 prêmios! As únicas vitórias do filme foram com o ator Daniel Day-Lewis que deu um show como o 16º  Presidente americano Abraham Lincoln e com o Melhor Design de Produção. Daniel se tornou o maior vencedor da categoria com 3 estatuetas. Ele já havia ganhado por “Meu pé esquerdo” (1989) e “Sangue negro” (2007). Infelizmente para Hugh Jackman e Bradley Cooper, que fizeram ótimos papéis em Os Miseráveis e O Lado Bom da Vida , respectivamente, porém pararam em um impecável Daniel Day-Lewis e sua incarnação perfeita de Lincoln.


Fiquei feliz pela vitória da Jennifer Lawrence, que já aos 22 anos, mostra que é uma brilhante atriz em O Lado Bom da Vida". Infelizmente,ao subir no palco, Jennifer deu uma leve tropeçada (até caindo ela é linda), mas levou na esportiva e manteve a classe, com um discurso bem humorado. "Vocês só estão me aplaudindo de pé porque eu cai né" - disse a jovem estrela perante uma verdadeira constelação de gigantes.


Ela já havia feito um grande trabalho em O Inverno da Alma, que não foi muito divulgado aqui no Brasil, trabalho que inclusive recebeu indicação ao Oscar de Melhor Atriz. E Jennifer já tem um grande futuro, tendo em vista que está escalada para grandes franquias de Hollywood como X-Men  e Jogos Vorazes. As sequências já foram anunciadas e Jogos Vorazes - Em Chamas e X-Men: Dias de um Futuro Esquecido já foram anunciados para 2013 e 2014, respectivamente. Após a premiação, alguns fotógrafos brincaram com Jennifer sobre sua queda. E respondeu com grande classe.

 
s2

Outra certeza era a vitória já prevista era a de Melhor Atriz Coadjuvante da Anne Hathaway, que mostrou ser uma das melhores atrizes dessa nova geração com o papel de Fantine no musical Os Miseráveis. Anne já tinha sido indicada em 2009 para Melhor Atriz pelo filme O Casamento de Rachel.

Falando em Os Miseráveis, o musical venceu 3 das 8 categorias que disputou. Venceu também com Mixagem de Som e Melhor Maquiagem, além da Melhor Atriz Coadjuvante Anne Hathaway. Quem diria que 12 anos depois de O Diário da Princesa, Anne ganharia seu próprio Oscar. Como Anne disse olhando para a estatueta dourada: "O sonho se tornou realidade".


A noite teve uma homenagem aos musicais e teve apresentações de Catherine Zeta-Jones para Chicago, Jennifer Hudson (que voz essa mulher tem!) para DreamGirls e todo o elenco de Os Miseráveis fizeram uma apresentação de arrepiar. Mostrou que Hugh Jackman, Anne Hathaway, Amanda Seyfried, Russell Crowe, Helena Bonham Carter, Sacha Baron Cohen e todo elenco, além de serem brilhantes atores, são excelentes cantores. Foi uma apresentação marcante.


Sobre as animações, creio eu que o nome gigante em cima do título de Valente - "PIXAR" - influenciou e muito na escolha de Melhor Longa Animado. Pelas críticas que li, o verdadeiro merecedor era Detona Ralph.

A noite de ontem, também foi especial para os amantes do agente James Bond. O novo filme 007 - Operação Skyfall ganhou em Canção Original, com a interpretação da grande (rs) cantora Adele e empatou com "A Hora Mais Escura" em Edição de Som. Raridade ver o cinquentão 007 ganhando Oscars.


Adele inclusive apresentou a música tema no palco, após a interpretação de Goldfinger por Shirley Bassey. Também se apresentou a cantora que já ganhou dois Oscars,  Barbra Streisand após o anuário "In Memoriam", falando sobre a morte dos famosos e que fizeram a industria do cinema crescer.

Já o prêmio de Melhor Ator Coadjuvante foi pela segunda vez para o austríaco Christoph Waltz. Ele já tinha ganhado em 2010 pelo sensacional Bastardos Inglórios e repete agora com o papel de Dr. King Schultz de Django Livre. Falando em Django, nada mais merecido do que o prêmio de Roteiro Original dado ao mito (e um dos meus diretores favoritos) Quentin Tarantino.




















Falando agora sobre prêmios técnicos, a vitória foi de As Aventuras de Pi. A Melhor Fotografia, Efeitos Visuais  e Trilha Sonora Original foram para o filme do diretor taiwanês Ang Lee, que já havia vencido a categoria em 2006 por O Segredo de Brokeback Mountain. Ele venceu o inclusive o consagrado Steven Spielberg.


Mas a maior surpresa de todas e para mim também o maior erro foi Argo. O filme de Ben Affleck venceu como o Melhor Filme. Ainda não pude assistir ao filme, porém é uma gigante incoerência da Academia, falar que um filme digno de ser o melhor do ano, não tem o seu diretor sequer entre os indicados da categoria de Melhor Diretor.

Argo, venceu além de Melhor Filme, as estatuetas douradas de Roteiro Adaptado e Edição.
Depois de uma carreira de altos e baixos, com filmes excelentes e bombas como O Demolidor (o que foi visto, jamais será esquecido), Affleck se mostra como um dos maiores injustiçados que Hollywood já criou. Era um grande ator e virou um excelente diretor. A estatueta de Melhor Filme, apesar de acreditar que Os Miseráveis, O Lado Bom da Vida e As Aventuras de Pi, também sejam merecedores, caiu em boas mãos com Argo. Caiu na mão do cara que batalhou pra mostrar que não é apenas um ator de Blockbusters e de filmes médios. Hoje Ben Affleck é um excelente diretor e ninguém pode lhe tirar isso.


Mais um Oscar. Mais filmes sensacionais. Só o Oscar pode juntar a experiência de quem um dia foi grande e a juventude de quem hoje vive em seu auge. O cinema prova mais uma vez que não tem prazo de validade. A arte agradece. A gente agradece.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

[Cinema] Novidades, decepções e palpites para o Oscar 2013

É hoje o Oscar! E como todos os anos, sempre tem alguém reclamando sobre alguma indicação.


Dizem que foi uma baita injustiça que o Ben Affleck não ter sido indicado ao melhor diretor pelo ótimo Argo.

A sempre repetitiva (mas concordo desta vez) reclamação sobre a falta de um filme brasileiro na categoria de filme estrangeiro, mesmo que eu ache que "O Palhaço" com o Selton Mello realmente merecia estar entre os indicados.


Também tem algumas categorias previsíveis. Como o ator Daniel Day-Lewis que só perde o Oscar de Melhor Ator se a minha teoria do post anterior estiver errada ou se acontecer algum desastre muito grande.

Ou o brilhante Christoph Waltz que mais uma vez fez dupla com o diretor Quentin Tarantino em Bastardos Inglórios e já praticamente garantiu de novo seu Oscar de Ator Coadjuvante devido à sua atuação em Django Livre.


Sobre a Melhor Canção Original, alguém tem dúvidas que não vai ganhar Skyfall, obra da Adele Adkins para o último 007?


Outra certeza é que Os Miseráveis ganhará algo. Não importa em qual categoria. A Academia também ama musicais.

Também aposto em Melhor Curta Animado no lindo Paperman da Disney. E torço para Detona Ralph, que é bem melhor que Valente da Pixar e que dessa vez, não fez o seu melhor.


Segunda-feira faço um levantamento e alguns comentários sobre a cerimônia de entrega. A apresentação fica por conta do ator, dublador, animador, roteirista, comediante, produtor,diretor e cantor estadunidense Seth MacFarlane (esse cara ainda tem vida social?). Só em pensar que não tem a Anne Hathaway apresentando, a cerimônia já ficou 5% mais chata.

Chega de conversa! Se eu acertar 3 peço música pro Fantástico? Vou acertar mais que a metade, sei das coisas. (ahãm). Táaa chega Fábio. Vamos aos meus palpites do Oscar!

Melhor Filme 
Lincoln 

Melhor Ator 
Daniel Day-Lewis 

Melhor Atriz 
Jennifer Lawrence 

Melhor Ator coadjuvante
Christoph Waltz

Melhor Atriz coadjuvante 
Anne Hathaway

Melhor Diretor 
Steven Spielberg 

Melhor Roteiro original
Quentin Tarantino

Melhor Roteiro adaptado 
Tony Kushner

Melhor Filme em lingua estrangeira 
Amor

Melhor Longa Animado
Detona Ralph

Melhor Trilha sonora original 
Alexandre Desplat

Melhor Canção Original 
Skyfall

Melhor Efeito visual
As Aventuras de Pi

Melhor Maquiagem 
Os Miseráveis

Melhor Fotografia 
As Aventuras de Pi

Melhor Figurino
Os Miseráveis

Melhor Direção de Arte 
Lincoln

Melhor Documentário 
The Invisible War

Melhor Documentário de curta-metragem
Kings Point

Melhor Montagem 
Lincoln

Melhor Curta 
Death of a Shadow (Dood van een Schaduw)

Melhor Curta animado
Paperman

Melhor Edição de som 
As Aventuras de Pi

Melhor Mixagem de som 
Os Miseráveis