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domingo, 5 de abril de 2015

[Série: Versos de Ciências] O princípio da incerteza

Certas coisas simplesmente acontecem sem consequências. São momentos vividos, sentidos e que precisamos fingir que não existem. São lembrados, mas ninguém sabe. Assim como o tempo "ignorado" antes do Big Bang. Nada antes da grande expansão teria resultado diferente.

Tudo o que existiu não importava mais. Tudo se modificaria, mas chegaria novamente ao mesmo final, teria a mesma forma de milésimos antes do Big Bang. O agora se passa antes ou depois da grande virada? O presente é uma recordação válida ou tudo será esquecido?

Não sei qual a consequência. Não sei se caminhamos para o mesmo destino. É impossível perceber se um momento se apresenta como lembrança ou se caminha para o esquecimento.

Como a mecânica quântica, prevemos quase tudo que se observa a nossa volta, tentando criar uma boa lembrança mesmo antes de sair de casa. Certas pessoas evitam prever. Preferem seguir em frente, na busca de encontrar alguma coisa que faça sentido.

É difícil saber que uma pessoa prefere procurar pela última peça de um quebra-cabeça de joelhos, ao invés de levantar e ter uma visão geral da sala.

Cada um procura em seu tempo, cada um pode ter sua própria maneira de criar lembranças. Algumas pessoas arquitetam o dia seguinte no travesseiro e outras simplesmente se desligam até dormir.

Sempre há o risco de perder uma oportunidade, pois é complicado saber o momento exato de tomar partido. Werner Heisenberg aprendeu a calcular mesmo sem determinar com precisão.

Mesmo sem garantias, os humanos sempre se apoiaram uns nos outros para achar vida. É como descobrir com o parceiro que é possível aprender em conjunto, um ensinando o outro.

Errando e acertando dentro dos limites estabelecidos pelo princípio da incerteza.

domingo, 22 de março de 2015

[Série: Versos de Ciências] O romance espaço-tempo

Ela queria espaço. Ele queria tempo.
O tempo era quase imperceptível para ele e lento para ela. O espaço era uma imensidão para ela e pequeno para ele.

Diziam que eram inalterados. Tudo mudava, menos o tempo e o espaço.
Aristóteles dizia que eles só se movimentavam quando guiados por algum impulso.

Enquanto ela seguia o pensamento aristotélico de guiar a vida sem comprovações, ele era o Galileu que subia na Torre de Pisa para jogar os pesos. Ela aceitava a felicidade teórica e ele queria mostrar na prática que tentava achar o certo.

Ele dizia que tudo estava mudando. Ela dizia que não sentia o mesmo. Eles se atraíam, mas ela fingia uma outra rotação.

Ela queria distância. Ele se defendia com a lei da gravidade de Newton dizendo que quanto mais afastados, menor será a força da atração.

Ela dizia que ele deveria respeitar a visão dos outros. Se defendia com o exemplo do trem em movimento. A opinião pode ou não estar a seu favor. Tudo depende, assim como o trem pode estar parado e a Terra em movimento.

Ele disse que o relacionamento deles era como olhar para as estrelas com um telescópio. Com a distância, tudo que olhamos já não está igual, aconteceu e virou passado.

Era natural pensar que seria assim para sempre, mas durou pouco.

Eles mostraram que não era possível ter uma posição absoluta, era preciso ceder.

Ela ganhou espaço.
Ele ganhou tempo.

Ela em seu espaço se moveu, mas se sentiu sozinha. Afetou a curva do espaço e do tempo.
Ele em seu tempo esperou, mas demorou demais. Afetou e foi afetado por tudo.

Assim como não é possível explicar o universo sem noções do espaço-tempo, torna-se sem sentido falar dele, sem lembrar a história dela.

Juntos, na relatividade geral, eles contaram uma história de amor universal.

domingo, 25 de janeiro de 2015

[Crônica] A vida da Cinza

Essa história aconteceu no estojo de lápis de cor da Alice, de 5 anos. A história da senhorita Cinza. Filha do senhor Preto com a dona Branco, logo na pré-escola dos lápis, a Cinza já se sentiu excluida.

No parquinho, não era aceita na brincadeira com a Amarelo e com a Vermelho. O Azul então, por quem tinha uma queda, nem dava bola. Todos diziam que ela não era nem uma coisa, nem outra. Pior, seu apelido era "Neutra" ou "Fúnebre".

Cansada das brincadeiras de primário (literalmente), pensou em uma mudança na sua vida: "Mãe, quero ser Rosa!". A dona Branco ficou surpresa: "Filha, você é linda da forma que você é!". Com a insistência da filha, revelou um segredo de família: "Cinza, como sou Branco, rainha de todas as cores, você pode virar a cor que você quiser. Mas tem uma coisa: você só pode escolher uma vez por dia. É só se concentrar e pensar na cor".

A pequena ficou radiante. Fechou os olhos e pensou: "Rosa, Rosa, Rosa!". Quando abriu os olhos, viu seu corpo da cor que sempre quis. Não via a hora de aparecer Rosa com glitter no estojo, só pra aquelas exibidas Amarelo e Vermelho morrerem de inveja.

No dia seguinte, na pré-escola, Cinza chegou linda de Rosa. O Azul até passou no apontador para ficar mais elegante para a senhorita Cinza. A Amarelo e a Vermelho logo convidaram a novata para brincar.

A brincadeira era contar quem é o lápis mais usado pela Alice no dia da aula de artes. Na pré-escola, a atividade era desenhar como foi seu feriado. Alice ficou em casa com os pais, porque ameaçou chover e ninguém foi para o parquinho. Seu desenho portanto precisava da Cinza, para as núvens escuras e cheias de gotinhas.

Alice abriu o estojo e começou a procurar a Cinza. Virou os lápis de novo e de novo. Agora de Rosa, Cinza tentava ficar no campo de visão, mas ninguém em sã consciência desenharia uma núvem de rosa. Para ajudar a filha, o senhor Preto auxiliou Alice a fazer uma nuvem escura, bem de levinho.

No final do desenho, estojo fechado e Cinza entrou em pânico. "Meu Deus, como ela não me viu? Eu estava bem na frente dela!". A Amarelo respondeu: "Claro, besta. Agora você está lindíssima de Rosa. Nuvem cor de rosa só se for de algodão doce!".

Cinza percebeu o erro que cometeu. Não precisava ficar bonita para os outros. Precisava ficar pronta para dar o seu melhor quando tivesse chance! Fez uma escolha definitiva na sua vida. Sempre que acordasse, antes de abrir os olhos, desejava: "Eu quero ser cinza, quero ser eu mesma!". No final, Cinza se deu bem. Alice desenhou inúmeras núvens, ratinhos e carros até o final das aulas de artes.

Isso porque ela nem imaginava que quando mais velha, os "50 Tons" mudariam a sua vida.

[Série: Versos de Ciência] Descomplica

Era dia dos namorados. A tarefa do dia na escola era fazer uma carta contando as coias boas de algum colega. Ele sabia muito bem para quem escrever. Ela sempre o deixava feliz. Ele decidiu que esta seria a oportunidade perfeita de contar para ela como se sente.

Ele pensou em temas que fariam sentido para o texto. "Futebol, não. Internet, não. Espaço... espaço? Hum, pode ser. Tem todo o lance da imensidão, tudo muito profundo". E começou a carta:

"Mesmo com bilhões de estrelas..."

"Bilhões? Tem muito mais estrelas do que bilhões". Ele lembrou de um vídeo com um cientista que dizia: "Existem mais estrelas no Universo do que grãos de areia na Terra".

"Bom, definitivamente são bem mais que bilhões", disse ele. E consertou o texto.

"Mesmo com as incontáveis estrelas, galáxias e planetas no Universo. Mesmo com bilhões de pessoas na Terra. Mesmo com milhões de brasileiras com sorrisos bonitos...".

"Ops, melhor mudar esse final. Ela pode achar que eu fico olhando o sorriso das outras e não é verdade", pensou.

"Mesmo com milhões de pessoas no Brasil e as várias alunas da nossa sala, você foi a única que eu gostei de verdade. E eu percebi que, como se você fosse a Terra, a minha vida é como a Lua: orbita ao seu redor".

"Acho que dá pra começar assim, bem direto. Mas ela vai perguntar: 'Por que você se apaixonou por mim com tantas meninas por aí?'. Melhor já responder no texto mesmo".

"Porque só de te ver, as estrelas e planetas que ficavam bagunçados no Universo ficam organizados, como uma grande constelação em uma galáxia".

"Acredito que aqui ela já percebe tudo que eu já fiz de bom. Ela finalmente vai juntar todas as minhas qualidades", imaginou.

"Porque você vai terminar essa carta e entender que em meio a tanta escuridão do espaço, as estrelas continuam se destacando. Porque no final das contas, a nossa turma é o espaço, a sala é a escuridão e você é a estrela que brilha. Digo isso porque meus olhos brilham quando você sorri olhando para mim. Para mostar o quanto eu gosto de você, quero que você fique com a minha nave da Enterprise, meu brinquedo favorito. O problema é que eu esqueci, me lembra de trazer na segunda?".

Depois de finalmente passar a carta a limpo, ele foi entregar.

A sala de aula estava lotada. Mas ele a viu em questão de segundos. Ela o recebeu com um sorriso. Ela pegou o envelope e ao mesmo tempo entregou uma carta. Os dois combinaram de ler ao mesmo tempo. A carta dela era um pouco diferente.

"Você é super legal e inteligente. Sempre vejo você me olhando e fico com vergonha, mas te acho demais. Vamos ver Procurando Nemo juntos?"

E assim, eles sorriram juntos e deram a mão pela primeira vez.

De vez em quando, o complicado se torna muito fácil.
De vez em quando, acontece algo inesperado: o amor descomplica.

domingo, 7 de dezembro de 2014

[Crônica] Reflexão x Reflexo

Era um belo casal. Ela adorava ser avaliada pelas pessoas, era modelo. Ele adorava avaliar a pessoas, era psicólogo. Ambos viviam momentos de dúvidas. Ao olhar em um espelho, as reações eram diferentes. A modelo reagia olhando seu corpo e rosto no reflexo. Como se fosse julgada em uma passarela.

O psicólogo via uma pessoa que tentava procurar a felicidade. Via os erros de um homem imperfeito. Ela vivia para agradar os outros. Não era confiante e nunca ficava satisfeita com sua vida. Ele sabia resolver os problemas dos seus pacientes, mas não sabia qual a sua cor preferida. Sua vida era só acordar, trabalhar e dormir.

Um dia, em uma visita a um parque, chegaram a uma grande sala de espelhos. Acima deles, um questionamento: "Como você se vê?".
Como não sabiam se avaliar, decidiram falar um sobre o outro.

Ele contou os pontos fortes dela: vaidosa e educada, sabia ser uma dama fora de casa, mas sem deixar de ser uma garota divertida. Ela citou a sabedoria dele e disse que tem um ponto que poucas pessoas possuem: sabe ser sincero, mas sem perder a ternura.

Sozinhos eram perdidos na vida. Como um casal, pilares inabaláveis. Cada um pode reagir de uma forma diferente ao olhar em um espelho, mas em alguns casos, a reflexão age melhor do que o reflexo.

sábado, 6 de setembro de 2014

[Crônica] A imaginação de Sofia

Morando em uma favela do Rio de Janeiro, tudo o que uma menina de oito anos podia fazer, enquanto a polícia e os traficantes trocavam tiros, era ficar paralisada de medo.

Sem conseguir sair de casa, a pequena Sofia ficava aflita com os barulhos das armas, gritos e tensão. Quando Marina, a mãe da garota, ouvia os tiros, sua primeira reação era se esconder com a filha.

Enquanto os tiros se intensificavam no morro, Sofia e Marina sentavam dentro do armário, em um outro mundo. Neste, Marina era a rainha do castelo e o barulho dos tiros eram fogos e cornetas, que avisam o povo que a princesa Sofia iria se casar. O príncipe era o boneco Ken, um dos brinquedos preferidos da menina.

A coroa era um cabide retorcido feito por Marina. Segundo a mãe da garota, a viagem para o reino encantado só era possível com muita concentração e se a Sofia fechasse bem os olhos. Neste mundo, a fantasia tornava-se real e a realidade virava ficção.

~

Dizem que as crianças precisam enfrentar a vida com bravura desde pequenos. Mas uma dose de imaginação é saudável para qualquer idade. Fazendo bastante silêncio de olhos bem fechados ou no meio do metrô lotado, a imaginação pode transformar a rotina em risos, o chefe em um Muppet ou um campo de batalha em um reino encantado.

Por mais que várias pessoas possam fazer o seu papel, a imaginação permite a criação de um mundo só seu.

E isso é bem real.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

[Crônica] Comentários durante o filme

Ele acorda, tropeça no chinelo (falei que esse filme era comédia), vai escovar os dentes, aperta o tubo de pasta que já tá dobrada até o final (nossa, faço isso sempre lá em casa), toma café e vai pro trabalho (adoro essa música do U2 da trilha sonora).

Ela reclama do trânsito (que filme ela fez mesmo?), olha o Facebook no celular, sem notificações, buzinas, ele xinga o motorista de trás (tava demorando pra ter palavrão).

Ele chega no trabalho, ela também, pega o elevador, ela fica ao seu lado, (nossa, lembrei, ela fez aquele filme do navio), ele olha pro decote dela e derruba a papelada, ela ajuda a pegar (que filme clichê,  amor.  Falei pra gente ver Transformers), ele olha nos olhos castanhos dela, ela sorri e mostra as covinhas, ele dá risada e o clima de amor acaba logo.

Um terrorista entra no elevador, fala que tem um bomba, eles ficam nervosos, acaba a energia, o elevador para, ela começa a chorar, o terrorista fala que é a bomba é de mentira e que tem medo de escuro, o terrorista abraça ele (cara, onde esse filme vai chegar?).

A polícia antiterrorismo chega, terrorismo no país da Copa não, o farsante se entrega, ele comenta com ela que história engraçada, podemos contar pros nossos filhos, ela diz que filhos nos conhecemos faz 3 minutos, ele diz, mas poderíamos morrer, ela diz você não viu que era de mentira, ela desce no trigésimo segundo andar e passa por uma propaganda da Claro (filme brasileiro sempre tem que ter propaganda).

Final do expediente, ele entra no elevador, ela também, entra outro terrorista, ele fala que tem uma bomba, ele fala que já ouviu essa história antes, ele dá um soco nele, ele cai, a bomba explode (caraca, eles morreram?), muita fumaça, a fumaça se dissipa, todos estão bem, tem um campo de força ao redor (quanta maconha esse diretor fumou?), ela tem poderes, (nossa, filme brasileiro com efeitos especiais?), ela fala pra não contar pra ninguém.

Ele vai pra casa, ela é sua vizinha agora, ele entregar flores de agradecimento, (por que você não me entrega flores?), (Shhh presta atenção), ela diz que sempre reparou nele no trabalho, ele diz que nunca viu e ela fecha a porta.

No dia seguinte um portal alienígena se abre no meio da cidade e começa uma invasão, (viu amor, você não queria ver Transformers?), muitas mortes, quase que ele morre, ela o salva, ela salva a cidade com seus poderes mutantes.

Ela ganha a chave da cidade, o vilão se livra das algemas, rouba a arma do policial, o vilão atira, bala em câmera lenta (ela NÃO PODE morrer!), ele se joga na frente dela, parece que a bala o atingiu (você se jogaria por mim, amor?), (Silêncio mulher, melhor parte!), ela diz que não é possível, ele diz que só está retribuindo o favor e sendo gentil, ela diz que o ama, ele diz mas nos conhecemos na semana passada, ela ri, eles se beijam.

Os cidadãos aplaudem, câmera sobe para o horizonte, aparece um último alienígena, ele dá uma risadinha e escreve continua, (a gente precisa assistir a continuação!), créditos (calma, a Marvel me ensinou a esperar o último nome), não acontece nada.

sábado, 14 de junho de 2014

[Crônica] Tudo o que a Itália tirou

O que era uma carreira promissora para ela logo tornou-se uma tormenta para ele. O que as viagens afastavam, as voltas atraiam de volta com toda a força da gravidade.

Quando ela ia, ele aguardava. Quando ele esperava e escrevia inspirado, ela buscava a volta. Quanto mais sucesso, fruto do verdadeiro talento artistico dela, mais longe eles ficavam.

O que começou com uma boba peça de teatro virou uma fonte de renda. As viagens ficaram cada vez mais frequentes e eles já mal se falavam. Uma volta pra casa por três dias já era suficiente para esperar por mais alguns meses. Até que a Itália entrou na vida deles.

Uma viagem de rotina para conhecer uma companhia de teatro, logo tornou-se um convite e a Itália virou um novo personagem. No último encontro, eles não sabiam que seria o último. Entre as últimas palavras, um enganador "a gente se fala". E assim, a gravidade que unia os dois começou a se desfazer. Aos poucos, tudo diminuiu até o fim e assim mesmo, sem acabar, acabou.

Para ele, buscar outra ela seria a solução. Enquanto isso, ela chorava e estudava na Itália. Ele sabia que não acharia outra ela, por isso tentava achar o que não existia nas outras, um alguém parecido com ela. Mas também não encontrou. E assim, seus interesses mudaram e eles não conversaram mais.

O que a Itália tomou, jamais voltará a ser do jeito que era. Mesmo com uma possível volta, afinal os dois eram só jovens sonhadores. Hoje, ele aprende todos os dias com os erros e não espera mais. Deixou de fazer comparações. Percebeu que jamais vai encontrar ela nas outras e que é arrogante esperar algo que não existe de uma pessoa. Afinal, a nova ela também pode ter passado pelos mesmos caminhos.

Assim, ela deixou de ser uma referência. Um bom tempo se passou e finalmente ele se encontrou. O ideal "ela" sumiu da sua cabeça. Agora, ele procura alguém que apenas tenha um gosto parecido com o dele. Ela já deixou de ser a perfeição. A Itália já não o irrita mais.

A forma que amadureceu no tempo com ela foi suficiente para uma vida inteira. Investindo nos erros que possam virar acertos um dia, hoje ele tem certeza que não vai encontrar tudo o que a Itália tirou.

Agora, ele procura por tudo o que o novo tem a oferecer.
Isso sim é algo digno de espera.

sábado, 10 de maio de 2014

[Série: Versos de Ciência] Lucas, um telescópio e a imensidão

Quando criança, Lucas sentia-se pequeno. Os outros alunos da sua classe sempre foram maiores que ele. Seu pai sempre dizia que com o tempo ele cresceria e perceberia que esse seria o menor dos problemas que ele encontraria na vida. O menor. Até na lição de moral, os sinônimos de pequeno apareciam.

Quando jogava vídeo game, escolhia o Mario, menor que o Luigi. Quando jogava futebol e queria ser goleiro foi aconselhado a não ficar na posição, afinal era só chutar alto que era gol.

Era besteira para os outros, mas um problema pequeno não deixa de ser um problema. Para resolver isso, o pai de Lucas comprou um tênis com a sola maior. Não ajudou muita coisa, mas deixou o garoto com um sorriso no rosto.

Depois falaram pra ele pular corda, porque dizem que a prática faz a pessoa crescer. Após três dias de dores nas pernas, Lucas abandonou a corda: ela era muito curta e batia na canela dele.

A altura, porém não media quanto o garoto queria crescer e ver o mundo. Crescer no sentido de amadurecer e de centímetros também.

Na adolescência, conheceu enfim uma garota do seu tamanho. Após um tempo foi rejeitado, pois a menina era louca por salto alto... que azar.

Triste com o fim do seu relacionamento e com aquele pequeno probleminha de infância que não passava, Lucas passou a ficar preso no seu quarto. Os pais acharam que o menino estava com depressão. A mãe afirmou que sabe exatamente o que o filho precisa para deixar de sentir-se pequeno de uma vez por todas.

Ela saiu de casa e voltou algumas horas depois com uma embalagem gigantesca. Bateu na porta do quarto de Lucas, que logo atendeu.

Surpreso pelo presente repentino, desembrulhou e viu um telescópio. Perguntou para a mãe como isso ajudaria a resolver seu problema. E ela respondeu: "Aponte pro céu, tente contar as estrelas e você vai entender".

Ele instalou o telescópio, apontou para o céu e aos poucos começou a entender. Passou a madrugada inteira olhando as crateras da Lua, os satélites de Vênus e os anéis de Saturno.

Lucas entendeu que não tem como contar as estrelas, não tem como observar extraterrestres na Lua e que não tem como medir a distância até Marte.

Comparados com a imensidão do Universo, Lucas entendeu que todos somos iguais e que não são alguns centímetros de altura que vão fazer a diferença neste mundo. E então ele entendeu tudo. Ninguém pode falar que você é pequeno.

Lucas é pequeno. Os adultos, o tênis, o salto alto da menina, os prédios, a Terra e a nossa galáxia são pequenos perto de tudo que acontece ao nosso redor. 

Só em ter a oportunidade de fazer parte de todo o acontecimento ao nosso redor já é gratificante. É assustador a primeira vez que percebemos a dimensão do Universo.

Lucas guardou o telescópio e foi dormir.

Naquele momento, ninguém era maior que ele.
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Crônica baseada nos versos da música Telescope do Cage The Elephant.

domingo, 19 de janeiro de 2014

[Série: Versos de Ciência] A Lua acaba de entrar de férias


Não tem ninguém pra conversar e você está na rua esperando alguma coisa. De noite. A Lua está lá, brilhando no céu limpo. É bonito, vai? Admite, não tem ninguém olhando.

A Lua sempre está lá. Brilhante, estranha, com nuvens ao seu redor, esplêndida, consegue até mandar no mar.

Sempre em momentos de decepção ou felicidade, é a primeira a escutar as novidades dos melancólicos ou dos apaixonados.

Ela escuta lamentações, recebe pedidos para reatar casais e até escuta perguntas do tipo 'será que tem mais gente olhando pra ela agora?'

Mas a maior polêmica em torno dela, é aquela do homem na Lua. Vocês acham MESMO que o homem ainda não foi pra Lua? Eles até deixaram uns retrofletores, um tipo de espelhinho que dá para refletir um laser pra Terra, sabia? Sério, vi no Wikipédia.

Ela desperta curiosidade no astrônomo e até dá uns pitacos no ramo da astrologia. Sim, a astrologia, aquela pseudociência que só trabalha na base da hipótese. Bom... isso parece também com ciência, mas deixa pra lá.

Porém, a Lua acaba de admitir que está cansada. Ela já não aguenta mais sair em fotografias e se sente pequena ao sair na foto. Coisa de satélites naturais tímidos. Outra coisa que poucos sabem, é a sua principal profissão: psicóloga.

O que ela escuta de apaixonados convictos, indecisos e tímidos, não é brincadeira. Ela não vai responder, galera apaixonada. Só aproveita pra curtir aquela fase da Lua cheia e usa a beleza pra se inspirar, escrever e falar umas palavras bonitas pra aquela querida.

Ah, a Lua não gira viu? Ou não existiria todo aquele papo de lado oculto que os Transformers e o Capital Inicial tanto falam.

Também, afirmo aqui, que não existe a teoria do Adão e Eva, nem do Big Bang. A Lua é o começo e o fim de tudo. Explico.

Começa no fim. A Lua gira em torno da Terra, que gira em torno do Sol, que está na Via Láctea, que está seguindo pro Grande Atrator de Virgo. Que com certeza possui outras galáxias indo pra lá, que possuem um outro tipo de Sol, que possui outros planetas, que tem um satélite natural orbitado em volta deles, outro tipo de Lua. Acaba no começo.

Viu? Não é difícil. A Lua que brilha pra você, é do mesmo tipo que brilha pra aquele pequeno ser extraterrestre sentado na janela no outro lado do universo. Ou você pensa que estamos sozinhos? Afinal, Carl Sagan já dizia: "O que é mais assustador? A ideia de extraterrestres em mundos estranhos, ou a ideia de que, em todo este imenso universo, nós estamos sozinhos?" Bizarro pensar nisso.

Então, na próxima vez que olhar o brilho da Lua, tão sozinha e elegante, valorize aquela pequena solitária. Ela já não é humilhada o suficiente com aquela música do Exaltasamba? Tá dizendo que o brilho dela não se compara ao seu? Quem diria, um dia ser comparada a uma mera humana...

Além de ter várias profissões, ser criadora do Universo, psicóloga dos apaixonados, objeto de estudo dos cientistas, usada para falar o "futuro" dos pobres humanos e o seu horóscopo, ela ainda tem que ser tão lembrada nas músicas? Se ao menos fossem boas...

Porque se ela já tem tanta coisa para comandar, ela não vai iluminar os pensamentos dela, ouviu Katinguelê?

Por isso, a Lua afirma que acaba de entrar de férias. No lugar dela, um globo de iluminação dos anos 70 vai deixar as cidades do mundo com um clima mais Dancing Queen.

E no lugar de iluminar a noite, o globo vai colocar luzes estilo balada dos anos 70/80 e tocar Girls Just Wanna Have Fun a noite inteira em um volume confortável.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

[Crônica] A história do homem mais comum do mundo

Fernando era considerado o cara mais comum e azarado do mundo. E assim, desafiou Deus a ter um dia diferente.

Ia para a igreja no domingo, assistia o jogo na quarta a noite, ia no cinema de quarta porque era mais barato. Naquela rotina que não mudava há anos, Fernando se acostumou a ver as coisas acontecendo ao seu redor, mas nunca acreditava ser diferente o suficiente para ganhar alguma coisa.

No final do período de trabalho, ele então chegou em casa e atendeu o telefone da sua mãe:

- E aí filho, vai apostar na Mega da Virada?

- Acho que não, você já viu quais são as chances? Ainda mais pra mim, que tenho o azar de nunca ter sorte.

- Tenta rezar, pede pra Deus, tenta alguma coisa - respondeu a mãe.

- E você acha que Deus vai ter tempo pra mim depois daquele terremoto nas Filipinas? Eu desafio aquele cara conseguir colocar um pouco de sorte na minha vida.

Ouvindo aquilo, Deus assumiu como um desafio. Quando Fernando acordasse, tudo seria diferente.

Dia seguinte, ao colocar o uniforme do trabalho, encontrou uma nota de R$ 5,00 no bolso. Nada demais, pensou.

No caminho do trabalho, percebeu uma mulher que não parava de encará-lo no metrô. Ela disse oi, mas ignorou a moça por imaginar que deveria ser conversa de crente. Esta seria sua futura namorada.

No caminho do trabalho, olhou para a lotérica e colocou a mão no bolso. Lembrou dos R$ 5,00 no bolso. Decidiu não apostar, a fila devia estar muito grande mesmo. Não tinha ninguém na fila e este seria o bilhete premiado.

No trabalho, apareceu um grande problema no trabalho, faltando alguns minutos para o fim do expediente. Secretamente, seus chefes estavam testando se ele era profissional o suficiente para fazer o melhor para a empresa, mesmo com o seu horário de trabalho no final. Ele deixou um e-mail para o próximo funcionário e foi pra casa. Essa seria sua oportunidade para tornar-se gerente da empresa.

No caminho de casa, lembrou mais uma vez dos R$ 5,00. Comprou uma cerveja e um barbeador.

De vez em quando, tudo está na sua frente, mas ao invés de se entregar e apostar em uma novidade, é muito mais fácil se esconder dentro da sua rotina. Clichê, mas quem forma a sorte é a sua atitude. Pelo menos, Fernando terminou o dia com a barba bem feita e assistiu o jogo do Corinthians, que empatou, é claro.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

[Crônica] A menina que fugiu do amor

Camila estava no mesmo ônibus de todo dia. A rotina era a mesma, as mesmas pessoas, o mesmo caminho... até a chegada de um homem que mudou tudo com um amor à primeira vista. Quando ela o via o mundo parava ao seu redor e nada mais fazia sentido, simplesmente sem explicação. Todo dia, Camila aguardava ansiosa a chegada do tal cara no ônibus. Realmente, era uma pessoa que chamava a atenção. A cada dia, ela tentava se aproximar, não conseguia.

Até que um dia, Camila foi surpreendida. Ele a encarou e disse que era demais para ela. Mandou a garota assustada parar de encará-lo e que já estava ficando de saco cheio com essa perseguição (que nada mais eram do que olhares a cada 30 segundos até o ponto final).

E assim, Camila se decepcionou pela primeira e última vez. A decepção foi tanta que ela desceu do ônibus e começou a chorar.

Ela tinha medo de olhar pra trás e ter que encarar mais uma vez aquele homem sem alma. Ela simplesmente queria tirar aquele sentimento ruim do seu pobre coração partido, mas a tristeza parecia não passar. Decidiu não pensar em mais nada. E assim, Camila começou a correr. E nunca mais parou.

Camila começou a atravessar ruas, bairros e cidades. Sua história começou a ser reconhecida e logo a mídia contou a sua história. "A garota que não se cansa", "A menina que foge do amor", eram as manchetes.

Grupos começaram a seguir Camila para saber de onde vem tanta motivação e sites acompanhavam o caminho da jovem para saber se a jovem estava passando pela sua rua. Virou celebridade instantânea.

Como o ritmo da corrida era rápido, era praticamente impossível fazer uma entrevista com Camila. Até a Oprah viajou para tentar fazer uma entrevista, mas não conseguiu fazer as perguntas, sem fôlego.

Tentaram chamar maratonistas para entrevistá-la, mas eles só perguntavam se isso valia vaga nas Olimpíadas e logo desistiam.

Camila se tornou uma lenda e correu por muitos dias. Até que tempos depois, um homem começou a correr no ritmo de Camila e conseguiu puxar um assunto. Eles conversaram e correram por horas.

E assim Camila sorriu, depois de muito tempo. Começou a diminuir o ritmo. Começou a andar e logo parou.

Todos ficaram curiosos, "O que será que este homem fez Camila para de correr?". Quando eles pararam, começou a entrevista mais aguardada das últimas semanas.

"Camila, você era inspiração de muitos jovens, o que este homem disse para você finalmente parar de correr?", perguntou uma repórter.

"Não foi nada demais, acho que a desilusão passou. Finalmente conheci um homem que disse que me entende e que consegue seguir o meu ritmo. Ele disse que fugir não era a coisa certa e que se preciso, me acompanharia o resto da vida. Ele então me perguntou: 'que tal tentarmos fazer isso funcionar um pouco mais devagar?'. E então eu aceitei".

E assim, todos foram embora, já que os motivos para a mídia seguir o caso já tinham acabado. Assim, Camila amou e foi amada de verdade pela primeira vez. E nunca mais parou.

O amor tem dessas, quando você se decepciona, a vontade é de sumir até tudo passar. Mas quando alguém entra no seu ritmo, não há desilusão que tire a felicidade de amar de novo.

Desta vez, pra sempre.

sábado, 12 de janeiro de 2013

[Crônica] A Feira de Profissões

Lá estava o garoto cheio de dúvidas para decidir qual seria a profissão que vai seguir.

Ele poderia ser dentista como o pai. Ou professor como a mãe.

A cada pessoa que ele pedia uma opinião, respondia: o que você mais gosta de fazer?

Resposta? Muita coisa!

Para sanar essa dúvida de uma vez, o garoto foi até uma daquelas feiras de profissões.

Cada profissão tinha um representante da função, que explicava e tentava te trazer para a respectiva carreira.

Até que um homem subiu em um palco e começou a falar em um microfone:

Você gosta de sorrisos? De ver as pessoas alegres mostrando os lindos dentes? Faça odonto, meu caro!

Outro homem tomou o microfone.

Que nada! Você gosta de construir coisas? Você pode construir sonhos de alturas inigualáveis! Você não sonha em chegar no céu? Seja um arquiteto!

Outro:

Pfff besteira! Você quer ser jornalista? Você pode criar opiniões e definir um novo estilo para uma sociedade a partir do seu ponto de vista.

Mais um:

Ahhh mas o que é isso? Você precisa ser fotografo! Clicar, guardar e tocar pra sempre naquele seu dia especial. Quer mais do que isso?

Escutando isso tudo, um velho com roupas sujas, que já até perdeu a conta da sua idade, pegou o microfone e disse:

Dentista? O sorriso é muito mais do que dentes. É um estado de espírito. Um sorriso verdadeiro vai além do que seus dentes podem mostrar. É a felicidade transcendendo você.

Arquiteto? Construir sonhos vai muito além de construir gigantes castelos. Construir um sonho é acordar no dia seguinte com vontade de ter sucesso. De chegar onde você sempre quis.

Jornalista? Você não cria opiniões. Você mostra o seu lado. Você não decide pelo outro, você dá uma sugestão. Não cabe a você decidir o que as pessoas fazem ou devem fazer.

Fotografo? Você não precisa tocar naquela memória especial. Porque ao invés de ficar mexendo na câmera fotográfica, você não aproveita o seu dia especial? A memória é o melhor álbum de fotos que o ser humano pode ter.

Até que o menino incrédulo com tudo aquilo que o velho disse, perguntou:

Mas, velho! Qual é a sua profissão afinal? Onde você aprendeu isso tudo?

E ele respondeu.

Minha profissão? Todas. Moro na rua. Não tenho dentes, mas sei sorrir. Nunca tive casa, mas vivo em todo lugar. Não tenho máquina fotográfica e menos ainda alguém já ligou pra minha opinião. Mas ainda sei sonhar. E é isso que importa.

Todos no recinto aplaudiram o velho. Inclusive o menino. Não, ele não quer ser um mendigo. Ele pode seguir em dúvida. Mas, ele sabe que nunca vai parar de sonhar.

sábado, 22 de dezembro de 2012

[Crônica] Roteiro de uma Vida Regrada

Nascemos. Seguindo a ordem da vida uma nova sequência começa. Chegou a vez da nova geração, que não quer ser somente uma vírgula. A educação e a procura da perfeição já começam a aparecer desde cedo. Os brinquedos devem ficar alinhados e aprenda a não pisar com os pés sujos no tapete novo... quero dizer... pise sim! Esse é o melhor momento da sua vida. Você sentirá falta, aproveite os seus brinquedos e corra pela grama (pode parecer idiota, mas sentimos falta da grama quando crescemos)... Sua família formará a base que vai te sustentar pelo resto da vida, e é com ela que você vai contar nos momentos difíceis. Não os desaponte.

As brincadeiras vão mudando...Você vai mudando. Chegou a vez da adolescência. Preste bem atenção no que eu vou escrever. Vai doer saber disso, mas um dia você vai se machucar. Não daquele jeito do Merthiolate no joelho. A adolescência é cruel, impactante e impressionante. O amor te levará as nuvens e te derrubara em um piscar de olhos. Essa oscilação entre tesão e decepção, não vai passar tão rápido. Mas fique tranquila, um sábio chamado Tempo vai te curar. Mas a vida não é apenas um muro de lamentações. As primeiras sensações da adolescência vão ficando para trás, assim como a inocência. Chegou a hora de viver a vida como um adulto. Um adulto chato. Não podemos fazer o que bem entendermos, porém se perdemos a inocência, ganhamos a liberdade.

Eu sei, é uma troca injusta e inevitável. As responsabilidades batem a porta e é através da porta que você vai viver sua vida. Na rua. Porque é na rua que trabalhamos e conhecemos pessoas novas. Falando em pessoas, algumas vão te surpreender. Aqui, você vai decidir quais pessoas que vão seguir contigo até o final com você. Ninguém disse que era fácil, mas ninguém disse que seria tão difícil. Pessoas passarão rápido pela sua vida, mas se você não tentar e se aventurar, você nunca vai saber e a vida passará em sua frente enquanto você entrega aquela papelada pro seu chefe do escritório.

 Voltamos ao amor, o que dizem ser, o combustível da vida. Aqui você vai conhecer a mulher da sua vida. Ela não vai ser perfeita para todos ,mas se você reconhecer que ela é perfeita para você já basta. É com ela que você vai passar os melhores momentos da sua vida, então escolha bem, sem pressa. Eu sei que coisas boas estão vindo em nossas direções.  

Chegou a hora de você criar a sua família. Em um ato de união em que duas pessoas brincam de Criador e formam a coisa mais bonita da vida com o prazer na sua mais pura essência. Ou em outras palavras...sexo. 

Você é o pai agora, vai ser fácil, aja como os seus pais e vai se dar bem. Um dia ele cuidará de você, eduque-o com carinho. Você vai ensiná-lo tudo o que aprendeu em vida. Ensine-o a ser gentil com as mulheres e a não ter inimigos.  
A vida te trás bons momentos, mas rouba alguns outros. Você perde, mas também ganha. 

O tempo passa. Seu filho cresce, você amadurece. Chegou a hora da vida em seu capítulo final. Seja cortês com sua idade e deixe que os anos passem gentilmente.  

Você não tem mais a vitalidade daquele garoto que corre pela grama, mas ele nunca te abandonou. Aproveite e viaje pelo mundo, conheça lugares que você nunca conheceu. A vida pode ser injusta. Na infância temos vitalidade, tempo, mas não temos dinheiro. Adulto você tem dinheiro, vitalidade e não tem tempo. Idoso você tem pouco dinheiro, tem pouco tempo e pouca vitalidade. Apenas seja paciente e não se preocupe. 

Pessoas vêm e vão tão rápido que você mal terá tempo de parar para pensar. Os corpos vão para o cemitério, mas a alma de cada pessoa que você tocou, fica junto com você pra sempre.
Junte todos aqueles que você tem afeição e diga tudo o que tem a dizer. Se você não compartilhar agora tudo o que precisa, será deixado pra trás. Sente-se em um lugar confortável, escute a sua música favorita. Ouça a trilha sonora da sua vida. Enfim, entregue-se e feche os olhos. (Nota: aí vem uma grande dose de exagero e fantasia. Quem não gosta de explicações em excesso?)

Sinta a brisa soprar o seu rosto. Brisa que absorve sua alma, e como cinzas é soprada. Como seu ultimo ato toca o céu. Ahh, o velho exagero de um escritor. Somos todos estrelas vigiando nossas crias.  (Sim, eu gosto de Rei Leão).

Somente o que fica, são as lembranças que deixou no coração de cada pessoa que você tocou. A vida em si é feita para deixarmos lembranças. Vivemos para não sermos esquecidos.

Vida clichê, não é? A maior parte da população segue esse roteiro, já sabendo o que acontecerá amanhã. O bom da vida é improvisar, é imprevisível!

Afinal, a vida é igual àquele filme. Basta você escolher: você quer ser coadjuvante ou a estrela?

Pessoas movem-se o tempo todo, dentro de uma linha reta. Você não quer simplesmente curvar para fora?

Fábio Moura Lira Rossini. (Só um pequeno estudante de Jornalismo. Por enquanto.)

(10/06/2012)