Na distância de uma sala, ele encarava a garota
Os dez passos entre eles ficavam do tamanho do universo
Enquanto imaginava uma aproximação
Pessoas desinteressantes formavam uma barreira.
Ele decidiu tomar a iniciativa e pediu licença
Decidiu de chegar mais perto
Tropeçou no pé da mesa e bateu o rosto direto na quina
Por sorte, ela é enfermeira.
De vez em quando, o acaso pode ter o mesmo efeito de um buraco negro
A mesma gravidade que o abraça para a morte iminente na aproximação
Pode acelerar na distância necessária e te dar uma nova chance.
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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017
terça-feira, 16 de fevereiro de 2016
[Série: Versos de Ciência] A gravidade voluntária
E se a gravidade fosse voluntária?
Assim como quando lembramos que precisamos respirar.
Ou quando percebemos como é estranho forçar algo simples como uma piscada.
Quando esquecemos de ficar no modo automático, tudo fica mais real.
Quando tiramos o fone com a música alta e reparamos no barulho do tênis tocando o chão.
Quando lembramos como é relaxante sair de casa de chinelos e bermuda.
Como quando lembramos de finalmente resolver algo simples.
Como lembrar de pegar a tampa da caneta da sala que ficou na gaveta do seu trabalho.
E se esquecêssemos como a gravidade funciona?
Se fosse apenas uma questão de entendimento geral, uma regra.
A negação da gravidade acabaria com o sentido de peso.
E criaria um mundo onde balões de hélio flutuariam normalmente ao lado das rochas.
Onde a altura é mera questão de alcance.
E sonhar alto é só questão de esperança.
Como se jogar no chão e errar era voar para Adams.
Saltar pode ser um empurrão para o infinito.
domingo, 5 de abril de 2015
[Série: Versos de Ciências] O princípio da incerteza
Certas coisas simplesmente acontecem sem consequências. São momentos vividos, sentidos e que precisamos fingir que não existem. São lembrados, mas ninguém sabe. Assim como o tempo "ignorado" antes do Big Bang. Nada antes da grande expansão teria resultado diferente.
Tudo o que existiu não importava mais. Tudo se modificaria, mas chegaria novamente ao mesmo final, teria a mesma forma de milésimos antes do Big Bang. O agora se passa antes ou depois da grande virada? O presente é uma recordação válida ou tudo será esquecido?
Não sei qual a consequência. Não sei se caminhamos para o mesmo destino. É impossível perceber se um momento se apresenta como lembrança ou se caminha para o esquecimento.
Como a mecânica quântica, prevemos quase tudo que se observa a nossa volta, tentando criar uma boa lembrança mesmo antes de sair de casa. Certas pessoas evitam prever. Preferem seguir em frente, na busca de encontrar alguma coisa que faça sentido.
É difícil saber que uma pessoa prefere procurar pela última peça de um quebra-cabeça de joelhos, ao invés de levantar e ter uma visão geral da sala.
Cada um procura em seu tempo, cada um pode ter sua própria maneira de criar lembranças. Algumas pessoas arquitetam o dia seguinte no travesseiro e outras simplesmente se desligam até dormir.
Sempre há o risco de perder uma oportunidade, pois é complicado saber o momento exato de tomar partido. Werner Heisenberg aprendeu a calcular mesmo sem determinar com precisão.
Mesmo sem garantias, os humanos sempre se apoiaram uns nos outros para achar vida. É como descobrir com o parceiro que é possível aprender em conjunto, um ensinando o outro.
Errando e acertando dentro dos limites estabelecidos pelo princípio da incerteza.
Tudo o que existiu não importava mais. Tudo se modificaria, mas chegaria novamente ao mesmo final, teria a mesma forma de milésimos antes do Big Bang. O agora se passa antes ou depois da grande virada? O presente é uma recordação válida ou tudo será esquecido?
Não sei qual a consequência. Não sei se caminhamos para o mesmo destino. É impossível perceber se um momento se apresenta como lembrança ou se caminha para o esquecimento.
Como a mecânica quântica, prevemos quase tudo que se observa a nossa volta, tentando criar uma boa lembrança mesmo antes de sair de casa. Certas pessoas evitam prever. Preferem seguir em frente, na busca de encontrar alguma coisa que faça sentido.
É difícil saber que uma pessoa prefere procurar pela última peça de um quebra-cabeça de joelhos, ao invés de levantar e ter uma visão geral da sala.
Cada um procura em seu tempo, cada um pode ter sua própria maneira de criar lembranças. Algumas pessoas arquitetam o dia seguinte no travesseiro e outras simplesmente se desligam até dormir.
Sempre há o risco de perder uma oportunidade, pois é complicado saber o momento exato de tomar partido. Werner Heisenberg aprendeu a calcular mesmo sem determinar com precisão.
Mesmo sem garantias, os humanos sempre se apoiaram uns nos outros para achar vida. É como descobrir com o parceiro que é possível aprender em conjunto, um ensinando o outro.
Errando e acertando dentro dos limites estabelecidos pelo princípio da incerteza.
domingo, 22 de março de 2015
[Série: Versos de Ciências] O romance espaço-tempo
Ela queria espaço. Ele queria tempo.
O tempo era quase imperceptível para ele e lento para ela. O espaço era uma imensidão para ela e pequeno para ele.
Diziam que eram inalterados. Tudo mudava, menos o tempo e o espaço.
Aristóteles dizia que eles só se movimentavam quando guiados por algum impulso.
Enquanto ela seguia o pensamento aristotélico de guiar a vida sem comprovações, ele era o Galileu que subia na Torre de Pisa para jogar os pesos. Ela aceitava a felicidade teórica e ele queria mostrar na prática que tentava achar o certo.
Ele dizia que tudo estava mudando. Ela dizia que não sentia o mesmo. Eles se atraíam, mas ela fingia uma outra rotação.
Ela queria distância. Ele se defendia com a lei da gravidade de Newton dizendo que quanto mais afastados, menor será a força da atração.
Ela dizia que ele deveria respeitar a visão dos outros. Se defendia com o exemplo do trem em movimento. A opinião pode ou não estar a seu favor. Tudo depende, assim como o trem pode estar parado e a Terra em movimento.
Ele disse que o relacionamento deles era como olhar para as estrelas com um telescópio. Com a distância, tudo que olhamos já não está igual, aconteceu e virou passado.
Era natural pensar que seria assim para sempre, mas durou pouco.
Eles mostraram que não era possível ter uma posição absoluta, era preciso ceder.
Ela ganhou espaço.
Ele ganhou tempo.
Ela em seu espaço se moveu, mas se sentiu sozinha. Afetou a curva do espaço e do tempo.
Ele em seu tempo esperou, mas demorou demais. Afetou e foi afetado por tudo.
Assim como não é possível explicar o universo sem noções do espaço-tempo, torna-se sem sentido falar dele, sem lembrar a história dela.
Juntos, na relatividade geral, eles contaram uma história de amor universal.
O tempo era quase imperceptível para ele e lento para ela. O espaço era uma imensidão para ela e pequeno para ele.
Diziam que eram inalterados. Tudo mudava, menos o tempo e o espaço.
Aristóteles dizia que eles só se movimentavam quando guiados por algum impulso.
Enquanto ela seguia o pensamento aristotélico de guiar a vida sem comprovações, ele era o Galileu que subia na Torre de Pisa para jogar os pesos. Ela aceitava a felicidade teórica e ele queria mostrar na prática que tentava achar o certo.
Ele dizia que tudo estava mudando. Ela dizia que não sentia o mesmo. Eles se atraíam, mas ela fingia uma outra rotação.
Ela queria distância. Ele se defendia com a lei da gravidade de Newton dizendo que quanto mais afastados, menor será a força da atração.
Ela dizia que ele deveria respeitar a visão dos outros. Se defendia com o exemplo do trem em movimento. A opinião pode ou não estar a seu favor. Tudo depende, assim como o trem pode estar parado e a Terra em movimento.
Ele disse que o relacionamento deles era como olhar para as estrelas com um telescópio. Com a distância, tudo que olhamos já não está igual, aconteceu e virou passado.
Era natural pensar que seria assim para sempre, mas durou pouco.
Eles mostraram que não era possível ter uma posição absoluta, era preciso ceder.
Ela ganhou espaço.
Ele ganhou tempo.
Ela em seu espaço se moveu, mas se sentiu sozinha. Afetou a curva do espaço e do tempo.
Ele em seu tempo esperou, mas demorou demais. Afetou e foi afetado por tudo.
Assim como não é possível explicar o universo sem noções do espaço-tempo, torna-se sem sentido falar dele, sem lembrar a história dela.
Juntos, na relatividade geral, eles contaram uma história de amor universal.
domingo, 25 de janeiro de 2015
[Série: Versos de Ciência] Descomplica
Era dia dos namorados. A tarefa do dia na escola era fazer uma carta contando as coias boas de algum colega. Ele sabia muito bem para quem escrever. Ela sempre o deixava feliz. Ele decidiu que esta seria a oportunidade perfeita de contar para ela como se sente.
Ele pensou em temas que fariam sentido para o texto. "Futebol, não. Internet, não. Espaço... espaço? Hum, pode ser. Tem todo o lance da imensidão, tudo muito profundo". E começou a carta:
"Mesmo com bilhões de estrelas..."
"Bilhões? Tem muito mais estrelas do que bilhões". Ele lembrou de um vídeo com um cientista que dizia: "Existem mais estrelas no Universo do que grãos de areia na Terra".
"Bom, definitivamente são bem mais que bilhões", disse ele. E consertou o texto.
"Mesmo com as incontáveis estrelas, galáxias e planetas no Universo. Mesmo com bilhões de pessoas na Terra. Mesmo com milhões de brasileiras com sorrisos bonitos...".
"Ops, melhor mudar esse final. Ela pode achar que eu fico olhando o sorriso das outras e não é verdade", pensou.
"Mesmo com milhões de pessoas no Brasil e as várias alunas da nossa sala, você foi a única que eu gostei de verdade. E eu percebi que, como se você fosse a Terra, a minha vida é como a Lua: orbita ao seu redor".
"Acho que dá pra começar assim, bem direto. Mas ela vai perguntar: 'Por que você se apaixonou por mim com tantas meninas por aí?'. Melhor já responder no texto mesmo".
"Porque só de te ver, as estrelas e planetas que ficavam bagunçados no Universo ficam organizados, como uma grande constelação em uma galáxia".
"Acredito que aqui ela já percebe tudo que eu já fiz de bom. Ela finalmente vai juntar todas as minhas qualidades", imaginou.
"Porque você vai terminar essa carta e entender que em meio a tanta escuridão do espaço, as estrelas continuam se destacando. Porque no final das contas, a nossa turma é o espaço, a sala é a escuridão e você é a estrela que brilha. Digo isso porque meus olhos brilham quando você sorri olhando para mim. Para mostar o quanto eu gosto de você, quero que você fique com a minha nave da Enterprise, meu brinquedo favorito. O problema é que eu esqueci, me lembra de trazer na segunda?".
Depois de finalmente passar a carta a limpo, ele foi entregar.
A sala de aula estava lotada. Mas ele a viu em questão de segundos. Ela o recebeu com um sorriso. Ela pegou o envelope e ao mesmo tempo entregou uma carta. Os dois combinaram de ler ao mesmo tempo. A carta dela era um pouco diferente.
"Você é super legal e inteligente. Sempre vejo você me olhando e fico com vergonha, mas te acho demais. Vamos ver Procurando Nemo juntos?"
E assim, eles sorriram juntos e deram a mão pela primeira vez.
De vez em quando, o complicado se torna muito fácil.
De vez em quando, acontece algo inesperado: o amor descomplica.
Ele pensou em temas que fariam sentido para o texto. "Futebol, não. Internet, não. Espaço... espaço? Hum, pode ser. Tem todo o lance da imensidão, tudo muito profundo". E começou a carta:
"Mesmo com bilhões de estrelas..."
"Bilhões? Tem muito mais estrelas do que bilhões". Ele lembrou de um vídeo com um cientista que dizia: "Existem mais estrelas no Universo do que grãos de areia na Terra".
"Bom, definitivamente são bem mais que bilhões", disse ele. E consertou o texto.
"Mesmo com as incontáveis estrelas, galáxias e planetas no Universo. Mesmo com bilhões de pessoas na Terra. Mesmo com milhões de brasileiras com sorrisos bonitos...".
"Ops, melhor mudar esse final. Ela pode achar que eu fico olhando o sorriso das outras e não é verdade", pensou.
"Mesmo com milhões de pessoas no Brasil e as várias alunas da nossa sala, você foi a única que eu gostei de verdade. E eu percebi que, como se você fosse a Terra, a minha vida é como a Lua: orbita ao seu redor".
"Acho que dá pra começar assim, bem direto. Mas ela vai perguntar: 'Por que você se apaixonou por mim com tantas meninas por aí?'. Melhor já responder no texto mesmo".
"Porque só de te ver, as estrelas e planetas que ficavam bagunçados no Universo ficam organizados, como uma grande constelação em uma galáxia".
"Acredito que aqui ela já percebe tudo que eu já fiz de bom. Ela finalmente vai juntar todas as minhas qualidades", imaginou.
"Porque você vai terminar essa carta e entender que em meio a tanta escuridão do espaço, as estrelas continuam se destacando. Porque no final das contas, a nossa turma é o espaço, a sala é a escuridão e você é a estrela que brilha. Digo isso porque meus olhos brilham quando você sorri olhando para mim. Para mostar o quanto eu gosto de você, quero que você fique com a minha nave da Enterprise, meu brinquedo favorito. O problema é que eu esqueci, me lembra de trazer na segunda?".
Depois de finalmente passar a carta a limpo, ele foi entregar.
A sala de aula estava lotada. Mas ele a viu em questão de segundos. Ela o recebeu com um sorriso. Ela pegou o envelope e ao mesmo tempo entregou uma carta. Os dois combinaram de ler ao mesmo tempo. A carta dela era um pouco diferente.
"Você é super legal e inteligente. Sempre vejo você me olhando e fico com vergonha, mas te acho demais. Vamos ver Procurando Nemo juntos?"
E assim, eles sorriram juntos e deram a mão pela primeira vez.
De vez em quando, o complicado se torna muito fácil.
De vez em quando, acontece algo inesperado: o amor descomplica.
sábado, 19 de julho de 2014
[Série: Versos de Ciência] Estrela Dalva Entrevista: Lua
No palco localizado em Plutão, que virou estúdio de TV após uma ajudinha dos cientistas que o rebaixaram para planeta anão, a plateia de estrelas recebe com muitas palmas a entrevistada Lua.
Com uma vestido branco muito elegante, a senhorita Lua aproveitou uma noite nublada na Terra para dar uma passadinha em Plutão. Mais precisamente no programa mais visto na galáxia, o "Estrela Dalva Entrevista".
A entrevistadora logo comentou sobre os bastidores da galáxia dos famosos. A Lua ficou incomodada quando Dalva comentou sobre a sua relação com o Sol. Eles quase não se falam e se encontraram pela última vez no eclipse do ano passado. O teor da conversa não foi revelado.
Quando perguntada sobre o casamento com a Terra, a satélite natural se derreteu inteira: "Ah, a Terra é uma querida, né? Fico cuidando das marés e ajudo um pessoal com um lance de horóscopo. Eles chamam a minha troca de roupa de fases, mas já estou acostumada com os humanos. Eles vivem tentando me fotografar, falando pra levar um recado pra amada deles, mas sou meio tímida, você sabe, né Dalva?". (Risos)
Dalva chamou o intervalo. As bailarinas Três Marias faziam uma coreografia perfeitamente alinhada, todas com um vestido super primavera-verão de Saturno.
De volta à entrevista, a Lua agora falou sobre os deuses. "Olha, eu sei que Deus e Zeus não se encontram muito, mas sempre que os vejo, mando um abraço dos humanos. Eles criam umas histórias muito criativas sobre a nossa criação. Alguns falam que foi uma expansão, outros que foi Deus, outros que foi um milagre... só sei de uma coisa: esses meninos na Terra são muito metidos a curiosos. Vieram me visitar faz tempo e nunca mais voltaram".
Para acabar, Dalva começa uma série de perguntas curtas:
Uma música: Lua de Cristal, acho a Xuxa o máximo!
Um filme: Apolo 18, mostra que sou má quando quero!
Uma comida: Cheetos lua (Risos). Ai desculpa Dalva, não resisti!
Um recado para os humanos: Gente, não adianta tirar foto minha no celular, fico com vergonha, me sinto pequena!
Um recado para o Sol: A gente se vê no próximo eclipse!
E essa foi a Lua, essa querida! Aplausos, estrelas!
Infelizmente, a gente fica por aqui! (Plateia: "AHHHHHHH")
Fiquei sabendo que agora a Lua vai voltar pra Terra com um vestido minguante deslumbrante! Semana que vem a gente volta com a presença do Sol! Vamos saber porque esse cara é tão esquentadinho!
Até semana que vem!
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