domingo, 19 de janeiro de 2014

[Série: Versos de Ciência] A Lua acaba de entrar de férias


Não tem ninguém pra conversar e você está na rua esperando alguma coisa. De noite. A Lua está lá, brilhando no céu limpo. É bonito, vai? Admite, não tem ninguém olhando.

A Lua sempre está lá. Brilhante, estranha, com nuvens ao seu redor, esplêndida, consegue até mandar no mar.

Sempre em momentos de decepção ou felicidade, é a primeira a escutar as novidades dos melancólicos ou dos apaixonados.

Ela escuta lamentações, recebe pedidos para reatar casais e até escuta perguntas do tipo 'será que tem mais gente olhando pra ela agora?'

Mas a maior polêmica em torno dela, é aquela do homem na Lua. Vocês acham MESMO que o homem ainda não foi pra Lua? Eles até deixaram uns retrofletores, um tipo de espelhinho que dá para refletir um laser pra Terra, sabia? Sério, vi no Wikipédia.

Ela desperta curiosidade no astrônomo e até dá uns pitacos no ramo da astrologia. Sim, a astrologia, aquela pseudociência que só trabalha na base da hipótese. Bom... isso parece também com ciência, mas deixa pra lá.

Porém, a Lua acaba de admitir que está cansada. Ela já não aguenta mais sair em fotografias e se sente pequena ao sair na foto. Coisa de satélites naturais tímidos. Outra coisa que poucos sabem, é a sua principal profissão: psicóloga.

O que ela escuta de apaixonados convictos, indecisos e tímidos, não é brincadeira. Ela não vai responder, galera apaixonada. Só aproveita pra curtir aquela fase da Lua cheia e usa a beleza pra se inspirar, escrever e falar umas palavras bonitas pra aquela querida.

Ah, a Lua não gira viu? Ou não existiria todo aquele papo de lado oculto que os Transformers e o Capital Inicial tanto falam.

Também, afirmo aqui, que não existe a teoria do Adão e Eva, nem do Big Bang. A Lua é o começo e o fim de tudo. Explico.

Começa no fim. A Lua gira em torno da Terra, que gira em torno do Sol, que está na Via Láctea, que está seguindo pro Grande Atrator de Virgo. Que com certeza possui outras galáxias indo pra lá, que possuem um outro tipo de Sol, que possui outros planetas, que tem um satélite natural orbitado em volta deles, outro tipo de Lua. Acaba no começo.

Viu? Não é difícil. A Lua que brilha pra você, é do mesmo tipo que brilha pra aquele pequeno ser extraterrestre sentado na janela no outro lado do universo. Ou você pensa que estamos sozinhos? Afinal, Carl Sagan já dizia: "O que é mais assustador? A ideia de extraterrestres em mundos estranhos, ou a ideia de que, em todo este imenso universo, nós estamos sozinhos?" Bizarro pensar nisso.

Então, na próxima vez que olhar o brilho da Lua, tão sozinha e elegante, valorize aquela pequena solitária. Ela já não é humilhada o suficiente com aquela música do Exaltasamba? Tá dizendo que o brilho dela não se compara ao seu? Quem diria, um dia ser comparada a uma mera humana...

Além de ter várias profissões, ser criadora do Universo, psicóloga dos apaixonados, objeto de estudo dos cientistas, usada para falar o "futuro" dos pobres humanos e o seu horóscopo, ela ainda tem que ser tão lembrada nas músicas? Se ao menos fossem boas...

Porque se ela já tem tanta coisa para comandar, ela não vai iluminar os pensamentos dela, ouviu Katinguelê?

Por isso, a Lua afirma que acaba de entrar de férias. No lugar dela, um globo de iluminação dos anos 70 vai deixar as cidades do mundo com um clima mais Dancing Queen.

E no lugar de iluminar a noite, o globo vai colocar luzes estilo balada dos anos 70/80 e tocar Girls Just Wanna Have Fun a noite inteira em um volume confortável.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

[Crônica] A história do homem mais comum do mundo

Fernando era considerado o cara mais comum e azarado do mundo. E assim, desafiou Deus a ter um dia diferente.

Ia para a igreja no domingo, assistia o jogo na quarta a noite, ia no cinema de quarta porque era mais barato. Naquela rotina que não mudava há anos, Fernando se acostumou a ver as coisas acontecendo ao seu redor, mas nunca acreditava ser diferente o suficiente para ganhar alguma coisa.

No final do período de trabalho, ele então chegou em casa e atendeu o telefone da sua mãe:

- E aí filho, vai apostar na Mega da Virada?

- Acho que não, você já viu quais são as chances? Ainda mais pra mim, que tenho o azar de nunca ter sorte.

- Tenta rezar, pede pra Deus, tenta alguma coisa - respondeu a mãe.

- E você acha que Deus vai ter tempo pra mim depois daquele terremoto nas Filipinas? Eu desafio aquele cara conseguir colocar um pouco de sorte na minha vida.

Ouvindo aquilo, Deus assumiu como um desafio. Quando Fernando acordasse, tudo seria diferente.

Dia seguinte, ao colocar o uniforme do trabalho, encontrou uma nota de R$ 5,00 no bolso. Nada demais, pensou.

No caminho do trabalho, percebeu uma mulher que não parava de encará-lo no metrô. Ela disse oi, mas ignorou a moça por imaginar que deveria ser conversa de crente. Esta seria sua futura namorada.

No caminho do trabalho, olhou para a lotérica e colocou a mão no bolso. Lembrou dos R$ 5,00 no bolso. Decidiu não apostar, a fila devia estar muito grande mesmo. Não tinha ninguém na fila e este seria o bilhete premiado.

No trabalho, apareceu um grande problema no trabalho, faltando alguns minutos para o fim do expediente. Secretamente, seus chefes estavam testando se ele era profissional o suficiente para fazer o melhor para a empresa, mesmo com o seu horário de trabalho no final. Ele deixou um e-mail para o próximo funcionário e foi pra casa. Essa seria sua oportunidade para tornar-se gerente da empresa.

No caminho de casa, lembrou mais uma vez dos R$ 5,00. Comprou uma cerveja e um barbeador.

De vez em quando, tudo está na sua frente, mas ao invés de se entregar e apostar em uma novidade, é muito mais fácil se esconder dentro da sua rotina. Clichê, mas quem forma a sorte é a sua atitude. Pelo menos, Fernando terminou o dia com a barba bem feita e assistiu o jogo do Corinthians, que empatou, é claro.

sábado, 4 de janeiro de 2014

[Cinema] Crítica: A Vida Secreta de Walter Mitty - 2013

Aprecie as pequenas coisas. Faça algo diferente. Pare de sonhar, comece a viver. Saí da sala do cinema pensando apenas nisso. Amo filmes que me fazem pensar sobre o que acabei de ver. Não é só um entretenimento, é uma lição. E é assim que me senti com A Vida Secreta de Walter Mitty.

O filme conta a história de um cara comum. Um cara como eu ou você. No começo do filme, achei a vida do personagem muito parecida com a minha. Em outras situações, óbvio. Mas esse cara é o Ben Stiller e o seu personagem tem um pouco de mim. Isso criou uma ligação comigo logo no começo do filme.


A Vida Secreta de Walter Mitty conta a história de um homem que trabalha com os negativos de um grande fotógrafo da revista Life. Enquanto Sean O'Connell (Sean Penn) viaja e conhece as situações mais incríveis do mundo, Walter guarda os negativos para completar o trabalho do fotógrafo, o caminho para a publicação.

Walter é o típico cara que sonha acordado. Os devaneios e viajadas dele são coisas estranhas, mas muito comuns. Quem não pensa em "e se eu fizesse tal coisa?" e se vê parado, olhando pro nada? Walter imagina uma declaração de amor, uma mega perseguição, uma resposta ríspida ao seu chefe... mas fica só no "seria legal fazer isso."

Ao criar um perfil no E-Harmony, um site que o personagem se cadastra para tentar se comunicar com Cheryl (Kristen Wiig), moça do trabalho que ele sente atração - e mais um dos seus sonhos - Walter percebe que não tem como responder duas lacunas: Viagens e Coisas diferentes que você fez na vida.


Ele nunca fez uma grande viagem, nunca fez uma grande declaração de amor, nunca perseguiu bandidos. Apenas seguia a sua rotina, pois nada melhor do que seguir o que é cômodo.

Após não conseguir localizar um negativo que supostamente seria a melhor foto de todos os tempos da Time, Walter, apoiado por Cheryl, sai em busca do negativo diretamente com o fotógrafo.

Walter sai do seu escritório e corre a caminho da Groenlândia, local onde supostamente está o fotógrafo. Assim começa a jornada e a verdadeira vida que Walter queria. Ele corre riscos, conhece pessoas diferentes, admira paisagens inacreditáveis. Enfim, sua vida começa de verdade.

A mensagem é a de fugir da sua rotina e correr atrás da sua vida. Falar o que você tem vontade de falar, viajar para o lugar que você quer conhecer. E perceber que a vida é feita destes momentos diferentes. A vida rotineira, aquele dia que você apenas trabalhou, é facilmente esquecido.


Por exemplo, não me lembro do que fiz no dia 7 de abril de 2013, mas lembro que no dia 31 de março, estava em um show incrível do Pearl Jam no Lollapalooza. Algo diferente.

Mas no meio de todos aqueles dias insuportáveis de trabalho, um dia com alguma coisa diferente cria uma lembrança inesquecível.

Não, você não vai se demitir e fugir pra Groenlândia. Mas, pelo menos, deixar de pensar: "e se eu fizesse isso?". Apenas faça o seu melhor para fazer! Faça alguma coisa diferente no seu dia! Fala pra garota que você está afim que você gosta dela, vai pro cinema sozinho, não se apegue ao passado, deixe a insegurança pra lá, saiba a diferença de registrar um momento único com uma foto e o momento de registrar na memória.


Walter passou a seguir de verdade o lema da Life que tanto repetia: "Para ver as coisas milhares de quilômetros de distância, coisas escondidas atrás de paredes e dentro de quartos, coisas perigosas por vir, para se aproximar, para ver e ser surpreendido."

Quando você ficar velho, você vai ter história pra contar? Você conseguiria preencher um perfil do E-Harmony? Você tem histórias pra contar?

Sem dúvidas, A Vida Secreta de Walter Mitty me deixou pensativo. Não é um filme que esquecerei fácil. Entrou na minha lista de filmes que me fizeram tentar mudar pra melhor. Junto com meus preferidos Show de Truman, 500 Dias com Ela, O Primeiro Mentiroso e Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças.

A rotina parece ser interminável, mas é no meio dela que criamos os dias memoráveis. Porque é arriscando e abrindo novas portas que encontramos um novo caminho, criando momentos únicos. Afinal, o que é a nossa vida além de uma fonte de momentos e de lembranças inesquecíveis?

Nota (de zero a cinco): 5

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

[Crônica] A menina que fugiu do amor

Camila estava no mesmo ônibus de todo dia. A rotina era a mesma, as mesmas pessoas, o mesmo caminho... até a chegada de um homem que mudou tudo com um amor à primeira vista. Quando ela o via o mundo parava ao seu redor e nada mais fazia sentido, simplesmente sem explicação. Todo dia, Camila aguardava ansiosa a chegada do tal cara no ônibus. Realmente, era uma pessoa que chamava a atenção. A cada dia, ela tentava se aproximar, não conseguia.

Até que um dia, Camila foi surpreendida. Ele a encarou e disse que era demais para ela. Mandou a garota assustada parar de encará-lo e que já estava ficando de saco cheio com essa perseguição (que nada mais eram do que olhares a cada 30 segundos até o ponto final).

E assim, Camila se decepcionou pela primeira e última vez. A decepção foi tanta que ela desceu do ônibus e começou a chorar.

Ela tinha medo de olhar pra trás e ter que encarar mais uma vez aquele homem sem alma. Ela simplesmente queria tirar aquele sentimento ruim do seu pobre coração partido, mas a tristeza parecia não passar. Decidiu não pensar em mais nada. E assim, Camila começou a correr. E nunca mais parou.

Camila começou a atravessar ruas, bairros e cidades. Sua história começou a ser reconhecida e logo a mídia contou a sua história. "A garota que não se cansa", "A menina que foge do amor", eram as manchetes.

Grupos começaram a seguir Camila para saber de onde vem tanta motivação e sites acompanhavam o caminho da jovem para saber se a jovem estava passando pela sua rua. Virou celebridade instantânea.

Como o ritmo da corrida era rápido, era praticamente impossível fazer uma entrevista com Camila. Até a Oprah viajou para tentar fazer uma entrevista, mas não conseguiu fazer as perguntas, sem fôlego.

Tentaram chamar maratonistas para entrevistá-la, mas eles só perguntavam se isso valia vaga nas Olimpíadas e logo desistiam.

Camila se tornou uma lenda e correu por muitos dias. Até que tempos depois, um homem começou a correr no ritmo de Camila e conseguiu puxar um assunto. Eles conversaram e correram por horas.

E assim Camila sorriu, depois de muito tempo. Começou a diminuir o ritmo. Começou a andar e logo parou.

Todos ficaram curiosos, "O que será que este homem fez Camila para de correr?". Quando eles pararam, começou a entrevista mais aguardada das últimas semanas.

"Camila, você era inspiração de muitos jovens, o que este homem disse para você finalmente parar de correr?", perguntou uma repórter.

"Não foi nada demais, acho que a desilusão passou. Finalmente conheci um homem que disse que me entende e que consegue seguir o meu ritmo. Ele disse que fugir não era a coisa certa e que se preciso, me acompanharia o resto da vida. Ele então me perguntou: 'que tal tentarmos fazer isso funcionar um pouco mais devagar?'. E então eu aceitei".

E assim, todos foram embora, já que os motivos para a mídia seguir o caso já tinham acabado. Assim, Camila amou e foi amada de verdade pela primeira vez. E nunca mais parou.

O amor tem dessas, quando você se decepciona, a vontade é de sumir até tudo passar. Mas quando alguém entra no seu ritmo, não há desilusão que tire a felicidade de amar de novo.

Desta vez, pra sempre.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

[Cinema] Crítica: Gravidade - 2013

Gravidade é um filme que se passa no espaço. Isso já é legal pra caramba. Um dos astronautas é o George Clooney, um ator que dispensa comentários. A outra é a Sandra Bullock, que admito que até pouco tempo não era das minhas atrizes favoritas. O diretor, Alfonso Cuarón, um cara mais conhecido por fazer Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban (2004).  Dá pra pensar que essa mistura resultaria em uma das melhores e mais diferentes experiências que já tive em um cinema?

Quando assisti o trailer pela primeira vez, assistindo Homem de Ferro 3, no ato já sabia que seria um filme diferente. Como o diretor vai sustentar um filme inteiro com uma personagem à deriva, como ele vai lidar com a gravidade e o emocional da personagem? Em meio das muitas perguntas, ficava ansioso pela beleza da Terra vista do espaço e com receio de ver algo como 127 Horas, quando o filme é basicamente um monólogo com flashes do passado e loucuras da cabeça do ator principal.

Longe de dizer que 127 Horas é ruim, mas o que menos gostaria de assistir em um filme que se passa no espaço seriam flashbacks dos personagens na Terra. Esse era o meu medo.

No começo, o papel da astronauta Ryan Stone (interpretada por Sandra Bullock) é consertar o telescópio Hubble com ajuda de Matt Kowalsky (George Clooney), um experiente astronauta que está em seus últimos momentos da sua caminhada espacial.

Rolando um country de leve, com o cenário da Terra no fundo, a imagem é tão bela que demorei um pouco para absorver. Não sei se observo a expressão dos atores dentro do traje espacial, observo a gravidade agindo sob os objetos pendurados ou se fico olhando a beleza da Terra. É até difícil entender que chegamos nesse patamar da computação gráfica.


A história inteira se passa no espaço, sem pesar tanto no passado dos personagens e a história se desenrola rápido. Nada de enrolação. Os russos (sempre eles) mandaram um míssil em um satélite espião e os destroços atingiram outros satélites que atingiram outros, gerando uma reação em cadeia. Quando são avisados que os destroços se aproximam do Hubble, não dá tempo de mais nada.

Sabe aquela história de que o filme deixa as pessoas sem respirar. É a mais pura verdade. São minutos de catástrofes intermináveis e com detalhes impressionantes. Tudo é pensado e cada explosão causa uma outra colisão. É inacreditável a beleza da cena.

No decorrer da história, na deriva no espaço, a atuação de Bullock mostra perfeitamente o completo desespero que qualquer pessoa ficaria nesta situação. Pelo menos uma cinco vezes, o diretor nos coloca na visão de Ryan e o desespero aumenta ainda mais.

São tantas coisas acontecendo que a respiração acaba se tornando uma inimiga graças ao oxigênio limitado. Aos poucos a personagem vai se controlando e tudo vai seguindo o seu rumo.  Ali, naquela situação de risco, Ryan precisa lutar contra o próprio medo e aprender a encarar tudo sozinha.

A qualidade do filme também se deve à excelente trilha sonora. A música nos momentos difíceis ajuda a deixar o clima muito mais tenso. O filme troca constantemente de altura extrema a extremo silêncio, mas com leveza na hora da calmaria.

A parte "calma" do filme possui um pôr-do-sol e uma bela interação entre Matt e Ryan, um dos poucos diálogos dos personagens. Os detalhes nas cenas de construção de história ficam tão evidentes quanto nos acidentes. Para exemplificar isso, em uma cena, um simples alicate batendo na perna da protagonista de fundo bate em um saco plástico que cai em seguida. Não precisava colocar aquele alicate na cena, mas a riqueza nos detalhes pode ser vista em momentos como este.

Outro momento é o das lágrimas da Ryan que voam na gravidade zero. Até aí tudo bem, mas especialmente uma voa em direção à tela, bate na câmera e some. São coisas singelas, mas repito, de beleza e detalhes impressionantes. Sem contar o 3D muito bem utilizado pelo diretor.

James Cameron disse em entrevista à Variety: "É a melhor fotografia espacial já feita, o melhor filme espacial já feito, e é o filme que eu estava ansioso para ver a muito, muito tempo."

Concordo completamente. Todos os diretores de futuros filmes de ficção científica deveriam assistir Gravidade até cansar. O que Avatar foi um novo ponto de partida para o cinema, acredito que com Gravidade, chegamos em um novo ponto. Onde história, computação gráfica e fotografia se unem em perfeição de um belo filme.


Nota (de zero a cinco): 5

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Alerta de Spoilers!

Preciso comentar uma cena, então, se liga com os spoilers e só leia estes próximos parágrafos se você já assistiu ao filme!

O que foi a cena dela tirando o traje aos poucos e "relaxando" após tudo  que aconteceu? Pra mim, a Sandra Bullock ganhou o Oscar nesta cena e na cena que conversa com o chinês que canta uma canção de ninar para o bebê. A primeira sem falas, apenas a atriz ficando quase em posição fetal com os cabos demonstrando um cordão umbilical. Foi o verdadeiro renascimento da doutora.

Que ideia genial do Cuarón. E a segunda cena, o alívio da astronauta em ouvir alguém finalmente falando qualquer coisa, mesmo que não consiga entender... só em ouvir algo que ela conhece, já é o suficiente para acalmar e respirar. A visita de Matt só mostrou que o renascimento é um elemento que Cuarón queria muito transparecer.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

[Games] Crítica: Video Games Live 2013

Os games nunca deixaram de vender. Pelo contrário, o mercado de jogos eletrônicos nunca esteve tão aquecido. Apenas em 2012, a área cresceu 60% em relação ao ano de 2011, colocando o mercado brasileiro como o de maior crescimento em todo o mundo nesta época.

A pirataria também se viu obrigada a reduzir e o Brasil vem mostrando que o mercado de games está cada vez mais sólido no país. Mostrando que o país é a bola da vez no cenário internacional, as empresas investem cada vez mais em jogos localizados para o português, o que coloca nosso país nos próximos anos como o terceiro principal consumidor de games no mundo.

Essa tendência de crescimento apenas coloca em evidência que o público, principalmente os homens de 15 a 35 anos, é consumidor fiel e que não se contenta apenas com a compra e venda de jogos.

Na cidade de São Paulo, os games podem ser considerados mais do que coisa de criança. É um negócio que pode gerar lucro e mais do que tudo, pode garantir diversão e lazer a qualquer momento e em diversos pontos espalhados pela capital.

Atualmente, os próprios games organizam encontros em shoppings ou praças de SP, com o intuito de interatividade nos jogos e na vida real. Não apenas com consoles ou portáteis, mas através de música, filmes ou arte.

Se a qualidade dos já comuns filmes baseados em games é contestada em Hollywood, a música sempre foi motivo de orgulho dos nostálgicos nerds. A trilha sonora, tanto dos jogos antigos de Atari, Super Nintendo ou Mega Drive, quanto os atuais da nova geração, são verdadeiras obras de arte.

E é justamente na relação arte, vídeo game e entretenimento que foi criada a Vídeo Games Live por Tommy Tallarico, o maior compositor de game music do mundo (compôs trilhas para 275 jogos, como Tony Hawk Pro Skater, Spider Man, Earth worm Jim, Unreal, Mortal Kombat, e Time Crisis). Tommy também é o fundador e presidente da Game Áudio Network, organização sem fins lucrativos que tem o objetivo de promover a excelência nas trilhas dos jogos eletrônicos.

Antes mesmo de entrar na casa de shows, o público característico mostrava o amor pelos games, cada um com a sua referência. Com uma touca do Link, um chapéu do Mário, uma camiseta do Mega Man... a entrada virou um verdadeiro show de referências à cultura dos games.

A VGL é um concerto que conta com uma orquestra que apresenta trilhas sonoras memoráveis de dezenas de jogos da antiguidade e da atualidade.

Foto: Diego Bezerra

Pensando em ouvir e viver a nostalgia na sua mais pura essência, compareci na oitava edição do concerto da VGL neste domingo (6), no HSBC Brasil. Na verdade, ganhei um ingresso do irmão de um grande amigo no último minuto, provando que grandes momentos precisam de um pouco de sorte. O show teve presença da Orquestra Sinfônica Villa-Lobos que apresentou coro, solistas, percussionistas e arranjos musicais renovados e com uma qualidade digna de tirar lágrimas de muitos marmanjos barbudos.

O evento conta com competições de Guitar Hero, Super Smash Bros Melee (no qual o meu irmão venceu e recebeu uma camiseta e um DVD do show) e diversas outras formas de interação. Todas as referências da orquestra são ligadas ao mundo do vídeo game e o público retribuía, entendia e dava risada com cada citação.

Foto: Diego Bezerra

Um show de trilha sonora com uma orquestra com o publico sentado em mesas? Nada disso, no começo o próprio Tommy diz que aquele não é um show para observar e absorver e sim para interagir e assobiar ou murmurar aquela sua música favorita.

Além de apresentar músicas de séries clássicas como Chrono Trigger, Final Fantasy, The Legend of Zelda, Mario, Sonic the Hedgehog, Mega Man, Metal Gear Solid e mais vários outros.

Focando na nostalgia, a Vídeo Games Live consegue apresentar música clássica, games, entretenimento, interação e humor em apenas um show impecável de aproximadamente duas horas.


Tenho certeza que a cada música, cada pessoa sentada naquelas mesas se imaginou criança, sentado no chão jogando vídeo game. Quando as preocupações eram saber se o seu jogo estava na locadora ou se alguém tinha excluído o seu save na semana passada. Uma orquestra que te faz voltar à infância. Nada mal para um final de domingo na fria cidade de São Paulo.

Nota (de zero a cinco): 5

terça-feira, 1 de outubro de 2013

[Música] O que vi no fim da MTV Brasil

Aprendi na MTV o que é rock. Aprendi que é preciso respeitar o clássico. Aprendi que Beatles, Led Zeppelin, Rolling Stones e Iron Maiden são lendas intocáveis.
Tive medo dos comerciais bizarros e nonsense.
Vi o clipe de Talk do Coldplay, fazendo eu me apaixonar pela banda.
Conheci The Killers, The Strokes, Arctic Monkeys e minhas bandas favoritas por causa dos clipes. Aprendi que o melhor guitarrista do mundo é o Jimi Hendrix. Tive muito medo do clipe do Marilyn Manson - Tainted Love. Pensei que música boa era aquela bem colocada no Top 10. Aprendi que música bem colocada no Top 10 não significava nada.
Dei muita risada com os Piores Clipes com Marcos Mion, inclusive o épico do Bruce Springsteen - Glory Days.
Ri muito com o Marcos Mion em qualquer programa, inclusive o Descarga, Piores Clipes, Covernation, Mucho Macho e Quinta Categoria.
Chorei de rir com Hermes & Renato, o Boça, a Dona Máxima, o Palhaço Gozo, o Joselito, o Sinhá Boça, o Away e milhares outros.
Conheci a famosa lambida no pescoço com o Gil Brother.
Aprendi a dublar com o Tela Class. Dei muita risada com as lendas Paulo Bonfá e Marco Bianchi. Assisti peladas épicas das bandas nos vários Rockgols e até hoje não lembro o nome da Musa Nissei Sansei e do Chernobil.
Chamei o Nasi de Wolverine Valadão por muito tempo e chorei de rir com as saídas de bola para si mesmo. Aprendi que Birigui, "a Massachussets brasileira",  possui torres gêmeas e a melhor iluminação do mundo.
Repeti: "Marcos Binachi, acabo de ser informado que houve um gol". Repeti: "Dono do Fusca, placa AJT-4245... sua mãe morreu". Aprendi as letras de Swimming Pool e I Love The Flowers.
Aprendi a imitar a Sara e os outros Vjs com o pé no banquinho chamando as músicas dos caras do URRED URROT CHIILLIEEE PEEPPEEERRRS.
Conheci Skank, Capital Inicial, Paralamas e descobri que a música brasileira é tão boa quanto a americana.
Pensei que era fora da lei por assistir os programas proibidos da Penélope. Fiquei puto com os resultados do VMB. Repeti o clássico: Pessoal da Emetevê... Bota essa porra pra funcionar direito! Conheci a Megaliga MTV de VJs Paladinos, a Funérea e o Conrado.
Comecei a perceber que aos poucos eu diminui minha quantidade diária de MTV e achei que era coisa da Idade. Mas percebi com o Adnet, o Bento, a Tatá, o Paulinho, que o humor ainda era o que me conquistava.
Percebi que a música foi ficando de lado. Percebi que a internet ajudou a afundar a MTV.
Conheci as músicas épicas do Comédia MTV.
Nunca vou esquecer das horas de risadas do TecnoBento e do Lado Bom de Ser Gay.
Aprendi que é possível fazer piada com crítica com o clipe de Indiretas Já - Comédia MTV, uma sátira de Roda Viva, do Chico Buarque.
Chorei de rir milhares de vezes com as piadas sem graça da Calabresa e o Bento, no Furo MTV. Aprendi a verdadeira mensagem em mandar desligar a TV e ler um livro. Aprendi que um dia tive que me despedir da MTV. Aprendi a dizer adeus a uma colega que me ensinou o que é música boa, humor diferente e bizarro, a curtir 
rock, a repetir piadas, a AMAR música e querer trabalhar escrevendo críticas musicais no futuro. Aprendi que mesmo não sendo a mesma coisa, não fica um canal, fica uma página da minha infância.
Obrigado MTV Brasil.