A noite em que todos vão pra casa.
Também é a noite em que as estrelas vão trabalhar.
Se todos passam o tempo ocupados durante o dia.
Elas contam os minutos pra aparecer.
Pode ser que algumas demorem pra responder.
O calor do próprio Sol demora 8 minutos pra chegar na Terra.
Depois dele, o brilho da estrela mais próxima é de quatro anos atrás.
Proxima, Alpha e Beta Centauri podem nem estar mais lá.
As luzes emitidas demoram pra chegar na Terra.
Mas sei que são bem mais do que só uma grande esfera de plasma.
É grande o papel delas. Como o pôr do sol que encanta os humanos.
A responsabilidade delas é ser grande pra brilharem juntas.
A situação pode estar escura como a noite.
Mas a escuridão perde espaço para um simples raio de luz.
Quando a vida estiver difícil, observe o trabalho das estrelas.
E veja a luz que percorre todo o espaço só para te iluminar.
segunda-feira, 24 de março de 2014
terça-feira, 4 de março de 2014
[Outros] Mentalidade de Carnaval
Sou a favor do Carnaval, entendo que é uma coisa da cultura do brasileiro. Só não entendo como essa data afeta tanto a sabedoria das pessoas. O Carnaval liberta o que há de mais estranho no ser humano.
No Carnaval, sair fantasiado é normal. Os palhaços são apenas pessoas comuns neste dia. Seguir um caminhão de som sendo esmagado por milhões de pessoas é super diferente de ir a um show normal na semana seguinte.
Beijar o máximo de pessoas possíveis é normal. Nos outros dias é coisa de vadia ou galinha, mas no Carnaval tá liberado. Pode beber tranquilo. As marcas de cerveja criam camarotes e o amigo mais bêbado sempre cria a história mais engraçada.
O povo esquece das notícias, até porque é muito mais importante saber a hora do próximo bloco de rua ou a nota das escolas de samba. Todos são iguais. Morador de rua ganha bloco na própria casa, imagina só.
A prioridade é fazer a maior festa de rua do mundo. Fazer o turista sentir-se bem. Não quero que cancelem o Carnaval ou que comecem a tocar Beethoven para as pessoas. Sou a favor de uns dias de descanso, ninguém é de ferro.
Longe de ser um texto responsável, até porque não sou a pessoa mais indicada pra isso... Mas enquanto tivermos uma sociedade que prioriza o Carnaval por meses e fecha as escolas para as pessoas ficarem bêbadas, ouvindo axé e em estado deplorável, não tem como pedir um Brasil melhor.
Se as pessoas acham que o investimento da Copa é uma vergonha, imagina o que o governo gasta pra sustentar a folia?
O dinheiro é bem investido com campanhas de camisinha (que é uma coisa ridícula, até porque educação sexual é uma coisa essencial), com propagandas pra não urinar no chão, pra não dirigir bêbado? Coisas básicas que qualquer pessoa em qualquer outro dia do ano saberia?
Alguém mais percebe o tamanho dessa besteira? A campanha pra usar camisinha é valida pra todos os dias do ano! Não é normal mijar no chão da rua... nunca! Dirigir bêbado é perigoso e arrisca a vida de várias pessoas! É tão óbvio que acredito que as pessoas perdem uma parte do cérebro nesta época, não é possível...
Mas lembra? No Carnaval está tudo liberado. Só por uns dias, as pessoas ficam bobas, esquecem a sua rotina e dão risadas. Aos adeptos, repito. Não quero que o Carnaval seja extinto. Só não entendo essa burrice conjunta que obriga o governo a gastar com coisas tão inúteis.
Só não usem essa mesma mentalidade pra cobrar depois no dia das eleições. Porque o povo vai votar com a mentalidade de Carnaval. E elege um Carnaval de idiotas pra guiar nosso país.
sábado, 22 de fevereiro de 2014
[Série: A vida sem...] Tempo
E se de repente, o tempo parasse?
E a vida fosse vivida sem a presença do tempo?
Se o dia parasse exatamente onde está.
Noite onde está noite, dia onde está dia.
O ser humano não teria mais que acordar cedo.
Não existiria cedo ou tarde demais.
O final feliz, nunca teria um final.
O horário deixa de existir, já que as horas foram paralisadas.
Felizes aqueles que pararam com um pôr do sol eterno.
Felizes os que vivem no crepúsculo inspirador entre o azul do dia e o escuro da noite.
Os relacionamentos seriam mais complicados.
Sem o "até amanhã", o "te vejo quando estiver com vontade" seria a novidade.
Não existiria a hora da chegada e nem a hora certa de partir.
Vai quem sente vontade, chega quem tem desejo.
A sensação de rápido ou lento logo deixa de existir.
Ninguém mais envelhece, o tempo deixa de enfraquecer as pessoas.
O relógio deixa de informar o tempo para virar só um acessório.
Não vai existir duração, período ou prazo.
Sem intervalos, ciclos, datas, eras, etapas, fases, séculos, anos, meses e dias.
Sem horas, minutos ou segundos.
O pior: sem pequenos momentos que valorizam a vida.
Porque o momento não vai existir.
Nem a ocasião, a oportunidade ou a vez.
O tempo não vai mais curar a saudade.
O tempo não vai mais curar o coração partido.
O tempo não vai mais te dizer a hora certa de dizer o que sente.
O tempo não vai mostrar que o melhor já passou ou que o melhor ainda vai chegar.
Eternamente, infinito, pra sempre e jamais finalmente terão sentido.
Tudo será eterno, sem fim, sem limites.
Resta o amor eterno dos amantes, a angústia sem fim do solitário e a vida infinita.
Porque o tempo rege a vida dos seres humanos. E sem ele, ficamos perdidos.
Perdidos no hoje, no amanhã.
Perdidos no infinito.
E a vida fosse vivida sem a presença do tempo?
Se o dia parasse exatamente onde está.
Noite onde está noite, dia onde está dia.
O ser humano não teria mais que acordar cedo.
Não existiria cedo ou tarde demais.
O final feliz, nunca teria um final.
O horário deixa de existir, já que as horas foram paralisadas.
Felizes aqueles que pararam com um pôr do sol eterno.
Felizes os que vivem no crepúsculo inspirador entre o azul do dia e o escuro da noite.
Os relacionamentos seriam mais complicados.
Sem o "até amanhã", o "te vejo quando estiver com vontade" seria a novidade.
Não existiria a hora da chegada e nem a hora certa de partir.
Vai quem sente vontade, chega quem tem desejo.
A sensação de rápido ou lento logo deixa de existir.
Ninguém mais envelhece, o tempo deixa de enfraquecer as pessoas.
O relógio deixa de informar o tempo para virar só um acessório.
Não vai existir duração, período ou prazo.
Sem intervalos, ciclos, datas, eras, etapas, fases, séculos, anos, meses e dias.
Sem horas, minutos ou segundos.
O pior: sem pequenos momentos que valorizam a vida.
Porque o momento não vai existir.
Nem a ocasião, a oportunidade ou a vez.
O tempo não vai mais curar a saudade.
O tempo não vai mais curar o coração partido.
O tempo não vai mais te dizer a hora certa de dizer o que sente.
O tempo não vai mostrar que o melhor já passou ou que o melhor ainda vai chegar.
Eternamente, infinito, pra sempre e jamais finalmente terão sentido.
Tudo será eterno, sem fim, sem limites.
Resta o amor eterno dos amantes, a angústia sem fim do solitário e a vida infinita.
Porque o tempo rege a vida dos seres humanos. E sem ele, ficamos perdidos.
Perdidos no hoje, no amanhã.
Perdidos no infinito.
sábado, 8 de fevereiro de 2014
[Cinema] O clichê nos gêneros do cinema
Um personagem pode ter milhares de faces, trejeitos e maneiras. Herói ou vilão no final, ele sempre vai ter um final. Milhares de personagens foram criados em toda a história do cinema. Histórias para se apaixonar, se emocionar, para ficar desesperado quando a mocinha corre perigo mesmo sabendo que em 99,9% das vezes, tudo vai ficar bem. O que define o final, o meio e o começo é o gênero. Claro que os gêneros também tem os seus estereótipos. Uma história pode ser contada diversas vezes com gêneros diferentes, mas sempre mantendo os clichês de cada um. Vamos aos exemplos:
História base: uma pessoa acorda, veste um terno para ir trabalhar, pega trânsito, pega o elevador sozinho e trabalha normalmente. Fim de horário de trabalho, vai pra casa, põe o pijama e dorme.
Romance/Comédia Romântica: Uma mulher beirando os 30 anos acorda, se veste para o trabalho, no caminho seu carro quebra e chama um cara para arrumar. O cara briga com a mulher, mas arruma o carro. Ele é contratado pela empresa dela e vira o seu rival. Aos poucos ela descobre que ele é uma boa pessoa, eles revelam suas qualidades e defeitos um pro outro. Ela sorri e fala: "Seu idiota". Ele sorri e fala "Isso mesmo. SEU idiota." Eles se beijam na chuva e o filme acaba.
Comédia Adolescente: Uma adolescente acorda e se troca para o primeiro dia na escola nova com uma música da Avril Lavigne na trilha sonora. Ela chega no colégio e faz amizade com uma menina estranha que só faz piadas de vez em quando pra lembrar que o filme é de comédia. Ela se apaixona pelo capitão do time de futebol americano, que namora a sua rival na escola. A menina vence a rival em uma competição, o jogador termina com ela e eles se beijam em uma festa com copinhos descartáveis vermelhos tipo American Pie.
Faroeste: O forasteiro acorda, pega seu revólver e sobe em seu cavalo. Enquanto aparecem os nomes dos atores, toca uma música épica do Ennio Morricone. Ele chega na cidade e o xerife é assassinado. Ele inicia um romance perigoso com a filha do dono do banco. Ele vira o novo mocinho da cidade, mas precisa tomar cuidado com a turma do (insira um nome) Kid, o maior ladrão de bancos do oeste. Eles marcam um duelo. O mocinho é mais rápido e mata o ladrão. Ele ganha uma estrela e vira o novo xerife.
Terror: Uma mulher acorda e escuta um barulho. Ela segue o barulho contínuo apenas de calcinha e uma camiseta larga. Ela vê um vulto, mas dorme achando que trabalhou demais e está cansada. No dia seguinte, ela vê um espírito no reflexo do espelho, mas mesmo assim não sai da porcaria da casa. Acorda com o barulho de novo, segue o barulho até chegar no porão. O espírito ataca a mulher e ela cai no chão morta. A câmera segue mostrando uma parede, até que o espírito ataca a tela, só pra causar um último susto.
Suspense: O cara acorda e vai pro trabalho. Ele descobre que precisa levar uma encomenda para um homem em Pequim, mas no voo, o cara descobre que tem um terrorista na cadeira ao lado. Óbvio que ele não avisa ninguém, decide agir por conta própria e tenta matar o cara sozinho. Ele descobre que o cara plantou uma bomba em algum lugar do avião. Claro que o cara corta o fio da bomba no último segundo após uma contagem regressiva e o avião pousa com o FBI pronto pra prender o terrorista.
Ação: O cara acorda e no caminho do trabalho percebe que está sendo seguido. Após uma intensa perseguição, o cara chega a uma ponte que não foi inteiramente construída. Ele acelera e consegue chegar ao outro lado, ao contrário dos vilões que batem o carro. Enquanto isso, o personagem alívio cômico sentado no banco do passageiro faz piadinhas. Tudo isso em uma cena de 40 minutos com muitas explosões e tiros.
Ficção Científica: O cara vai pro trabalho e é abduzido. Os extraterrestres falam que vão levar um humano para o seu planeta para provar que existe vida além de Xnaitzor. No novo planeta, o cara descobre que o lugar está prestes a ser destruído por robôs que possuem um buraco negro. O cara salva a galáxia após matar o chefe robô, se casa com uma ET e começa a viver normalmente no planeta novo.
Documentário: O cara acorda. Ele dá um depoimento sobre como foi acordar naquele dia. A mulher do cara fala sobre a visão dela do homem acordado. Ele vai pro trabalho e o chefe dele fala sobre a vida no trabalho em mais um depoimento. O cara vai pra casa e fala sobre como voltou pra casa de carro. No final do documentário, o diretor coloca imagens e conta a história de como o homem está hoje.
Pornô: O cara acorda e se arruma pro trabalho. A mulher dele arruma a gravata dele e abre o zíper da calça dele (cena de sexo no quarto de 15 minutos). No trabalho, a secretária entra com documentos (cena de sexo no escritório por mais 15 minutos). Chegando em casa, o homem pede uma pizza. A entregadora toca a campainha e fala que está sem troco. Ela afirma que vai precisa pagar por ser uma mulher muito má (cena de sexo de 15 minutos). A esposa chega em casa e flagra os dois transando. Ela gosta da ideia e faz um threesome.
Drama: O cara acorda. Olha pro relógio e o tempo não avança. No caminho do trabalho, recebe uma ligação falando que a sua mulher está com câncer. Ele volta pra casa e eles aproveitam os últimos dias de amor. Ela morre e ele deita. O filme acaba da forma mais melancólica e depressiva possível, com o cara em posição fetal chorando no cantinho do quarto.
Espionagem: O cara acorda e descobre que está sendo vigiado por espiões russos. O cara viaja até Moscou para roubar a tecnologia de uma multinacional. O cara descobre que os russos já sabiam de tudo e que no final, você descobre que tudo não passa de truque para fazer um filme parecido com James Bond. Você já assistiu e gastou dinheiro, já era.
Guerra: O cara acorda e descobre que está no Iraque. Junto do seu novo melhor amigo, eles seguem para o campo de guerra, onde ele mata um cara com uma sniper de forma impressionante. Quando ele comenta o feito com o amigo, ele já foi atingido e o seu parceiro morre. Ele carrega o corpo no final da batalha. O cara é recebido com honras pelo presidente americano.
Série: O cara acorda e o resto você verá no próximo capítulo.
Musical: O cara acooooooooorda de bom humooooor e começa a sapateaaaar enquanto escova os denteeees. No trabalhooo, tudooo viraa motivoo pra mais uma bela cançãããããão. O filme de duas horas podia ser resumido em 3 minutos sem as músicas.
Trash: O cara acorda e aparece um outro cara com uma serra elétrica, cortando todos os membros dele. Somente agora começa o filme, separando os fracos dos fortes. Ou seja, é o diretor falando "Você viu, né? Vem merda por aí, sai agora, depois não reclama".
Independente: O cara acorda, vai pro trabalho na mesma casa, porque o diretor não tinha orçamento pra outro cenário. O filme só tem uma cena com efeitos especiais e ela é especialmente tosca. Em alguns anos, os hispters vão chamar esse filme de clássico.
domingo, 19 de janeiro de 2014
[Série: Versos de Ciência] A Lua acaba de entrar de férias
Não tem ninguém pra conversar e você está na rua esperando alguma coisa. De noite. A Lua está lá, brilhando no céu limpo. É bonito, vai? Admite, não tem ninguém olhando.
A Lua sempre está lá. Brilhante, estranha, com nuvens ao seu redor, esplêndida, consegue até mandar no mar.
Sempre em momentos de decepção ou felicidade, é a primeira a escutar as novidades dos melancólicos ou dos apaixonados.
Ela escuta lamentações, recebe pedidos para reatar casais e até escuta perguntas do tipo 'será que tem mais gente olhando pra ela agora?'
Mas a maior polêmica em torno dela, é aquela do homem na Lua. Vocês acham MESMO que o homem ainda não foi pra Lua? Eles até deixaram uns retrofletores, um tipo de espelhinho que dá para refletir um laser pra Terra, sabia? Sério, vi no Wikipédia.
Ela desperta curiosidade no astrônomo e até dá uns pitacos no ramo da astrologia. Sim, a astrologia, aquela pseudociência que só trabalha na base da hipótese. Bom... isso parece também com ciência, mas deixa pra lá.
Porém, a Lua acaba de admitir que está cansada. Ela já não aguenta mais sair em fotografias e se sente pequena ao sair na foto. Coisa de satélites naturais tímidos. Outra coisa que poucos sabem, é a sua principal profissão: psicóloga.
O que ela escuta de apaixonados convictos, indecisos e tímidos, não é brincadeira. Ela não vai responder, galera apaixonada. Só aproveita pra curtir aquela fase da Lua cheia e usa a beleza pra se inspirar, escrever e falar umas palavras bonitas pra aquela querida.
Ah, a Lua não gira viu? Ou não existiria todo aquele papo de lado oculto que os Transformers e o Capital Inicial tanto falam.
Também, afirmo aqui, que não existe a teoria do Adão e Eva, nem do Big Bang. A Lua é o começo e o fim de tudo. Explico.
Começa no fim. A Lua gira em torno da Terra, que gira em torno do Sol, que está na Via Láctea, que está seguindo pro Grande Atrator de Virgo. Que com certeza possui outras galáxias indo pra lá, que possuem um outro tipo de Sol, que possui outros planetas, que tem um satélite natural orbitado em volta deles, outro tipo de Lua. Acaba no começo.
Viu? Não é difícil. A Lua que brilha pra você, é do mesmo tipo que brilha pra aquele pequeno ser extraterrestre sentado na janela no outro lado do universo. Ou você pensa que estamos sozinhos? Afinal, Carl Sagan já dizia: "O que é mais assustador? A ideia de extraterrestres em mundos estranhos, ou a ideia de que, em todo este imenso universo, nós estamos sozinhos?" Bizarro pensar nisso.
Então, na próxima vez que olhar o brilho da Lua, tão sozinha e elegante, valorize aquela pequena solitária. Ela já não é humilhada o suficiente com aquela música do Exaltasamba? Tá dizendo que o brilho dela não se compara ao seu? Quem diria, um dia ser comparada a uma mera humana...
Além de ter várias profissões, ser criadora do Universo, psicóloga dos apaixonados, objeto de estudo dos cientistas, usada para falar o "futuro" dos pobres humanos e o seu horóscopo, ela ainda tem que ser tão lembrada nas músicas? Se ao menos fossem boas...
Porque se ela já tem tanta coisa para comandar, ela não vai iluminar os pensamentos dela, ouviu Katinguelê?
Por isso, a Lua afirma que acaba de entrar de férias. No lugar dela, um globo de iluminação dos anos 70 vai deixar as cidades do mundo com um clima mais Dancing Queen.
E no lugar de iluminar a noite, o globo vai colocar luzes estilo balada dos anos 70/80 e tocar Girls Just Wanna Have Fun a noite inteira em um volume confortável.
quarta-feira, 15 de janeiro de 2014
[Crônica] A história do homem mais comum do mundo
Fernando era considerado o cara mais comum e azarado do mundo. E assim, desafiou Deus a ter um dia diferente.
Ia para a igreja no domingo, assistia o jogo na quarta a noite, ia no cinema de quarta porque era mais barato. Naquela rotina que não mudava há anos, Fernando se acostumou a ver as coisas acontecendo ao seu redor, mas nunca acreditava ser diferente o suficiente para ganhar alguma coisa.
No final do período de trabalho, ele então chegou em casa e atendeu o telefone da sua mãe:
- E aí filho, vai apostar na Mega da Virada?
- Acho que não, você já viu quais são as chances? Ainda mais pra mim, que tenho o azar de nunca ter sorte.
- Tenta rezar, pede pra Deus, tenta alguma coisa - respondeu a mãe.
- E você acha que Deus vai ter tempo pra mim depois daquele terremoto nas Filipinas? Eu desafio aquele cara conseguir colocar um pouco de sorte na minha vida.
Ouvindo aquilo, Deus assumiu como um desafio. Quando Fernando acordasse, tudo seria diferente.
Dia seguinte, ao colocar o uniforme do trabalho, encontrou uma nota de R$ 5,00 no bolso. Nada demais, pensou.
No caminho do trabalho, percebeu uma mulher que não parava de encará-lo no metrô. Ela disse oi, mas ignorou a moça por imaginar que deveria ser conversa de crente. Esta seria sua futura namorada.
No caminho do trabalho, olhou para a lotérica e colocou a mão no bolso. Lembrou dos R$ 5,00 no bolso. Decidiu não apostar, a fila devia estar muito grande mesmo. Não tinha ninguém na fila e este seria o bilhete premiado.
No trabalho, apareceu um grande problema no trabalho, faltando alguns minutos para o fim do expediente. Secretamente, seus chefes estavam testando se ele era profissional o suficiente para fazer o melhor para a empresa, mesmo com o seu horário de trabalho no final. Ele deixou um e-mail para o próximo funcionário e foi pra casa. Essa seria sua oportunidade para tornar-se gerente da empresa.
No caminho de casa, lembrou mais uma vez dos R$ 5,00. Comprou uma cerveja e um barbeador.
De vez em quando, tudo está na sua frente, mas ao invés de se entregar e apostar em uma novidade, é muito mais fácil se esconder dentro da sua rotina. Clichê, mas quem forma a sorte é a sua atitude. Pelo menos, Fernando terminou o dia com a barba bem feita e assistiu o jogo do Corinthians, que empatou, é claro.
Ia para a igreja no domingo, assistia o jogo na quarta a noite, ia no cinema de quarta porque era mais barato. Naquela rotina que não mudava há anos, Fernando se acostumou a ver as coisas acontecendo ao seu redor, mas nunca acreditava ser diferente o suficiente para ganhar alguma coisa.
No final do período de trabalho, ele então chegou em casa e atendeu o telefone da sua mãe:
- E aí filho, vai apostar na Mega da Virada?
- Acho que não, você já viu quais são as chances? Ainda mais pra mim, que tenho o azar de nunca ter sorte.
- Tenta rezar, pede pra Deus, tenta alguma coisa - respondeu a mãe.
- E você acha que Deus vai ter tempo pra mim depois daquele terremoto nas Filipinas? Eu desafio aquele cara conseguir colocar um pouco de sorte na minha vida.
Ouvindo aquilo, Deus assumiu como um desafio. Quando Fernando acordasse, tudo seria diferente.
Dia seguinte, ao colocar o uniforme do trabalho, encontrou uma nota de R$ 5,00 no bolso. Nada demais, pensou.
No caminho do trabalho, percebeu uma mulher que não parava de encará-lo no metrô. Ela disse oi, mas ignorou a moça por imaginar que deveria ser conversa de crente. Esta seria sua futura namorada.
No caminho do trabalho, olhou para a lotérica e colocou a mão no bolso. Lembrou dos R$ 5,00 no bolso. Decidiu não apostar, a fila devia estar muito grande mesmo. Não tinha ninguém na fila e este seria o bilhete premiado.
No trabalho, apareceu um grande problema no trabalho, faltando alguns minutos para o fim do expediente. Secretamente, seus chefes estavam testando se ele era profissional o suficiente para fazer o melhor para a empresa, mesmo com o seu horário de trabalho no final. Ele deixou um e-mail para o próximo funcionário e foi pra casa. Essa seria sua oportunidade para tornar-se gerente da empresa.
No caminho de casa, lembrou mais uma vez dos R$ 5,00. Comprou uma cerveja e um barbeador.
De vez em quando, tudo está na sua frente, mas ao invés de se entregar e apostar em uma novidade, é muito mais fácil se esconder dentro da sua rotina. Clichê, mas quem forma a sorte é a sua atitude. Pelo menos, Fernando terminou o dia com a barba bem feita e assistiu o jogo do Corinthians, que empatou, é claro.
sábado, 4 de janeiro de 2014
[Cinema] Crítica: A Vida Secreta de Walter Mitty - 2013
Aprecie as pequenas coisas. Faça algo diferente. Pare de sonhar, comece a viver. Saí da sala do cinema pensando apenas nisso. Amo filmes que me fazem pensar sobre o que acabei de ver. Não é só um entretenimento, é uma lição. E é assim que me senti com A Vida Secreta de Walter Mitty.
O filme conta a história de um cara comum. Um cara como eu ou você. No começo do filme, achei a vida do personagem muito parecida com a minha. Em outras situações, óbvio. Mas esse cara é o Ben Stiller e o seu personagem tem um pouco de mim. Isso criou uma ligação comigo logo no começo do filme.
A Vida Secreta de Walter Mitty conta a história de um homem que trabalha com os negativos de um grande fotógrafo da revista Life. Enquanto Sean O'Connell (Sean Penn) viaja e conhece as situações mais incríveis do mundo, Walter guarda os negativos para completar o trabalho do fotógrafo, o caminho para a publicação.
Walter é o típico cara que sonha acordado. Os devaneios e viajadas dele são coisas estranhas, mas muito comuns. Quem não pensa em "e se eu fizesse tal coisa?" e se vê parado, olhando pro nada? Walter imagina uma declaração de amor, uma mega perseguição, uma resposta ríspida ao seu chefe... mas fica só no "seria legal fazer isso."
Ao criar um perfil no E-Harmony, um site que o personagem se cadastra para tentar se comunicar com Cheryl (Kristen Wiig), moça do trabalho que ele sente atração - e mais um dos seus sonhos - Walter percebe que não tem como responder duas lacunas: Viagens e Coisas diferentes que você fez na vida.
Ele nunca fez uma grande viagem, nunca fez uma grande declaração de amor, nunca perseguiu bandidos. Apenas seguia a sua rotina, pois nada melhor do que seguir o que é cômodo.
Após não conseguir localizar um negativo que supostamente seria a melhor foto de todos os tempos da Time, Walter, apoiado por Cheryl, sai em busca do negativo diretamente com o fotógrafo.
Walter sai do seu escritório e corre a caminho da Groenlândia, local onde supostamente está o fotógrafo. Assim começa a jornada e a verdadeira vida que Walter queria. Ele corre riscos, conhece pessoas diferentes, admira paisagens inacreditáveis. Enfim, sua vida começa de verdade.
A mensagem é a de fugir da sua rotina e correr atrás da sua vida. Falar o que você tem vontade de falar, viajar para o lugar que você quer conhecer. E perceber que a vida é feita destes momentos diferentes. A vida rotineira, aquele dia que você apenas trabalhou, é facilmente esquecido.
Por exemplo, não me lembro do que fiz no dia 7 de abril de 2013, mas lembro que no dia 31 de março, estava em um show incrível do Pearl Jam no Lollapalooza. Algo diferente.
Mas no meio de todos aqueles dias insuportáveis de trabalho, um dia com alguma coisa diferente cria uma lembrança inesquecível.
Não, você não vai se demitir e fugir pra Groenlândia. Mas, pelo menos, deixar de pensar: "e se eu fizesse isso?". Apenas faça o seu melhor para fazer! Faça alguma coisa diferente no seu dia! Fala pra garota que você está afim que você gosta dela, vai pro cinema sozinho, não se apegue ao passado, deixe a insegurança pra lá, saiba a diferença de registrar um momento único com uma foto e o momento de registrar na memória.
Walter passou a seguir de verdade o lema da Life que tanto repetia: "Para ver as coisas milhares de quilômetros de distância, coisas escondidas atrás de paredes e dentro de quartos, coisas perigosas por vir, para se aproximar, para ver e ser surpreendido."
Quando você ficar velho, você vai ter história pra contar? Você conseguiria preencher um perfil do E-Harmony? Você tem histórias pra contar?
Sem dúvidas, A Vida Secreta de Walter Mitty me deixou pensativo. Não é um filme que esquecerei fácil. Entrou na minha lista de filmes que me fizeram tentar mudar pra melhor. Junto com meus preferidos Show de Truman, 500 Dias com Ela, O Primeiro Mentiroso e Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças.
A rotina parece ser interminável, mas é no meio dela que criamos os dias memoráveis. Porque é arriscando e abrindo novas portas que encontramos um novo caminho, criando momentos únicos. Afinal, o que é a nossa vida além de uma fonte de momentos e de lembranças inesquecíveis?
Nota (de zero a cinco): 5
O filme conta a história de um cara comum. Um cara como eu ou você. No começo do filme, achei a vida do personagem muito parecida com a minha. Em outras situações, óbvio. Mas esse cara é o Ben Stiller e o seu personagem tem um pouco de mim. Isso criou uma ligação comigo logo no começo do filme.

A Vida Secreta de Walter Mitty conta a história de um homem que trabalha com os negativos de um grande fotógrafo da revista Life. Enquanto Sean O'Connell (Sean Penn) viaja e conhece as situações mais incríveis do mundo, Walter guarda os negativos para completar o trabalho do fotógrafo, o caminho para a publicação.
Walter é o típico cara que sonha acordado. Os devaneios e viajadas dele são coisas estranhas, mas muito comuns. Quem não pensa em "e se eu fizesse tal coisa?" e se vê parado, olhando pro nada? Walter imagina uma declaração de amor, uma mega perseguição, uma resposta ríspida ao seu chefe... mas fica só no "seria legal fazer isso."
Ao criar um perfil no E-Harmony, um site que o personagem se cadastra para tentar se comunicar com Cheryl (Kristen Wiig), moça do trabalho que ele sente atração - e mais um dos seus sonhos - Walter percebe que não tem como responder duas lacunas: Viagens e Coisas diferentes que você fez na vida.
Walter sai do seu escritório e corre a caminho da Groenlândia, local onde supostamente está o fotógrafo. Assim começa a jornada e a verdadeira vida que Walter queria. Ele corre riscos, conhece pessoas diferentes, admira paisagens inacreditáveis. Enfim, sua vida começa de verdade.
A mensagem é a de fugir da sua rotina e correr atrás da sua vida. Falar o que você tem vontade de falar, viajar para o lugar que você quer conhecer. E perceber que a vida é feita destes momentos diferentes. A vida rotineira, aquele dia que você apenas trabalhou, é facilmente esquecido.
Por exemplo, não me lembro do que fiz no dia 7 de abril de 2013, mas lembro que no dia 31 de março, estava em um show incrível do Pearl Jam no Lollapalooza. Algo diferente.
Mas no meio de todos aqueles dias insuportáveis de trabalho, um dia com alguma coisa diferente cria uma lembrança inesquecível.
Não, você não vai se demitir e fugir pra Groenlândia. Mas, pelo menos, deixar de pensar: "e se eu fizesse isso?". Apenas faça o seu melhor para fazer! Faça alguma coisa diferente no seu dia! Fala pra garota que você está afim que você gosta dela, vai pro cinema sozinho, não se apegue ao passado, deixe a insegurança pra lá, saiba a diferença de registrar um momento único com uma foto e o momento de registrar na memória.

Walter passou a seguir de verdade o lema da Life que tanto repetia: "Para ver as coisas milhares de quilômetros de distância, coisas escondidas atrás de paredes e dentro de quartos, coisas perigosas por vir, para se aproximar, para ver e ser surpreendido."
Quando você ficar velho, você vai ter história pra contar? Você conseguiria preencher um perfil do E-Harmony? Você tem histórias pra contar?
Sem dúvidas, A Vida Secreta de Walter Mitty me deixou pensativo. Não é um filme que esquecerei fácil. Entrou na minha lista de filmes que me fizeram tentar mudar pra melhor. Junto com meus preferidos Show de Truman, 500 Dias com Ela, O Primeiro Mentiroso e Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças.
A rotina parece ser interminável, mas é no meio dela que criamos os dias memoráveis. Porque é arriscando e abrindo novas portas que encontramos um novo caminho, criando momentos únicos. Afinal, o que é a nossa vida além de uma fonte de momentos e de lembranças inesquecíveis?
Nota (de zero a cinco): 5
Assinar:
Postagens (Atom)