segunda-feira, 7 de abril de 2014

[Música] Lollapalooza 2014

Participei este ano do meu segundo Lollapalooza. Mais do quem bons shows que já garantem o ingresso, o festival transmite a experiência de um dia completo só de música. 

É estranho pensar que tantas pessoas tem o mesmo gosto que eu. Logo na entrada, as milhares de pessoas vestindo camisetas do Muse já aumentavam minha ansiedade.

Na entrada, quase 30 minutos andando pra chegar no final da fila, que praticamente chegava em outro bairro de tão extensa (sério). 

Pensei não encontrar tanta dificuldade na entrada, mas já encontrei um primeiro problema. Com demora na fila e a distância dos palcos acabei perdendo o show do Capital Cities.



Da entrada até o palco Onix, onde ainda tocariam Cage the Elephant e Imagine Dragons, foram quase 30 minutos andando meio perdido. O autódromo é gigante e o sol de mais de 30ºC não ajudou nada. Encontrei um amigo por um milagre, já que o 3G e o sinal não funcionava de jeito nenhum.

Cage The Elephant

Perdi algumas músicas, mas cheguei a tempo de ouvir Ain't No Rest For The Wicked, Shake Me Down e minha preferida Come A Little Closer. O palco Onix fica em um terreno inclinado, onde qualquer posição era boa para assistir bem ao show. A banda é sensacional ao vivo e o vocalista interage bastante com a platéia. O punk rock fica bem presente ao vivo.

Após o show, o vocalista Matt Shultz foi até o canto direito do palco e começou a conversar com alguns fãs que reconheceram o cara. Tirei uma foto e posso dizer que ele é super gente fina e foi muito gentil com as pessoas que pediam fotos e autógrafos.


Conhecia a banda do outro Lolla. Pela televisão, fiquei impressionado com a postura de Matt no palco e ao vivo tive certeza da qualidade. Vou dar mais atenção ao Cage The Elephant.

Imagine Dragons

Todo o fato citado acima aconteceu ao lado de umas 40 mil pessoas que estavam esperando Imagine Dragons e não reconheceram o vocalista. Quando finalmente chegou a vez da banda de Las Vegas - desta vez bem estava bem mais perto do palco - o local ficou completamente lotado.

Com apenas um álbum, Night Visions, fiquei curioso em saber como eles completariam o setlist. No final, a banda fez um cover bem feito de Song 2 do Blur e dava um capricho especial com alguns solos no final de cada música. Sendo que a banda tem apenas seis anos, é impressionante ver o público que os americanos conquistaram em tão pouco tempo.

O Imagine Dragons conseguiu lançar um primeiro álbum que vendeu muito bem mundialmente e que também funciona muito bem ao vivo, com ótimos singles. O destaque para a percussão é muito evidente e causa uma sonoridade com bastante impacto.

O final com Radioactive, obviamente já esperado pelos fãs, caiu muito bem. A música parece que funciona melhor ao vivo do que no álbum. Foi um ótimo show para uma banda que está só começando e que tem muito futuro pela frente.O público, que lotou o palco Onix, encontrou muita dificuldade para sair do palco.

Phoenix
A neozelandesa Lorde e os franceses do Phoenix dividiram a multidão. Decidi escolher o Phoenix, porque gosto muito da sonoridade da banda. 

Na minha visão, a escolha era óbvia. Músicas bem dançantes, com músicos extremamente competentes e com anos de carreira ou um show de uma adolescente com dois integrantes na banda? Tinha certeza que o show da Lorde seria morno. Assistiria Royals e iria embora, ou seja, não compensava no momento (mais tarde confirmei na televisão, foi bem chato mesmo).

Foi complicada a mudança de palco. O congestionamento de pessoas travou a passagem para o palco Skol e perdi duas das cinco músicas que conhecia do Phoenix. Quanto a qualidade do show, não tem nem o que falar, eles são ótimos no que fazem. 



Queria mesmo ouvir Lasso e Lisztomania, mas o trânsito de pessoas não ajudou. Mais um excelente show com destaque para o ótimo baterista e o vocalista pulando no povo na última música Entertainment.
Muse

Chegando a hora do Muse, comecei a ficar bem ansioso. Isso tudo porque alguns dias antes, a banda cancelou um show em SP por causa de uma laringite no vocalista Matthew Bellamy. Fiquei com receio do cara ficar completamente sem voz pro show e tudo ser um desastre.

Por um milagre e muito esforço, conseguimos chegar bem perto da grade no palco Skol. Quando percebi que aparentemente a voz de Matt estava ok, fiquei mais tranquilo e o show foi incrível! Ele cantava bem, porém deixava passar alguns falsetes. Nada que atrapalhasse o show.

Este era o primeiro show do Muse no ano, então já eram previstas mudanças no setlist. Não queria mesmo uma cópia do show do Rock in Rio.


A banda é um espetáculo ao vivo. Se a voz falhava em alguns instantes, Matt compensa tudo na guitarra. Como toca bem esse britânico. O baixista Christopher Wolstenholme e o baterista Dominic Howard também não ficam devendo nada, são tão importantes e talentosos quanto o vocalista.

Com muitos riffs de guitarra, a banda tocou músicas mais antigas, provavelmente porque possuem menos agudos, e ainda incluiu algumas músicas do último disco The 2nd Law. Minhas preferidas Plug in Baby, Time is Running Out, New Born, Hysteria e Madness foram tocadas, ponto positivo. 

Ainda deu pra fazer um cover sensacional de Lithium para os 20 anos da morte de Kurt Cobain do Nirvana e finalizar perfeitamente com Knights of Cydonia.

Senti falta de algumas das novas como Panic Station e Supremacy, porém fiquei surpreso em como The 2nd Law: Unsustainable funciona MUITO bem ao vivo. Tudo foi incrivelmente sensacional e falta vocabulário pra contar quanto eu curti o show.


No final, meu Lolla foi excelente. Os pontos positivos foram: ótimos shows, mais capricho com as comidas em relação ao ano passado, uma companhia legal, boa visão pros palcos em qualquer lugar e não tenho nada a reclamar em relação ao som. Pontos negativos: distância eterna entre os palcos, o autódromo é mais longe do que o Jockey Club no ano passado, distância do autódromo para a estação na CPTM, dificuldade pra entrar na estação.

Claro que pra mim, os pontos positivos transbordaram os pontos negativos. Já sabia que andaria muito e que teria dificuldade com o transporte. Assisti a quatro excelentes show e paguei o que equivalente a somente um show solo. Sem contar que a experiência de estar no festival faz tudo valer muito a pena. 

O Lollapalooza mais uma vez não me decepcionou e os festivais tornam-se cada vez mais uma opção para diversão e música boa. Aguardo o line-up do Planeta Terra. 

Ano que vem tem mais Lolla.

quinta-feira, 27 de março de 2014

[Cinema] Universo Tarantino

Nascido em Knoxville, Tennessee, Quentin Tarantino começou a sua carreira com a venda do roteiro dos filmes Amor à Queima Roupa e Assassinos por Natureza. Essa foi a sua porta de entrada para criar "Cães de Aluguel", filme que ficou famoso pelo ritmo intenso, cortes de câmera inovadores e cenas retratadas fora da ordem cronológica.

Em 1994, Pulp Fiction foi indicado a diversos prêmios e marcou época no cinema. O filme é tratado como um clássico pelos fãs do diretor e de cinema. A obra recebeu sete indicações ao Oscar, vencendo na categoria de melhor roteiro original.

Além da criatividade inesgotável, uma coisa que diferencia o Quentin dos outros diretores é a ligação dos seus filmes. Existe uma teoria que viralizou na internet que afirma que todos os filme do diretor fazem parte de apenas um único universo. A conexão vai de sobrenomes iguais em filmes diferentes, citações a personagens de outras obras e referências que podem ser mais do que mera coincidência.

A cena que deu início a toda a mitologia vem de Pulp Fiction, onde a personagem de Uma Thurman supostamente cita a história do drama de vingança Kill Bill, lançado apenas em 2003.

Tarantino já admitiu ter crescido assistindo filmes de faroeste de Sergio Leone e de artes marciais. Seu amor pelo cinema trash e gore ajudou a formar sua própria identidade na criação de histórias com muito sangue aparente, mutilações e cenas de violência marcante.

O diretor utiliza também da ucronia, um subgênero literário, para escrever roteiros de alguns dos seus filmes. A oportunidade de mudar o rumo da história real através da ficção é algo que fascina o americano.

Aficionado também por história, o diretor sempre que pode, inclui referências factuais em suas obras. Bastardos Inglórios utiliza a Alemanha nazista, o Terceiro Reich liderado por Adolf Hitler e o Partido Nacional Socialista Alemão dos Trabalhadores como cenário para um filme sobre planos de vingança do ponto de vista judeu para acabar com o nazismo.

Seu último filme, Django Livre, parte da escravidão para contar uma história do velho oeste, que junta faroeste, vingança, referências a seus filmes anteriores e, como sempre, muita violência. O diretor aproveita para contar sua narrativa através de fases do monomito, também conhecido como jornada do herói. Django deixa de ser um escravo para crescer e lutar por seus objetivos e o amor da sua vida.


Dono de dois Oscars de melhor roteiro original (venceu com Pulp Fiction e Django Livre), Quentin, além de ser diretor, roteirista e produtor de cinema, também faz pequenas pontas na maioria dos seus filmes.

Quentin tornou-se referência para os fãs de cultura pop e seus filmes são sempre aguardados tanto pelo público fiel quanto pela crítica. Seja com clássicos antigos ou com os mais atuais, Tarantino assina seus filmes com mais do que um bom roteiro ou atuação. O diretor transfere a sua identidade para cada nova criação.

Através de uma forma única de montar sua obra cinematográfica, Quentin Tarantino tornou-se um verdadeiro ícone. Com apenas 51 anos, Tarantino espera premiar ainda mais as suas obras e destacar o seu nome na eterna lista dos melhores diretores da história do cinema.

segunda-feira, 24 de março de 2014

[Série: Versos de Ciência] Trabalho das estrelas

A noite em que todos vão pra casa.
Também é a noite em que as estrelas vão trabalhar.

Se todos passam o tempo ocupados durante o dia.
Elas contam os minutos pra aparecer.

Pode ser que algumas demorem pra responder.
O calor do próprio Sol demora 8 minutos pra chegar na Terra.

Depois dele, o brilho da estrela mais próxima é de quatro anos atrás.
Proxima, Alpha e Beta Centauri podem nem estar mais lá.

As luzes emitidas demoram pra chegar na Terra.
Mas sei que são bem mais do que só uma grande esfera de plasma.

É grande o papel delas. Como o pôr do sol que encanta os humanos.
A responsabilidade delas é ser grande pra brilharem juntas.

A situação pode estar escura como a noite.
Mas a escuridão perde espaço para um simples raio de luz.

Quando a vida estiver difícil, observe o trabalho das estrelas.
E veja a luz que percorre todo o espaço só para te iluminar.

Crux and Centaurus from Mauna Kea

terça-feira, 4 de março de 2014

[Outros] Mentalidade de Carnaval

Sou a favor do Carnaval, entendo que é uma coisa da cultura do brasileiro. Só não entendo como essa data afeta tanto a sabedoria das pessoas. O Carnaval liberta o que há de mais estranho no ser humano.

No Carnaval, sair fantasiado é normal. Os palhaços são apenas pessoas comuns neste dia. Seguir um caminhão de som sendo esmagado por milhões de pessoas é super diferente de ir a um show normal na semana seguinte.

Beijar o máximo de pessoas possíveis é normal. Nos outros dias é coisa de vadia ou galinha, mas no Carnaval tá liberado. Pode beber tranquilo. As marcas de cerveja criam camarotes e o amigo mais bêbado sempre cria a história mais engraçada.

O povo esquece das notícias, até porque é muito mais importante saber a hora do próximo bloco de rua ou a nota das escolas de samba. Todos são iguais. Morador de rua ganha bloco na própria casa, imagina só.

A prioridade é fazer a maior festa de rua do mundo. Fazer o turista sentir-se bem. Não quero que cancelem o Carnaval ou que comecem a tocar Beethoven para as pessoas. Sou a favor de uns dias de descanso, ninguém é de ferro.

Longe de ser um texto responsável, até porque não sou a pessoa mais indicada pra isso... Mas enquanto tivermos uma sociedade que prioriza o Carnaval por meses e fecha as escolas para as pessoas ficarem bêbadas, ouvindo axé e em estado deplorável, não tem como pedir um Brasil melhor.

Se as pessoas acham que o investimento da Copa é uma vergonha, imagina o que o governo gasta pra sustentar a folia?

O dinheiro é bem investido com campanhas de camisinha (que é uma coisa ridícula, até porque educação sexual é uma coisa essencial), com propagandas pra não urinar no chão, pra não dirigir bêbado? Coisas básicas que qualquer pessoa em qualquer outro dia do ano saberia?

Alguém mais percebe o tamanho dessa besteira? A campanha pra usar camisinha é valida pra todos os dias do ano! Não é normal mijar no chão da rua... nunca! Dirigir bêbado é perigoso e arrisca a vida de várias pessoas! É tão óbvio que acredito que as pessoas perdem uma parte do cérebro nesta época, não é possível...

Mas lembra? No Carnaval está tudo liberado. Só por uns dias, as pessoas ficam bobas, esquecem a sua rotina e dão risadas. Aos adeptos, repito. Não quero que o Carnaval seja extinto. Só não entendo essa burrice conjunta que obriga o governo a gastar com coisas tão inúteis.

Só não usem essa mesma mentalidade pra cobrar depois no dia das eleições. Porque o povo vai votar com a mentalidade de Carnaval. E elege um Carnaval de idiotas pra guiar nosso país.

sábado, 22 de fevereiro de 2014

[Série: A vida sem...] Tempo

E se de repente, o tempo parasse?
E a vida fosse vivida sem a presença do tempo?
Se o dia parasse exatamente onde está.
Noite onde está noite, dia onde está dia.
O ser humano não teria mais que acordar cedo.
Não existiria cedo ou tarde demais.
O final feliz, nunca teria um final.
O horário deixa de existir, já que as horas foram paralisadas.
Felizes aqueles que pararam com um pôr do sol eterno.
Felizes os que vivem no crepúsculo inspirador entre o azul do dia e o escuro da noite.
Os relacionamentos seriam mais complicados.
Sem o "até amanhã", o "te vejo quando estiver com vontade" seria a novidade.
Não existiria a hora da chegada e nem a hora certa de partir.
Vai quem sente vontade, chega quem tem desejo.
A sensação de rápido ou lento logo deixa de existir.
Ninguém mais envelhece, o tempo deixa de enfraquecer as pessoas.
O relógio deixa de informar o tempo para virar só um acessório.
Não vai existir duração, período ou prazo.
Sem intervalos, ciclos, datas, eras, etapas, fases, séculos, anos, meses e dias.
Sem horas, minutos ou segundos.
O pior: sem pequenos momentos que valorizam a vida.
Porque o momento não vai existir.
Nem a ocasião, a oportunidade ou a vez.
O tempo não vai mais curar a saudade.
O tempo não vai mais curar o coração partido.
O tempo não vai mais te dizer a hora certa de dizer o que sente.
O tempo não vai mostrar que o melhor já passou ou que o melhor ainda vai chegar.
Eternamente, infinito, pra sempre e jamais finalmente terão sentido.
Tudo será eterno, sem fim, sem limites.
Resta o amor eterno dos amantes, a angústia sem fim do solitário e a vida infinita.
Porque o tempo rege a vida dos seres humanos. E sem ele, ficamos perdidos.
Perdidos no hoje, no amanhã.
Perdidos no infinito.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

[Cinema] O clichê nos gêneros do cinema

Um personagem pode ter milhares de faces, trejeitos e maneiras. Herói ou vilão no final, ele sempre vai ter um final. Milhares de personagens foram criados em toda a história do cinema. Histórias para se apaixonar, se emocionar, para ficar desesperado quando a mocinha corre perigo mesmo sabendo que em 99,9% das vezes, tudo vai ficar bem. O que define o final, o meio e o começo é o gênero. Claro que os gêneros também tem os seus estereótipos. Uma história pode ser contada diversas vezes com gêneros diferentes, mas sempre mantendo os clichês de cada um. Vamos aos exemplos:

História base: uma pessoa acorda, veste um terno para ir trabalhar, pega trânsito, pega o elevador sozinho e trabalha normalmente. Fim de horário de trabalho, vai pra casa, põe o pijama e dorme.

Romance/Comédia Romântica: Uma mulher beirando os 30 anos acorda, se veste para o trabalho, no caminho seu carro quebra e chama um cara para arrumar. O cara briga com a mulher, mas arruma o carro. Ele é contratado pela empresa dela e vira o seu rival. Aos poucos ela descobre que ele é uma boa pessoa, eles revelam suas qualidades e defeitos um pro outro. Ela sorri e fala: "Seu idiota". Ele sorri e fala "Isso mesmo. SEU idiota." Eles se beijam na chuva e o filme acaba.

Comédia Adolescente: Uma adolescente acorda e se troca para o primeiro dia na escola nova com uma música da Avril Lavigne na trilha sonora. Ela chega no colégio e faz amizade com uma menina estranha que só faz piadas de vez em quando pra lembrar que o filme é de comédia. Ela se apaixona pelo capitão do time de futebol americano, que namora a sua rival na escola. A menina vence a rival em uma competição, o jogador termina com ela e eles se beijam em uma festa com copinhos descartáveis vermelhos tipo American Pie.

Faroeste: O forasteiro acorda, pega seu revólver e sobe em seu cavalo. Enquanto aparecem os nomes dos atores, toca uma música épica do Ennio Morricone. Ele chega na cidade e o xerife é assassinado. Ele inicia um romance perigoso com a filha do dono do banco. Ele vira o novo mocinho da cidade, mas precisa tomar cuidado com a turma do (insira um nome) Kid, o maior ladrão de bancos do oeste. Eles marcam um duelo. O mocinho é mais rápido e mata o ladrão. Ele ganha uma estrela e vira o novo xerife.

Terror: Uma mulher acorda e escuta um barulho. Ela segue o barulho contínuo apenas de calcinha e uma camiseta larga. Ela vê um vulto, mas dorme achando que trabalhou demais e está cansada. No dia seguinte, ela vê um espírito no reflexo do espelho, mas mesmo assim não sai da porcaria da casa. Acorda com o barulho de novo, segue o barulho até chegar no porão. O espírito ataca a mulher e ela cai no chão morta. A câmera segue mostrando uma parede, até que o espírito ataca a tela, só pra causar um último susto.

Suspense: O cara acorda e vai pro trabalho. Ele descobre que precisa levar uma encomenda para um homem em Pequim, mas no voo, o cara descobre que tem um terrorista na cadeira ao lado. Óbvio que ele não avisa ninguém, decide agir por conta própria e tenta matar o cara sozinho. Ele descobre que o cara plantou uma bomba em algum lugar do avião. Claro que o cara corta o fio da bomba no último segundo após uma contagem regressiva e o avião pousa com o FBI pronto pra prender o terrorista.

Ação: O cara acorda e no caminho do trabalho percebe que está sendo seguido. Após uma intensa perseguição, o cara chega a uma ponte que não foi inteiramente construída. Ele acelera e consegue chegar ao outro lado, ao contrário dos vilões que batem o carro. Enquanto isso, o personagem alívio cômico sentado no banco do passageiro faz piadinhas. Tudo isso em uma cena de 40 minutos com muitas explosões e tiros.

Ficção Científica: O cara vai pro trabalho e é abduzido. Os extraterrestres falam que vão levar um humano para o seu planeta para provar que existe vida além de Xnaitzor. No novo planeta, o cara descobre que o lugar está prestes a ser destruído por robôs que possuem um buraco negro. O cara salva a galáxia após matar o chefe robô, se casa com uma ET e começa a viver normalmente no planeta novo.

Documentário: O cara acorda. Ele dá um depoimento sobre como foi acordar naquele dia. A mulher do cara fala sobre a visão dela do homem acordado. Ele vai pro trabalho e o chefe dele fala sobre a vida no trabalho em mais um depoimento. O cara vai pra casa e fala sobre como voltou pra casa de carro. No final do documentário, o diretor coloca imagens e conta a história de como o homem está hoje.

Pornô: O cara acorda e se arruma pro trabalho. A mulher dele arruma a gravata dele e abre o zíper da calça dele (cena de sexo no quarto de 15 minutos). No trabalho, a secretária entra com documentos (cena de sexo no escritório por mais 15 minutos). Chegando em casa, o homem pede uma pizza. A entregadora toca a campainha e fala que está sem troco. Ela afirma que vai precisa pagar por ser uma mulher muito má (cena de sexo de 15 minutos). A esposa chega em casa e flagra os dois transando. Ela gosta da ideia e faz um threesome.

Drama: O cara acorda. Olha pro relógio e o tempo não avança. No caminho do trabalho, recebe uma ligação falando que a sua mulher está com câncer. Ele volta pra casa e eles aproveitam os últimos dias de amor. Ela morre e ele deita. O filme acaba da forma mais melancólica e depressiva possível, com o cara em posição fetal chorando no cantinho do quarto.

Espionagem: O cara acorda e descobre que está sendo vigiado por espiões russos. O cara viaja até Moscou para roubar a tecnologia de uma multinacional. O cara descobre que os russos já sabiam de tudo e que no final, você descobre que tudo não passa de truque para fazer um filme parecido com James Bond. Você já assistiu e gastou dinheiro, já era.

Guerra: O cara acorda e descobre que está no Iraque. Junto do seu novo melhor amigo, eles seguem para o campo de guerra, onde ele mata um cara com uma sniper de forma impressionante. Quando ele comenta o feito com o amigo, ele já foi atingido e o seu parceiro morre. Ele carrega o corpo no final da batalha. O cara é recebido com honras pelo presidente americano.

Série: O cara acorda e o resto você verá no próximo capítulo.

Musical: O cara acooooooooorda de bom humooooor e começa a sapateaaaar enquanto escova os denteeees. No trabalhooo, tudooo viraa motivoo pra mais uma bela cançãããããão. O filme de duas horas podia ser resumido em 3 minutos sem as músicas.

Trash: O cara acorda e aparece um outro cara com uma serra elétrica, cortando todos os membros dele. Somente agora começa o filme, separando os fracos dos fortes. Ou seja, é o diretor falando "Você viu, né? Vem merda por aí, sai agora, depois não reclama".

Independente: O cara acorda, vai pro trabalho na mesma casa, porque o diretor não tinha orçamento pra outro cenário. O filme só tem uma cena com efeitos especiais e ela é especialmente tosca. Em alguns anos, os hispters vão chamar esse filme de clássico.

domingo, 19 de janeiro de 2014

[Série: Versos de Ciência] A Lua acaba de entrar de férias


Não tem ninguém pra conversar e você está na rua esperando alguma coisa. De noite. A Lua está lá, brilhando no céu limpo. É bonito, vai? Admite, não tem ninguém olhando.

A Lua sempre está lá. Brilhante, estranha, com nuvens ao seu redor, esplêndida, consegue até mandar no mar.

Sempre em momentos de decepção ou felicidade, é a primeira a escutar as novidades dos melancólicos ou dos apaixonados.

Ela escuta lamentações, recebe pedidos para reatar casais e até escuta perguntas do tipo 'será que tem mais gente olhando pra ela agora?'

Mas a maior polêmica em torno dela, é aquela do homem na Lua. Vocês acham MESMO que o homem ainda não foi pra Lua? Eles até deixaram uns retrofletores, um tipo de espelhinho que dá para refletir um laser pra Terra, sabia? Sério, vi no Wikipédia.

Ela desperta curiosidade no astrônomo e até dá uns pitacos no ramo da astrologia. Sim, a astrologia, aquela pseudociência que só trabalha na base da hipótese. Bom... isso parece também com ciência, mas deixa pra lá.

Porém, a Lua acaba de admitir que está cansada. Ela já não aguenta mais sair em fotografias e se sente pequena ao sair na foto. Coisa de satélites naturais tímidos. Outra coisa que poucos sabem, é a sua principal profissão: psicóloga.

O que ela escuta de apaixonados convictos, indecisos e tímidos, não é brincadeira. Ela não vai responder, galera apaixonada. Só aproveita pra curtir aquela fase da Lua cheia e usa a beleza pra se inspirar, escrever e falar umas palavras bonitas pra aquela querida.

Ah, a Lua não gira viu? Ou não existiria todo aquele papo de lado oculto que os Transformers e o Capital Inicial tanto falam.

Também, afirmo aqui, que não existe a teoria do Adão e Eva, nem do Big Bang. A Lua é o começo e o fim de tudo. Explico.

Começa no fim. A Lua gira em torno da Terra, que gira em torno do Sol, que está na Via Láctea, que está seguindo pro Grande Atrator de Virgo. Que com certeza possui outras galáxias indo pra lá, que possuem um outro tipo de Sol, que possui outros planetas, que tem um satélite natural orbitado em volta deles, outro tipo de Lua. Acaba no começo.

Viu? Não é difícil. A Lua que brilha pra você, é do mesmo tipo que brilha pra aquele pequeno ser extraterrestre sentado na janela no outro lado do universo. Ou você pensa que estamos sozinhos? Afinal, Carl Sagan já dizia: "O que é mais assustador? A ideia de extraterrestres em mundos estranhos, ou a ideia de que, em todo este imenso universo, nós estamos sozinhos?" Bizarro pensar nisso.

Então, na próxima vez que olhar o brilho da Lua, tão sozinha e elegante, valorize aquela pequena solitária. Ela já não é humilhada o suficiente com aquela música do Exaltasamba? Tá dizendo que o brilho dela não se compara ao seu? Quem diria, um dia ser comparada a uma mera humana...

Além de ter várias profissões, ser criadora do Universo, psicóloga dos apaixonados, objeto de estudo dos cientistas, usada para falar o "futuro" dos pobres humanos e o seu horóscopo, ela ainda tem que ser tão lembrada nas músicas? Se ao menos fossem boas...

Porque se ela já tem tanta coisa para comandar, ela não vai iluminar os pensamentos dela, ouviu Katinguelê?

Por isso, a Lua afirma que acaba de entrar de férias. No lugar dela, um globo de iluminação dos anos 70 vai deixar as cidades do mundo com um clima mais Dancing Queen.

E no lugar de iluminar a noite, o globo vai colocar luzes estilo balada dos anos 70/80 e tocar Girls Just Wanna Have Fun a noite inteira em um volume confortável.